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Descriptografando a Carta Rosa

2020.09.26 01:53 altovaliriano Descriptografando a Carta Rosa

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-pink-lette
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas, 5) Tendências Suicidas
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OBS: Esta é a última parte que traduziremos por agora.
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO VII

Não há como negar que resolver o mistério da Carta Rosa é uma imbróglio complicado. Já existem dezenas de teorias.
Resolver esse mistério tem sido um dos grandes objetivos do Manifesto desde o início, e acho que fiz um bom trabalho de construção progressiva até este ponto.
NOTA: O ideal era que você tivesse lido todos os ensaios até este ponto, mas se você insiste em ler assim, eu sugiro que pelo menos você leia Confronto nas Criptas e Tendências Suicidas primeiro.
Vamos direto ao assunto. Neste ensaio, estou apresentando os seguintes argumentos.
À luz das muitas teorias anteriores estabelecidas aqui no Manifesto, podemos desenvolver um entendimento muito convincente da chamada Carta Rosa e do que ela realmente diz.
[...]

A CARTA ROSA

Esta seção é apenas uma recapitulação da carta, seu texto e as várias outras características que possui.
Coloco esta seção aqui como uma referência fácil durante a leitura deste ensaio.

O texto

Seu falso rei está morto, bastardo. Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha. Estou com a espada mágica dele. Conte isso para a puta vermelha.
Os amigos de seu falso rei estão mortos. Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell. Venha vê-las, bastardo. Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha. Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Terei minha noiva de volta. Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras. A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor. Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Estava assinado:
Ramsay Bolton
Legítimo Senhor de Winterfel
(ADWD, Jon XIII)

A descrição da carta

Bastardo, era a única palavra escrita do lado de fora do pergaminho. Nada de Lorde Snow ou Jon Snow ou Senhor Comandante. Simplesmente Bastardo. E a carta estava selada com um pelote duro de cera rosa.
Estava certo em vir imediatamente – Jon falou. Está certo em ter medo.
(ADWD, Jon XIII)

DIFICILMENTE O BASTARDO

Acho que já fiz um argumento convincente de que Mance Rayder está disfarçado de Ramsay Bolton (veja o Confronto nas Criptas).
Mas tenho certeza de que os leitores apreciariam pelo menos uma rápida avaliação das muitas outras razões pelas quais não acredito que a carta possa ser de Ramsay.
Especificamente, esta seção está identificando maneiras pelas quais a carta é incoerente com o que sabemos sobre Ramsay. Não acredito que nada disso por si só desqualifique Ramsay como autor, mas coletivamente elas geram grandes dúvidas.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

Falta o botão

Todas as cartas anteriores de Ramsay foram seladas com "botões" bem formados de cera:
Empurrou o pergaminho, como se não pudesse esperar para se ver livre dele. Estava firmemente enrolado e selado com um botão de cera dura rosa.
(ADWD, A noiva rebelde)
Clydas estendeu o pergaminho adiante. Estava firmemente enrolado e selado, com um botão de cera rosa dura.
(ADWD, Jon VI)
A Carta Rosa é lacrada com "pelote duro de cera rosa", uma discrepância notável.

Cabeças na Muralha

Enfiar cabeças em lanças parece um tanto incoerente com o estilo pessoal de Ramsay e com os maneirismos de Bolton observados a esse respeito: esfolar ou enforcar.

Sem pele ou sangue

Um dos artifícios mais conhecidos de Ramsay é o envio de mensagens escritas com sangue e com pedaços de pele anexados.
Não há menção de sangue usado como tinta, nem está implícito, como ocorre em outras cartas que parecem ser dele. Definitivamente, não há menção a um pedaço de pele, o que é estranho, considerando que Ramsay afirma ter Mance Rayder e todas as seis esposas de lança ... certamente uma delas poderia fornecer um pouco de pele.

Como Ramsay saberia?

Por que Ramsay pede Theon a Jon ?
Se Theon foi entregue a Stannis, e Stannis tinha toda a intenção de matá-lo, por que Ramsay acreditaria que Theon está agora com Jon?
Nem mesmo Mance Rayder saberia disso.
Além disso, “Arya” foi entregue a Stannis também, via Mors Papa-Corvos.
Por que ele acreditaria que Arya está com Jon?
Se todo a hoste de Stannis foi realmente destruída, você deve se perguntar onde Ramsay ficou sabendo destes detalhes, principalmente com relação a Theon.
É uma suposição sensata pensar que Stannis pode enviar "Arya" de volta a Castelo Negro (na verdade, foi o que Stannis faz), mas mesmo uma formação primária em inteligência [militar] torna óbvio que Theon seria de grande valor estratégico em uma batalha contra Winterfell, mas em nenhum outro lugar.
Uma pessoa pode então arguir que isso só pode significar que o corpo de Theon não foi descoberto entre os mortos. No entanto, dadas as condições meteorológicas, essa provavelmente é uma tarefa impossível de realizar. Portanto, Ramsay não teria nenhuma base e nenhuma confiança para pensar que Jon tinha Theon em absoluto.

ENDEREÇADO À MULHER VERMELHA

No início deste ensaio, declarei que a Carta Rosa se destinava especialmente a Melisandre. Preciso lhes dar as evidências. Tanto aquelas dedutivas (ou razoáveis), quanto aquelas que estão implícitas ou que foram estabelecidas daquele jeito inteligente e sutil que Martin faz com frequência.

Missão de Mance

Como já estabeleci no Manifesto, a missão de Mance baseava-se em saber onde seria o casamento de Arya.
Assim, quando Jon recebeu seu convite de casamento, Mance deveria partir para Vila Acidentada.
Jon acidentalmente recebeu o convite enquanto estava no pátio de treinamento, lutando com Mance disfarçado de Camisa de Chocalho. Assim, Mance foi capaz de simplesmente ouvir o local. Mas não podemos presumir que Mance e Melisandre apostaram tudo em terem a sorte de ouvir qual seria o local.
Uma dedução simples conclui que Mance era capaz e estava determinado a ler as cartas no quarto de Jon até que surgisse a localização.
NOTA: Se esta explicação parece insuficiente, eu apresento o argumento por completo em um ensaio anterior A estrada para Vila Acidentada.
Isso também significa que o convite não era realmente para Jon, mas sim para Melisandre e Mance, como um 'gatilho' para o início de sua missão. Novamente, eu explico a base para essas conclusões no ensaio mencionado acima.
Isso estabelece o precedente de que as mensagens enviadas para Castelo Negro podem, de fato, ter a intenção de se comunicar secretamente com Melisandre.

Ratos Cinzentos

Aqui há um exemplo de Martin possivelmente invocando um dispositivo que é sua marca registrada: enterrar recursos de enredo relevantes para uma história em outra, geralmente via metáforas ou alegorias inteligentes.
Três citações devem ser suficientes para você entender (em negrito, para dar ênfase nas partes principais):
Três deles entraram juntos pela porta do senhor, atrás do palanque; um alto, um gordo e um muito jovem, mas, em suas túnicas e correntes, eram três ervilhas cinza de uma vagem negra.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Se eu fosse rainha, a primeira coisa que faria seria matar todos esses ratos cinzentos. Eles correm por todos os lados, vivendo dos restos de seus senhores, tagarelando uns com os outros, sussurrando no ouvido de seus mestres. Mas quem são os mestres e quem são os servos, realmente? Todo grande senhor tem seu meistre, todo senhor menor deseja ter um. Se você não tem um meistre, dizem que você é de pouca importância. Esses ratos cinzentos leem e escrevem nossas cartas, principalmente para aqueles senhores que não conseguem ler eles mesmos, e quem diz com certeza que eles não estão torcendo as palavras para seus próprios fins? Que bem eles fazem, eu lhe pergunto.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Lorde Snow. – A voz era de Melisandre.
A surpresa o fez afastar-se dela.
Senhora Melisandre. – Deu um passo para trás. – Confundi você com outra pessoa.À noite, todas as vestes são cinza. E subitamente a dela era vermelha.
(ADWD, Jon VI)
A noção de que todos os mantos são cinza parece equivocada: Melisandre equivale a um meistre .
O que é verdade em muitos sentidos: ela é definitivamente uma conselheira de Stannis e 'sussurra' em seu ouvido. E talvez o mais notável seja o fato de que muitos questionam quem realmente está no comando: Stannis ou sua mulher vermelha?
Quando você vê esses paralelos, a alusão a ela usar vestes cinzas tem uma conexão forte e interessante com o conceito de cartas em que alguém está 'torcendo as palavras'.
Afinal, eu dei argumentos convincentes de que o convite de casamento de Jon era para Mance e Melisandre e foi enviado por Mors Papa-Corvos. Alguém contestaria a noção muito razoável de que outras cartas seriam igualmente confidenciais?
Outra coisa engraçada sobre essa ideia é que Melisandre literalmente distorce as palavras para seus próprios propósitos:
O som ecoou estranhamente pelos cantos do quarto e se torceu como um verme dentro dos ouvidos deles. O selvagem ouviu uma palavra, o corvo, outra. Nenhuma delas era palavra que saíra dos lábios dela.
(ADWD, Melisandre)

Uma bela truta gorda

Há um outro elemento temático que sugere que as cartas podem possuir conteúdos secretos, uma característica interessante atribuída a duas cartas diferentes em As crônicas de gelo e fogo.
A primeira carta é a de Walder Frey, enviada a Tywin após o Casamento Vermelho:
O pai estendeu um rolo de pergaminho para ele. Alguém o alisara, mas ainda tentava se enrolar. “A Roslin pegou uma bela truta gorda”, dizia a mensagem. “Os irmãos ofereceram-lhe um par de pele de lobo como presente de casamento.” Tyrion virou o pergaminho para inspecionar o selo quebrado. A cera era cinza-prateada, e impressas nela encontravam-se as torres gêmeas da Casa Frey.
O Senhor da Travessia imagina que está sendo poético? Ou será que isso pretende nos confundir? – Tyrion fungou. – A truta deve ser Edmure Tully, as peles…
(ASOS, Tyrion V)
A segunda é a carta ostensiva que Stannis escreveu a Jon Snow enquanto estava em Bosque Profundo. Não vou citar a carta (é um texto imenso), apenas um elemento da descrição:
No momento em que Jon colocou a carta de lado, o pergaminho se enrolou novamente, como se ansioso para proteger seus segredos. Não estava seguro sobre como se sentia a respeito do que acabara de ler.
(ADWD, Jon VII)
O que estou tentando apontar aqui é que a primeira mensagem de Walder Frey definitivamente tinha uma mensagem inteligentemente escondida. E por alguma razão, Martin decidiu mostrar que a carta 'queria' enrolar-se novamente.
A segunda mensagem também quer enrolar-se e, se você a ler com atenção, há um grande número de coisas que são totalmente incorretas ou atípicas em relação a Stannis nela. Cavaleiros homens de ferro? Execução por enforcamento?
Já tomei a liberdade de esquadrinhar tortuosamente os livros e não consigo encontrar de pronto outros exemplos em que as cartas foram personificadas dessa maneira.
Junto com os pontos anteriores, este não reforçaria a ideia de que Melisandre (e Mance por um tempo) está recebendo mensagens camufladas enquanto está em Castelo Negro?

Carta de Lysa

Outra indicação de que tais 'cartas codificadas' não são incomuns é que uma das primeiras cartas que vimos nos livros era uma: a que Catelyn recebe de Lysa.
Seus olhos moveram-se sobre as palavras. A princípio pareceu não encontrar nenhum sentido. Mas depois se recordou.
Lysa não deixou nada ao acaso. Quando éramos meninas, tínhamos uma língua privada.
(AGOT, Catelyn II)
* * \*
Deve ser apontado que isso também faz sentido de uma perspectiva puramente lógica. Como já argui veementemente que Stannis, Mance e Melisandre conspiraram juntos, faria sentido que todas as partes precisassem ser capazes de se comunicar de uma forma que protegesse a referida conspiração.
Nesse ponto, tal tipo de carta constitui a opção mais adequada, como mostram as cartas de Walder Frey e Lysa Tully.
Esse tipo de proteção de carta – enterrar uma mensagem secreta em outra mensagem, de modo que não possa ser detectada – é conhecido como esteganografia.
A Dança dos Dragões faz de tudo para educar os leitores de que nem sempre se pode confiar nos meistres com segredos: ouvimos isso de Wyman Manderly e Barbrey Dustin. No entanto, se um rei ou outro oficial escrever suas cartas com mensagens secretas esteganográficas, os verdadeiros detalhes serão ocultados até mesmo dos meistres. Na verdade, foi exatamente isso que observamos na carta de Walder Frey a Tywin Lannister.
Meu objetivo final neste ensaio é convencê-lo de que a Carta Rosa é uma mensagem esteganográfica de Mance Rayder para Melisandre. A forma como foi escrita esconde seus segredos de qualquer meistre (ou Jon Snow) que tente interpretá-la.
A principal desvantagem de tentar decifrar qualquer mensagem esteganográfica é esta:
Por que eles não encontraram nada? Talvez eles não tenham procurado o suficiente. Mas há um dilema aqui, o dilema que capacita a esteganografia. Você nunca sabe se há uma mensagem oculta. Você pode pesquisar e pesquisar, e quando não encontrar nada, você pode apenas concluir “talvez eu não procurei com atenção”, mas talvez não haja nada para encontrar.
ESTRANHOS HORIZONTES, ESTEGANOGRAFIA: COMO ENVIAR UMA MENSAGEM SECRETA
Isso significa que a única maneira real de provar a você que Mance escreveu a Carta Rosa é se eu conseguir encontrar uma tradução irresistivelmente convincente de qualquer conteúdo secreto que ela possa ter.
E mesmo assim você pode argumentar que não é verdade. Embora eu espere que você não diga isso quando terminar este ensaio.

Querida Melisandre

Além de todos os pontos acima, Melisandre consegue tornar tudo ainda mais explícito. Antes da chegada da Carta Rosa, Melisandre diz:
Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quandotiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
(ADWD, Jon XIII)
Isso parece enfaticamente dizer a Jon que ela quer vê-lo depois que a carta chegar.
Observe como ela está lá quando Jon decide ler a carta em voz alta no Salão dos Escudos. Eu sei que isso parece um detalhe trivial, mas considere que ela não apareceu antes do início da reunião e que ela desapareceu quase imediatamente após Jon terminar.
Isso está relacionado à principal preocupação que a vemos expressar em sua conversa com Jon antes da chegada da carta: abandonar a caminhada para resgatar os que estavam em Durolar.
Mas por que?
Este é um ponto que revelarei mais tarde no Manifesto. Por enquanto, deve bastar saber que Melisandre queria ver ou ouvir o conteúdo dessa carta.

VERNÁCULO SELVAGEM

Nas próximas duas seções, demonstrarei por que a Carta Rosa foi escrita por Mance. Esta primeira seção consiste em detalhes o que vemos no texto, a linguagem usada e assim por diante.
Em particular, existem frases que são bastante específicas para Mance (ou que excluem Ramsay), e também detalhes que são específicos para a conspiração Mance-Melisandre.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

“Falso Rei”

Esta frase é especificamente o que Melisandre usa para se referir a Mance Rayder, ela o chama de falso rei duas vezes. Quase não aparece em nenhum outro lugar em A Dança dos Dragões , a exceção sendo uma instância onde Wyman Manderly declara Stannis um falso rei.

“Corvos Negros”

Os selvagens são as únicas pessoas que usam os termos corvo ou corvo negro em um sentido depreciativo.
A única exceção a isso é Jon Snow (o que é interessante), quando ele está tentando convencer o povo livre.

“Princesa Selvagem” e “Pequeno Príncipe”

O termo princesa selvagem abunda na Muralha, uma invenção dos irmãos negros que então se espalhou entre os homens da rainha.
O pequeno príncipe foi especificamente apresentado na Muralha, primeiro por Melisandre e depois por Goiva:
Melisandre tocou o rubi em seu pescoço. – Goiva está amamentando o filho de Dalla, além do seu próprio. Parece cruel separar nosso pequeno príncipe de seu irmão de leite, senhor.
(ADWD, Jon I)
Faça o mesmo, senhor. – Goiva não parecia ter nenhuma pressa em subir na carroça. – Faça o mesmo pelo outro. Encontre uma ama de leite para ele, como disse que faria. Prometeu-me isso. O menino... o menino de Dalla... o principezinho, quero dizer... encontre uma boa mulher pra ele, pra que ele cresça grande e forte.
(ADWD, Jon II)
Embora uma pessoa possa pensar que Melisandre está sugerindo de maneira sutil que sabe sobre a troca do bebê, isso não fica claro. O trecho sobre Goiva certamente deixa isso explícito.
O verdadeiro ponto aqui é que a terminologia aqui só foi vista antes na Muralha. Além disso, uma vez que nem Val nem o filho de Mance são verdadeiramente da realeza, não faz muito sentido que Mance ou qualquer uma das esposas de lança digam que são, mesmo que sob tortura.

Para que todo o Norte possa ver

O autor afirma que tem Mance Rayder em uma jaula para que todo o Norte possa ver.
Mance disse algo muito semelhante a Jon anteriormente:
Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)

INCLINAÇÃO PARA A SAGACIDADE

Além dos vários atributos já citados que favorecem Mance como autor, há um que se sobressai a todos:

Disfarçado de Camisa de Chocalho

Observe:
Vou patrulhar para você, bastardo – Camisa de Chocalho declarou. – Darei conselhos sábios, ou cantarei canções bonitas, o que preferir. Até lutarei por você. Só não me peça para usar esse seu manto.
(ADWD, Jon IV)
É muito difícil negar que esta não seria uma grande alusão ao próprio Mance em quase todos os detalhes. É tão certeiro que estou surpreso de que Melisandre ou Stannis não o tenham repreendido ou o mandado calar a boca.
Stannis queimou o homem errado.
Não. – O selvagem sorriu para ele com a boca cheia de dentes marrons e quebrados. – Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)
Esta é uma maneira inteligente de sugerir que Stannis queimou o Camisa de Chocalho verdadeiro no lugar de Mance, apenas porque o mundo precisava ver Mance morrer, não porque os crimes de Mance justificassem a execução.
Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Como observei em outro ponto do texto, muito provavelmente se esperava que Mance subisse aos aposentos de Jon e lesse suas cartas, se assim fosse necessário para descobrir o local do casamento. Portanto, esta passagem parece ser uma dica engraçada de que ele pode ter estado nos aposentos de Jon, sem nunca tê-lo matado.

Disfarçado de Abel

O apelido de Mance por si só é uma pista inteligente, mas ele dá um passo além em muitos aspectos ao se passar por Abel.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Aparentemente, muito pouco se sabe sobre a música. No entanto, um exame cuidadoso de um capítulo em A Tormenta de Espadas revela o primeiro verso da música (pelo menos na minha opinião):
– Vou à Vila Gaivota ver a bela donzela, ei-ou, ei-ou...
Co’a ponta da espada roubarei um beijo dela, ei-ou, ei-ou.
Será o meu amor, descansando sob a tela, ei-ou, ei-ou.
(ASOS, Arya II)
Uma escolha de música inteligente considerando sua inspiração em Bael, o lendário ladrão de filhas que se escondeu nas criptas Stark.
O mesmo poderia ser dito sobre a deturpação de “A Mulher do Dornês” quando ele mudou a letra para ser sobre a “filha de um nortenho”.
Além disso, há ocasiões em que ele toca uma música “triste e suave”, que já demonstrei ser um sinal para as esposas de lança.

UMA TRADUÇÃO LINHA-A-LINHA

Essa é a parte essencial do texto. Vou percorrer toda a Carta Rosa e explicar o que ela realmente diz. Lembre-se de que você deve ter chegado a este ponto no Manifesto tendo lido os textos anteriores, o que significaria que você já assumiu as seguintes premissas (ou pelo menos suspendeu sua descrença sobre elas):
Há apenas uma nova suposição que eu gostaria de fazer, uma bem sensata:
Mance saber esse único detalhe fornece uma pista impressionante para decifrar a Carta Rosa.
Agora vamos lá...

Primeiro parágrafo

Seu falso rei está morto, bastardo.
Isso significa que Stannis fingiu sua morte.
Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha.
Isso diz mais ou menos a mesma coisa. Eu acredito que diz ainda mais, mas vou guardar para mais tarde.
Estou com a espada mágica dele.
Como parte da simulação de sua morte, a Luminífera de Stannis será levada para "Ramsay". Isso permite que os Boltons concluam que Stannis está morto, apesar haver uma quantidade limitada de outras evidências sobre isso.
Conte isso para a puta vermelha.
Literalmente, isso está instruindo Jon a contar a Melisandre. É muito interessante que Melisandre tenha implorado a Jon para 'envia-a para mim' depois de ler a carta, e o autor da carta está sugerindo exatamente a mesma coisa.
Coletivamente, o primeiro parágrafo parece um resumo dos principais detalhes: está dizendo que Stannis fingiu sua morte, provavelmente ganhou a batalha, mas que os Boltons estão convencidos da própria vitória. É muita informação de inteligência transmitida em um único parágrafo.
A linha sobre a espada é o que eu acredito ser um sinal a Melisandre para que começasse quaisquer próximos passos que ela tenha em mente (que serão discutidos posteriormente neste Manifesto).

Segundo parágrafo

Os amigos do seu falso rei estão mortos.
Isso significa que os aliados de Stannis também estão fingindo morte. Muito provavelmente, isso significa as tropas daqueles que viajam com Stannis. Por exemplo, Mors Papa-Corvos e seu bando de meninos verdes.
Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell.
Usar 'sobre' no sentido de estar perto de algo, isso significa que Mors está nas redondezas de Winterfell.
Venha vê-los, bastardo.
Esta é uma das várias provocações da carta, embora implique que Jon deveria viajar para Winterfell.
Seu falso rei mentiu, e você também. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha.
[na versão brasileira, a frase começa com “Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você”, uma tradução errada do texto original]
Este é o início do anúncio de que Mance Rayder está vivo. A parte em que o autor diz 'Você disse ao mundo' é muito semelhante ao que Mance disse a Jon: “Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.” (ADWD, Jon VI)
Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Isso informa Jon e Melisandre que Mance terminou em Winterfell. Isso é importante porque, se você se lembra, Mance partiu originalmente para Vila Acidentada. Esta linha, portanto, confirma para onde Mance foi. Também revela que o autor conhecia a missão de Mance.
No todo, o parágrafo parece sugerir que Jon ou alguém precisa se juntar a Mors do lado de fora de Winterfell.
Este parágrafo declara ainda que Jon quebrou seus votos ajudando Stannis e Mance na tentativa de roubar Arya Stark. Isso é interessante porque Jon de fato não queria fazer isso, ele apenas queria resgatar Arya na estrada, presumindo que ela já tivesse escapado. O fato de a carta declarar esses detalhes mostra um esforço calculado para minar a honra e a legitimidade de Jon.

Terceiro parágrafo

Terei minha noiva de volta.
Isso nos diz claramente que “Arya” foi resgatada.
Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras.
Isso requer uma perspicaz (porém, simples) interpretação da falsa execução do próprio Mance.
Se assumirmos que minha teoria no Confronto nas Criptas está correta, duas observações podem ser feitas:
O acréscimo de ' prova de suas mentiras ' indica que Ramsay não está sob a magia de disfarce e, portanto, caso ele seja encontrado, isso arruinaria o truque.
Tudo isso somado, a implicação da frase dupla:
A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Esta é uma referência à maneira como Melisandre disse que as seduções [glamors] funcionam: vestindo-se a sombra de outra pessoa como capa. Também parece uma possível alusão a usar a pele de outra pessoa, de acordo com o conto de Bael, o Bardo.
Na íntegra, o terceiro parágrafo parece deixar uma mensagem de que Mance conseguiu se disfarçar de Ramsay, que Ramsay está vivo como um prisioneiro nas criptas e que ninguém parece saber disso. Também pode significar que nenhuma das esposas de lança traiu seu segredo.

Quarto parágrafo

Ao contrário dos parágrafos anteriores, acredito que o quarto parágrafo é direcionado diretamente a Jon Snow. Melisandre pode saber o segredo por trás de seu conteúdo, mas este parágrafo foi elaborado para ter um efeito específico sobre Lorde Snow.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor.
Essas frases apresentam uma lista de demandas, muitas das quais Jon não tem capacidade de cumprir. Ele não tem permissão para enviar Selyse, Shireen, Melisandre, Val ou o filho de Mance para Winterfell.
Além disso, ele não tem ideia de quem é Fedor.
E independentemente da identidade de Ramsay (o real ou o disfarçado), ambos saberiam que Jon não tem ideia de quem é Fedor.
Esses pedidos colocaram Jon em uma posição tênue. A carta declara abertamente que Jon violou seus juramentos à Patrulha da Noite, participou de uma mentira quando colaborou para resgatar Arya usando Mance, o que também beneficiou a causa de Stannis.
Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Esta ameaça sugere fortemente que Jon precisa cooperar ou ele será atacado. Considerando que os Boltons são aliados dos Lannisters, é razoável concluir que os Boltons também usariam a oportunidade para destruir as forças de Stannis em Castelo Negro e fazer muitos reféns.
A carta deixa claro: o envolvimento de Jon com Mance e Stannis resultou em uma ameaça à Muralha, à Patrulha da Noite e à família de Stannis e ao assento de poder.
Jon é então forçado a um dilema:
Em ambos os casos, ele está ferrado e proscrito como um violador de juramentos.
Então, por que Mance enviaria uma linguagem tão provocativa para Jon e Melisandre?
A resposta deriva de vários fatos, alguns dos quais serão discutidos posteriormente no Manifesto. Mas a resposta simples é esta:
O que posso dizer neste momento é que Mance, Melisandre e Stannis sabem que Jon estava disposto a violar seus votos quando era necessário servir à Patrulha da Noite (e por extensão aos sete reinos).
Forçando Jon a se tornar um violador de juramentos, Melisandre e Stannis são capazes de usá-lo de outras maneiras, particularmente de maneiras que não envolvem sua permanência na Patrulha.
Com que propósito Stannis e Melisandre usariam Jon Snow, o violador de juramentos?
Infelizmente para Jon, ele mesmo forneceu a Stannis o motivo para 'roubá-lo' da Patrulha da Noite.
Explicar melhor isso é um dos pontos principais do Volume III do Manifesto.

CONCLUSÕES

A carta como um todo parece ser coerente com as teorias que descrevi até agora, particularmente com o resultado do ‘confronto nas criptas’.
Como discuto nos apêndices, também é coerente com algumas interpretações reveladoras das visões de Melisandre.
Obviamente Melisandre acreditava que a Carta Rosa responderia às perguntas de Jon sobre Stannis, Arya e Mance, e a carta o fez. Ela pensou que isso o obrigaria a confiar nela.
Embora a Carta Rosa tenha respondido suas perguntas, ele ignorou tanto a carta quanto Melisandre quando se recusou a procurá-la e agiu por conta própria. Acredito que isso se deva em grande parte ao fato de ele não perceber que havia segredos no texto; ele entendeu a carta pelo significado literal.
Existem algumas grandes questões que permanecem abertas:
Além disso, parece que Melisandre queria um ou ambos das seguintes coisas:

IMPLICAÇÕES

As perguntas e conclusões que podemos fazer parecem sugerir que chegamos a um beco sem saída. De fato, se continuarmos a tentar entender as coisas pelo ângulo de Mance Rayder, será.
Se dermos um passo para trás e começarmos a investigar algumas das outras pistas, preocupações e mistérios em A Dança dos Dragões, surgem novas ideias que nos levam de volta a Mance e Stannis.
Para aguçar seu apetite, aqui estão as questões importantes, antes de avançarmos para o próximo volume do Manifesto:
Essas e outras perguntas são respondidas no próximo volume do Manifesto, ‘O Reino irá Tremer’.
E, finalmente, para terminar com algum floreio, aqui está uma passagem de A Dança dos Dragões:
O Donzela Tímida movia-se pela neblina como um homem cego tateando seu caminho em um salão desconhecido.
(ADWD, Tyrion V)
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2020.09.24 05:02 DrackNael Capítulo 1 Deixando o filho seguro

Deixando o filho seguro

Ano 441 da terceira era
Em algum lugar na terra
Uma grande tempestade assola um mosteiro em uma ilha no centro de um grande lago.
A silhueta escura de um homem aparece no pequeno celeiro que fica ao lado da única construção do local , parece segurar algo como um bebe em seus braços, enrolado em uma pequena manta de cor bordo , o bebe não aparenta ter mais que algumas semanas de vida
- sinto muito meu pequeno , gostaria de ver o homem que você se tornará -, sussurra o homem enquanto continua.
- trouxe você para longe, nesse mundo estará em segurança , mas nunca se esqueça você nasceu para ser um rei, que a luz esteja com você -, diz o homem beijando a testa da criança enquanto a coloca no canto em cima de um pouco de feno onde estará quente e segura até ser achada.
Mas, ao mesmo tempo ele sente a presença de algumas figuras atrás dele enquanto se vira lentamente.
- Não achei que demorariam tanto, pelo visto não são tão especiais quanto achavam -, diz enquanto observa serem 8 homens.
Todos com uma sombra negra em volta dos olhos, eles usavam um manto negro como a noite com um símbolo estampado na frente, todos pareciam portar as mesmas adagas emitindo uma aura negra de suas lâminas.
-As últimas palavras de um rei morto -, esbraveja um deles
- Veio longe de mais para esconder uma criança que já está morta -, fala outro
Um pequeno sorriso surge no canto esquerdo do rosto do homem aparentemente aquelas palavras não o colocaram medo muito menos desespero.
Mas ele sente uma fisgada em seu estomago , coloca a mão e vê um pouco de sangue nela , aparentemente tinha se esquecido que já tinha sido ferido um pouco antes.
-Coloquem-se no seu lugar lacaios logo mandarei vocês para o seu criador -, fala o homem disparando velozmente para cima dos dois primeiros que estavam mais próximos, mesmo ferido não parecia ser afetado por nenhum tipo de restrição para se movimentar.
Com uma disparada rápida acerta o estomago em cheio do primeiro com um soco o deixando sem ar , enquanto o segundo tenta uma estocada com a adaga indo bem no meio do seu rosto , mas com um movimento rápido o homem apenas desvia a arma com um sutil toque ao lado da mão do homem onde a desvia indo direto do lado do crânio do que estava encurvado sem ar.
Então sutilmente o homem coloca um dedo do lado da cabeça do homem e dispara um feixe de luz que atravessa seu crânio, caindo já sem vida.
Em questão de segundos os dois estão mortos.
Mas os outros não ficam apavorados algo diz que eles já esperavam que seu oponente não iria se entregar tão facilmente.
Então os seis avançam juntos para não dar chance alguma para o homem reagir , obviamente um movimento inteligente , mas parece que seu oponente não era qualquer um.
Com um movimento o homem conjura uma grande espada em suas costas já a sacando ao mesmo.
Com um movimento ele brande sua grande espada.
-LIGHT SLICER -, conjura ele .
Disparando uma habilidade horizontal cortante partindo os 6 homens no meio ao mesmo tempo.
-Não é uma cena muito bonita para um mosteiro -, pensa o homem.
Antes de partir o homem junta todos os corpos e com um simples movimento da sua mão evapora os corpos , pois afinal não podia deixar uma chacina para aqueles que achassem a criança.
Então com um movimento rápido o homem desaparece , deixando apenas brevemente um feixe de luz.
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2020.08.26 14:17 Fernando1dois3 Duas pessoas são mortas a tiros em 3ª noite de protestos antirracismo em cidade americana

Duas pessoas são mortas a tiros em 3ª noite de protestos antirracismo em cidade americana Atos em Kenosha ocorrem em resposta a ação policial que baleou homem negro pelas costas https://www1.folha.uol.com.b/mundo/2020/08/duas-pessoas-sao-mortas-a-tiros-em-3a-noite-de-protestos-antirracismo-em-cidade-americana.shtml
Kenosha (EUA) Reuters e AFP Ao menos três pessoas foram baleadas, e duas delas morreram, durante uma noite de caos na cidade de Kenosha, no norte dos Estados Unidos, em meio a protestos pelo fim da violência policial e do racismo.
A cidade teve a terceira noite seguida de atos nesta terça (25), após Jacob Blake, um homem negro, ser baleado pelas costas por agentes brancos durante uma abordagem policial no domingo (23).
Blake, 29, sobreviveu, mas ficou paralisado da cintura para baixo, segundo o pai. Ele segue internado.
Na noite de terça, os manifestantes se reuniram perto do tribunal da cidade, onde foi erguida uma barreira de metal para proteger o prédio, e atiraram pedras, fogos de artifício e garrafas de água contra os policiais.
Os guardas, por sua vez, lançaram bombas de gás e balas de borracha para dispersar a multidão, que seguiu nas ruas mesmo após o toque de recolher determinado pelo governador, a partir das 20h.
Após os policiais expulsarem os manifestantes dos arredores do tribunal, os confrontos se espalharam pelas ruas. Em um posto de gasolina, um grupo de civis armados que protegia o local de possíveis ataques passou a xingar os ativistas que passavam. Houve discussões, e a tensão cresceu. Depois da meia-noite, tiros disparados perto do posto deixaram dois mortos e um ferido.
O xerife David Beth disse que a polícia investiga o ocorrido a partir de videos gravados no local. Em uma das cenas, uma pequena multidão tenta pegar um homem que, com um rifle, teria atirado em outra pessoa. Ele então faz disparos à queima roupa contra seus perseguidores.
"Há pessoas que dizem: 'Por que você não dá poderes aos cidadãos para agir como polícia?'. Está aí por que você não dá poderes a cidadãos com armas para defender Kenosha", comentou a moradora Beth, segundo o New York Times. Grupos de homens armados, geralmente brancos, circulam com rifles pela cidade para defender os comércios de saques e incêndios intencionais. Diversos prédios e carros na cidade foram queimados nos últimos dias.
Também houve atos antirracismo e confrontos com a polícia em Portland, no Oregon, e em Louisville, no Kentucky. Em Louisville, mais de 60 pessoas foram presas em uma marcha que lembrava o caso de Breonna Taylor, uma mulher negra morta dentro de casa durante uma operação policial, em março.
Ativistas ligados ao movimento Black Lives Matter (vidas negras importam) pedem que os agentes envolvidos no caso sejam demitidos e presos. Até agora, eles foram apenas afastados de suas funções, e a polícia ainda não explicou por que Blake, que tentava separar uma briga entre duas mulheres, foi atingido por quatro tiros em frente a seus filhos de 3, 5 e 8 anos.
Em reação aos confrontos, o governador de Wisconsin, o democrata Tony Evers, declarou estado de emergência na terça (25) e anunciou o envio de mais tropas da Guarda Nacional para a cidade.
A mãe de Blake, Julia Jackson, disse na terça que é contra protestos violentos em defesa de seu filho. "Eu vejo muitos danos. Isso não reflete meu filho ou minha família."
A ação na qual Blake foi baleado ocorreu no domingo (23). Um vídeo que circula nas redes sociais mostra ele andando até o assento do motorista de um veículo SUV, parado na rua, seguido por dois policiais que apontam armas para suas costas. Ele, que aparenta estar desarmado, abre a porta do carro com os agentes atrás dele, e os tiros são disparados à queima-roupa. É possível ouvir sete disparos.
ATENÇÃO: O VÍDEO A SEGUIR CONTÉM IMAGENS FORTES
De acordo com advogados da família, Blake sofreu perfurações no estômago e precisou retirar quase todo o cólon e o intestino delgado. Também sofreu danos no rim e no fígado, além de um dos disparos ter atingido o braço.
O caso é mais um a provocar protestos contra a brutalidade e o racismo da polícia desde o assassinato, em 25 de maio, de George Floyd, um homem negro, em Minneapolis. Floyd foi sufocado por um policial branco que pressionou o pescoço da vítima por quase nove minutos com o joelho.
A morte do ex-segurança gerou uma onda de atos que se espalhou por dezenas de cidades dos EUA e outras partes do mundo. Floyd foi lembrado em manifestações na África, na Ásia, na Europa e no Brasil.
Os protestos antirracismo são um dos temas da campanha eleitoral nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump, que busca a reeleição, tem buscado ressaltar a destruição ocorrida em algumas das manifestações e se colocar como um defensor da lei e da ordem. Seu rival, Joe Biden, tem dado apoio aos protestos e defendido mudanças para combater a violência policial contra os negros.
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2020.08.22 03:24 frdnt A estrada para a Vila Acidentada

O texto abaixo é uma tradução de um artigo originalmente publicado no blog de Cantuse. Ele é o 9º texto de uma série de teorias que ele chama de “O Manifesto”.
O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO I
O volume anterior [deste manifesto] não mediu esforços para estabelecer que Stannis, Melisandre e Mance conspiraram para resgatar Arya Stark.
Os detalhes desse resgate foram, até agora, vagos. O Volume II do Mannifesto visa detalhar precisamente a totalidade das jornadas de Mance ao longo de A Dança dos Dragões e além.
Sabemos que Mance primeiro deixou Jon com o objetivo declarado de resgatar Arya Stark. No entanto, o Volume I mostrou com detalhes meticulosos que o resgate também era necessário para ajudar Stannis.
Após o último encontro de Jon com Mance no capítulo de Melisandre, não o vemos novamente até o capítulo O Príncipe de Winterfell no castelo dos Stark.
O que aconteceu entre esses dois períodos?
Responder a esta pergunta requer uma análise detalhada das razões para Mance estar em Castelo Negro e qual era seu objetivo imediato ao partir. Para esses fins, este verbete do Manifesto afirma os seguintes pontos:
DEIXADO PARA TRÁS
Em Jon IV de A Dança dos Dragões, Stannis declara que está dando Camisa de Chocalho a Jon Snow. Por quê?
Afinal, Jon imediatamente declara que não tem uso para Camisa de Chocalho alegando que ele os trairá e retornará aos selvagens ou que outros membros da Patrulha da Noite irão matá-lo.
Mesmo assim, Stannis não muda de postura e deixa Camisa de Chocalho com Jon.
Por mais enigmático que pareça, explicar as razões para deixar Camisa de Chocalho em Castelo Negro é surpreendentemente simples - principalmente quando você compreende que Mance e Stannis conspiraram juntos.
A grande questão
Há uma grande questão que paira sobre tudo até agora dito em relação a Mance e Stannis:
Por que Stannis intencionalmente deixou Mance para trás?
Já mostrei que o plano quase certamente consistia em Mance se infiltrar no casamento e sequestrar Arya. Mas isso por si só não requer que Mance permaneça em Castelo Negro. Ele poderia ir para qualquer lugar, até mesmo com o próprio Stannis, se desejasse.
Qual foi então a razão para deixar Mance em Castelo Negro?
Outro Enigma
Antes de Stannis deixar Castelo Negro, ele tinha planejado originalmente levar os Thenns com ele. Eles deveriam ser sua vanguarda.
No entanto, Jon convence Stannis a deixá-los para trás.
Mais tarde descobrimos que os Thenns foram subsequentemente movidos para Vila Toupeira junto com todos os outros selvagens (ADWD, Jon V). Na verdade, eles foram rebaixados a serem iguais a estes colegas.
O que levanta questões importantes:
Por que Camisa de Chocalho não foi rebaixado da mesma forma?
Por que ele foi especificamente dado a Jon, como uma sumidade única entre os selvagens?
Quando você pensa sobre isso, parece que Stannis quer que Mance esteja o mais próximo possível de Jon.
Antes do Anúncio
Dado que Melisandre teve sua visão da garota cinza antes de Stannis partir para Bosque Profundo, isso significa que os conspiradores (Melisandre, Mance e Stannis) sabiam sobre o casamento antes mesmo de os anúncios terem sido enviados.
NOTA: Alternativamente, eles poderiam ter ficado sabendo através do serviço de “inteligência” de Arnolf Karstark.
Agora, aqui está o detalhe importante: eles não sabiam onde o casamento seria realizado.

As hipóteses

Isso nos traz às minhas hipóteses:
  1. Mance foi deixado para trás porque o local do casamento não fora confirmado ou era desconhecido.
  2. Arranjos foram feitos para que Mance fosse rapidamente informado do local do casamento assim que fosse conhecido.
Isso é bastante convincente quando você pensa a respeito. Mance precisaria estar em um lugar que pudesse receber mensagens para saber o local do casamento. Se ele estivesse viajando com um exército, não teria sido capaz de obter essa informação em tempo hábil.
Além disso, permite que ele viaje como uma 'unidade' à parte dos exércitos de Stannis.
Claro, essa hipótese não seria nada sem evidências e raciocínio válido.
O LOCAL É A CHAVE
A descoberta do local do casamento é simples. Explicar alguns dos detalhes do pano de fundo não é.
Pressão do Grupo
Pra começar, Jon recebe um 'anúncio de casamento' de Ramsay (ADWD, Jon VI) . Ele lê na presença de Mance (disfarçado de Camisa de Chocalho) e até lê o conteúdo em voz alta. Ele diz especificamente que o casamento será em Vila Acidentada.
Jon não conta a ninguém sobre esta carta ou seu conteúdo, mas Melisandre o confronta naquela mesma noite, tentando obter sua permissão para 'salvar sua irmã'. Só podemos supor que Mance contou a ela sobre a carta e foi isso que a levou a se aproximar, principalmente quando você nota que Melisandre não falava em privado com Jon desde o início do livro.
A observação é clara:
Já posso ouvir suas perguntas e objeções:
Não é um tanto presunçoso pensar que Mance iria apenas coincidentemente descobrir a localização do casamento ao ouvi-lo por acaso de Jon?
Parece improvável ou ao menos pouco seguro supor que um 'convite de casamento' seria enviado a Castelo Negro.
* * *
Escalando janelas
Tenho certeza de que Mance descobriria o local do casamento pelas cartas de Jon de uma forma ou de outra.
Acredito que ele planejava descobrir o local do casamento escalando os aposentos de Jon e lendo as cartas deixadas em sua mesa. Foi um acaso Mance ter ouvido Jon lendo a carta.
Mance até sugere isso de uma forma indireta:
– Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Ele basicamente diz que se ele escalasse a janela de Jon não seria para matá-lo.
* * *
É claro que isso não é uma prova concreta. Mas lembre-se de que as evidências até agora indicam fortemente que Mance, Melisandre e Stannis estavam em conluio. É quase óbvio que a carta de Jon foi o que motivou a “missão” de Melisandre e Mance.
Se Jon não tivesse lido a carta em voz alta, Mance teria sido obrigado a lê-la por algum outro meio . E a única maneira viável de fazer isso seria subir em sua janela.

UM CONVITE IMPROVÁVEL

Como demonstrei, a ideia de que Mance pudesse esperar por um convite (ou similar) contendo o local do casamento parece carregada de incerteza.
Abordei a logística de como Mance ficaria sabendo do local do casamento. Mas depende da certeza de que Jon receberia um convite em primeiro lugar: uma suposição bastante duvidosa.
Por que os Boltons enviariam um convite para Jon?
Por que Stannis, Mance e os demais estariam tão certos de que Jon receberia um?
Isso não faz sentido
Quando você pensa sobre isso, realmente não faz sentido enviar um convite para o casamento a Jon:
No entanto, apesar de todos os motivos para não fazê-lo, Jon recebe um convite.
Por quê?
O convite de Jon nem mesmo faz sentido por causa de uma passagem específica nele:
Jon não viu motivo para não contar.
– Fosso Cailin caiu. Os cadáveres esfolados dos homens de ferro foram pregados em postes ao longo da estrada do rei. Roose Bolton convoca todos os senhores leais para Vila Acidentada, para confirmar a lealdade ao Trono de Ferro e celebrar o casamento de seu filho com... – seu coração pareceu parar por um momento.
(ADWD, Jon VI)
Jon não é um lorde (sim, ele é Lorde Comandante, mas não é a mesma coisa), nem sua lealdade é relevante para seu trabalho.
Caro Senhor ou Dama
Se você der um passo para trás e refletir bem, a carta parece que poderia ter sido endereçada a outra pessoa.
Além disso, a carta foi escrita com sangue, e o sangue está descascando:
A tinta marrom se desfez em pedaços quando Jon passou o polegar sobre ela.
(ADWD, Jon VI)
Asha recebe uma carta semelhante, também escrita com sangue. O sangue não está descascando no dela.
Isso sugere que a carta de Jon talvez seja mais antiga.
Isso nos leva à minha teoria:
Mors Crowfood encaminhou seu convite para Jon.
Está claro tanto em A Dança dos Dragões quanto nos capítulos liberados de Os Ventos do Inverno que Mors estava conspirando com Mance em Winterfell. Eu exploro e sintetizo o relacionamento deles no próximo ensaio, Uma Aliança de Gigantes e Reis.
Mors estava aparentemente tão envolvido na missão de Mance quanto qualquer outra pessoa.
Faz sentido que ele encaminhe seu convite com base no fato de que ele sabe que é o que Mance precisa.
Nenhuma outra explicação viável parece estar disponível, pelo menos nenhuma que faça tanto sentido.
Tendo explicado a logística por trás do que desencadeou a missão de Mance, podemos passar aos detalhes da jornada de Mance a Vila Acidentada.

O BARDO DE VILA ACIDENTADA

O convite de casamento original recebido por Jon indicava que o casamento seria em Vila Acidentada, mas não vemos Mance / Abel até que Theon chegue em Winterfell.
Então o que aconteceu?
Mance viajou diretamente para Winterfell? Ou para Vila Acidentada*?*
Colocando de forma clara, Mance viajou primeiro para Vila Acidentada. Isso não é apenas coerente com a teoria montada até agora, mas dá sentido a algumas coisas.
Cavalos Velozes
Primeiro, Mance pede especificamente bons cavalos:
– Precisarei de cavalos. Meia dúzia dos bons. E isso não é algo que eu possa fazer sozinho. Algumas das esposas de lança encurraladas na Vila Toupeira devem servir. Mulheres podem ser melhores para isso. A garota vai confiar mais nelas, e elas me ajudarão com certo estratagema que tenho em mente.
(ADWD, Melisandre)
Ele poderia ter pedido simplesmente cavalos sem precisar esclarecer os que são bons. Essa pequena adição implica que ele planeja uma cavalgada com afinco.
Uma janela de oportunidade
Em segundo lugar, há uma quantidade considerável de tempo disponível para Mance e suas esposas fazerem a viagem:
Os homens haviam estado dezesseis dias na caçada […].
(ADWD, Fedor III)
Isso se refere à quantidade de tempo que Ramsay gastou rastreando os Freys desaparecidos. Isso significa que os convites já foram enviados há algum tempo. Havia três semanas ou mais para Mance fazer a viagem.
Uma pista sutil
Por todas as aparências externas, no entanto, não há evidências de que Mance realmente tenha chegado a Vila Acidentada.
Ou será que existe?
Há um trecho sutil e facilmente esquecido que poderia ser o murmúrio de uma pista. Quando Theon e Roose Bolton estão cavalgando por Vila Acidentada, Theon faz a seguinte observação:
Passaram por um estábulo e por uma pousada fechada, com um feixe de trigo pintado na placa. Fedor ouviu música através das janelas.
(ADWD, Fedor III)
Esta é uma pousada entre o salão de Harwood Stout e o da Senhora Dustin em Vila Acidentada. A música indica que algum menestrel ou trupe de menestréis deve estar tocando. Não há indicação de que haja homens Frey ou Manderly na vila (provavelmente acampados fora do perímetro da vila). Em qualquer caso, este é o tipo de pousada que você suspeitaria que os viajantes frequentassem. Além disso, os estábulos também são atraentes, visto que Mance estava viajando a cavalo.
Uma vez que sabemos que Mance partiu para Vila Acidentada e sabemos que ele teve tempo suficiente para fazer a viagem, devemos concluir que ele está em algum lugar por lá. Para ele em particular, faz bastante sentido chegar cedo por vários motivos:
Deve-se observar que, mesmo que você discorde que a citação significa que Mance está naquela taverna, temos todos os motivos para acreditar que Mance teria visitado Vila Acidentada. E com isso em mente, suas opções ainda seriam as mesmas descritas aqui.

COLETA DE INFORMAÇÕES

Observando o conhecimento a que Mance está exposto em Vila Acidentada, devemos ser capazes de estimar que tipo de conhecimento ou inteligência ele pode ter reunido.
Despensa Stout
Bem, uma coisa que quase certamente pode haver rumores em Vila Acidentada é que Harwood Stout está ficando sem comida por causa da gula de Ramsay. O texto ainda aponta que esses fatos estão sendo revelados pelos próprios servos de Stout:
Seu anfitrião, um grisalho senhor menor de um braço só, chamado Harwood Stout, sabia que era melhor não negar seu pedido, embora suas despensas devessem estar bem perto de se esvaziar. Fedor ouvira os servos de Stout murmurando sobre como o Bastardo e seus homens estavam comendo todo o estoque de inverno.
– Ele vai se casar com a filhinha de Lorde Eddard, dizem – a cozinheira de Stout reclamou, sem perceber que Fedor estava ouvindo –, mas é a gente que ele vai foder quando a neve começar, escrevam minhas palavras.
(ADWD, Fedor III)
Portanto, isso indicaria que Stout está ciente de um futuro sombrio para sua casa, sua família, seu povo - a menos que ele possa encontrar reabastecimento em algum lugar. Sabemos que Ramsay tem abusado de seu anfitrião de outras maneiras, como permitir que seus cães matem os cães de Stout. É muito provável que Stout odeie Ramsay.
O valor de tal inteligência não é claro, mas ainda é uma parcela de conhecimento que pode ser útil mais tarde.
Ódio de Dustin
O simples fato de que Ramsay está hospedado no salão de Stout já revela muito sobre política. Lembre-se de que Mance estava presente no conselho de guerra de Stannis (ADWD, Jon IV), onde Jon apontou que os Dustins e Ryswells estavam ligados aos Boltons pelo casamento.
A observação de que Ramsay não é bem-vindo no salão da Senhora Dustin sugere fortemente que sua lealdade a Roose Bolton não se estende ao próprio Ramsay. Outro fato útil.
Os Freys Desaparecidos
Ramsay diz que perguntou sobre os Freys desaparecidos em cada aldeia e fortaleza que eles encontraram.
Seria razoável que Mance soubesse disso no caminho para Vila Acidentada, ou que o boato estivesse circulando quando ele chegou à pousada em Vila Acidentada.
***
Como você pode ver, isso dá a Mance uma vantagem em diferentes maneiras de explorar as várias tensões dentro das forças de Bolton.
Em particular, ele sabe que os Freys e Manderlys têm objetivos opostos, e que Stout e Dustin desprezam Ramsay.

CONCLUSÕES

Sabemos que o casamento de Ramsay foi transferido para Winterfell. Também sabemos que Mance também foi para Winterfell e se infiltrou se passando por um trovador viajante e sua “família".
No entanto, este olhar sobre as atividades de Mance em Vila Acidentada mostra que ele teve uma compreensão muito boa da dinâmica da política em jogo antes mesmo de chegar, conhecendo como colocar as casas umas contra as outras.
Também é possível (mas não confirmado) que Mance pode até mesmo ter feito um acordo com um dos senhores presentes em Vila Acidentada naquela época.
***
Esta entrada no Mannifesto nos diz tudo o que acontece a Mance antes de chegar a Winterfell, exceto por uma questão gritante:
Mance encontrou Mors “Crowfood” Umber em seu caminho até Vila Acidentada
O encontro desses dois idealizadores é fundamental para os planos de Mance em Winterfell. A razão de eu atrasar a discussão sobre Mors Crowfood é porque é mais fácil entender os argumentos que vou apresentar se eu os relacionar aos vários eventos em Winterfell ocorridos depois da chegada de Mance.
Para continuar lendo o Manifesto e aprender sobre a relação entre Mance e Mors, vá para Uma Aliança de Gigantes e Reis.
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2020.07.14 16:30 galoccego Relato de um ex-barman

ESSE RELATO NÃO É MEU, ENCONTREI NO FACE E COMO ACHEI MUITO INTERESSANTE DECIDI TRAZER PARA O REDDIT.
Relato da internet: Parte 1 Já trabalhei como barman e observando bastante a vida dos que estavam do outro lado do balcão, tudo o que já falaram é verdade.
Entradas para as mulheres são sempre cortesias. Os homens pagam caro. E não se enganem achando que as mulheres não pagam a entrada, quem paga são os homens. Se a entrada na noite custa R$ 30,00 pra um homem, a verdade é que é R$ 15,00 masc(a dele). e R$ 15,00 femin(de alguma menina que entrou "free"). Os donos de bares jamais levam prejuízos e nada é de graça. No bar que eu trabalhava, o dono fazia "descontos" para os amigos, e usava esse argumento.
Nos bares sempre tem as bebidas originais bem guardadas, que são destinadas aos Vips. Geralmente, os alfa$. Os ricos chegam, as bebidas de qualidade vão todos para eles, e pegam mulher com o rodo. Já os pobres coitados que não são ricos, consomem bebidas falsificadas e não pegam ninguém.
Nesses lugares, o que mais vi mandar em tudo é o dinheiro. Quanto mais rico o cara for, mais mulher ele consegue. E nunca vi um alfa físico sair ganhando de um rico. A ordem de prevalências pelo que já constatei é:
  1. Ricos.
  2. Caras que tem o shape massa.
O resto nem entra, porque gordos, magrelos, baixos, pobres, etc, só levam prejuízo na balada. Prejuízo financeiro e EMOCIONAL. Quando conseguem alguma coisa, é no final da noite com alguma feínha que foi rejeitada pelos alfas. Quando a balada está terminando, e aquelas meninas que foram rejeitadas pelos alfas estão voltando para casa chateadas com a vida, é onde os zé ninguéns conseguem alguém. A única chance para o cara mediano na balada conseguir alguma coisa, é no fim dela. Pois mesmo uma vilena numa balada se sente uma rainha, e despreza todo mundo, com um ego gigantesco. Elas fazem isso porque se acham dignas apenas dos alfas. Mas quando os alfas as dispensam e a rejeitam porque acharam outra mulher mais atraente, é um tiro bem no meio do ego dela, pois ela passou a festa inteira dispensando os medianos porque se achava digna apenas do alfa, e agora no final ela vai embora sozinha sem ninguém? Aqui é onde o emocional está fragilizado e onde o homem mediano terá mais chances de conseguir alguma coisa com uma menina mediana ou feia. As bonitas, esqueçam. Não tem nem como se você não for alfa.
Se a intenção é pegar mulher, se for ao puteiro gastará bem menos financeiramente, não terá desgaste emocional, e o risco de pegar DST é o mesmo da mulher baladeira. Se brincar, é até menor. Se não for rico, beberá bebidas falsas, terá prejuízo, e saíra com o emocional destruído de lá, achando que o problema do mundo não te aceitar e te enxergar é seu.
Já vi muitos clientes homens medianos, indo pagar sua conta cabisbaixo, sem graças, com dois ou três amigos tudo desanimado porque vão embora sozinhos dentro um carro. E outros fingindo que só foram na balada pra curtir, que embora não tenham pegado ninguém, se divertiram e etc. O que é mito.
E tem um monte de mulher que paga de santinha falando que vai só pra curtir e ver o Dj, ou porque gosta de tal banda e etc, mas vai só pra dar toco. Não gostam de transar, não gostam de beber, não gostam de nada, só de se sentirem poderosas. Até os alfas penam nas mãos dessas mulheres em baladas.
Em baladas, o único que ganha realmente é o dono da boate. Pois ele ganhou um lucro exorbitante nas bebidas que vendeu(porque TODAS as bebidas são compradas a preço de banana, se você paga R$ 250,00 numa garrafa de whisky, pode ter certeza que ela foi comprada por R$60,00 no máximo, e se for falso, R$ 20,00 ou 30,00). Para constatar isso do preço, é bem simples, vá um supermercado e olhe o preço da garrafa. Depois divida ele por 2. E compare com o preço que você pagou na boate. No bar que trabalhei, compravam latinhas de Antartica por R$ 1,45 no próprio supermercado, e revendiam a R$ 5,50. Quando compravamos direto da Ambev, havia longneck que pagamos 0,90c a unidade, e revendiamos a R$ 6,00 ou R$ 7,00. O dono sempre tem mulher no pé dele, e mulher top. Ele nunca fica "desamparado sexualmente". O status do cara de ser dono de uma boate, desbanca todos os alfas.
Na minha opinião boate é um prejuízo de todas as formas possíveis, exceto para o dono. Mesmo para os alfas e ricos, é um prejuízo tanto financeiro como emocional. Pois você continua pagando pra comer a menina e se desgatando emocional fingindo interesse, competindo com outros machos e etc., mas eles não ligam, né?
Parte 2 Baladas é tanto o puteiro para mulheres, como disseram, como também é armadilha para bobos. É bom mostrar os outros aspectos que prejudica o homem, não sendo só as mulheres, para que possam ficar alertas. Todos os panfletos, as propagandas, as pulseiras de camarote, os copos e bonés e outros brindes... Tudo isso é friamente pensado pelos organizadores da festa para vender uma ilusão enorme, de tal forma que faça o nerd jogador de minecraft sentir vontade de sair de casa e ir lá e gastar seu dinheiro achando que vai se dar bem, de fazer a mais alta piranha sonhar que vai encontrar o Eike Batista dela lá dentro. Observem bem na cidade de vocês como são as propagandas, se você esquecer seu bom senso um pouquinho, você vai cair no conto de que balada é o melhor lugar para ir e ser feliz.
Por trás dos autofalantes, dos graves, do neon, daquelas pessoas fingindo ser felizes, está um máquina pronta pra sugar seu dinheiro. A intenção é sempre pegar o dinheiro do homem. É por isso que eles também lotam de mulheres, quanto mais cheio de mulher um lugar estiver, mais homem disposto a perder tudo o que tem. Mulheres são as iscas, a massa de manobra, para juntar homens fracos emocionalmente e sugarem seu dinheiro. Em uma análise bronca, pode-se dizer que boate é uma das coisas mais anti-homem já criadas. Porque ela nunca prejudica as mulheres de fato, somente homens. Pois mesmo as mulheres sendo apenas iscas, elas ganham emocionalmente e ganham a chance de encontrar um bobo para ser provedor (e acreditem, tem muito playboy que assume uma bomba dessa).
E depois que o camarada entra lá dentro, ele vai ser vampirizado financeiramente o quando puder. A vampirização emocional é só a consequência de ser bobo. Eu mesmo comprava maços de Carlton por R$ 6,50, e vendia cada cigarro picado por R$ 2,00. Eu ganhava em torno de R$ 30,00 por maço, pois na boate não era permitido vender e fumar, mas o cigarro é um símbolo de status que todo mundo lá dentro quer, até quem não fuma quer fumar pra poder ser notado, e quem se aproveitar disso... Será que é errado? Não sei. Eu fazia. Sei que quando meus maços acabavam, os caras ficavam tão fissurados que saíam da boate, iam até os postos de combustíveis, compram cigarro e voltavam. Só pra poder senta na mesa fumando. E a mesma lógica vale também as drogas ilicitas (que eu não vendia, mas quem vendia ganhava uma puta grana).
O ambiente geralmente é tão baixo, que as pessoas que estão no camarote, com pulserinha e copo estilizados por exemplo, esnobam as pessoas que estão na pista. Mulher então? Elas faziam questão de mostrar que são apenas para os vips lá de cima. As mulheres quando sobem para os andares superiores, elas se sentem como verdadeiras deusas. E falo isso porque, eu trabalhei no bar de camarote, e minha função era apenas preparar coqueteis e servir bebidas, nada mais e também não abria nenhuma exceção pra favorzinho. E ouvia muitos sapos de mulheres dizendo que estudam medicina ou direito, que estavam acompanhadas de fulano de tal, que eu tinha que fazer o que eles mandavam... E eu nunca fazia. Só me restringia ao bar. Já tive que chamar segurança pra me defender porque os ricões, além de bobos, ainda queriam pagar de machões e iam lá tirar satisfação do porque não levei algo para a mesa deles etc, sendo que tinha garçom pra isso. Alias, os garçons... Pobres coitados! Eram o que mais sofriam. Raramente eu trabalhei com o mesmo garçom por mais de dois meses, eles não aguentam. Eles chegam na mesa e são ridicularizados, pelos homens que querem bancar os machoes e pelas mulheres que sentem poderosas. É realmente um trabalho de cão. A maioria dos garçons(e barmans) eram estudantes, caras feios, magros, precisavam de um dinheiro extra, e faziam esses bicos. E quando topavam de servir uma mesa cheio de caras ricos, mulheres bonitas e etc... Puts. Dava dó. Eram motivo de piadas. Você via nitidamente o emocional dos caras destruídos. Tinha que ter um emocional muito forte pra aguentar aquilo sem esmorecer. As mulheres sentiam um prazer enorme em ver outros caras pisando no pobre coitado que estava servindo elas, elas se sentiam, de verdade, deusas. Eu aposto que elas gozavam quando debochavam dos outros.
E, também, boate é um ambiente muito inseguro. Além das brigas constantes que sempre acontecem, quase dono nenhum gasta dinheiro investindo na segurança da infraestrutura, porque eles pensam que nunca vai acontecer nada na boate deles.
Parte3
Sobre DSTs, era prache eu ouvir comentários de fulanas e ciclanas que tinham herpes na xota. Com tempo você vai pegando amizade com alguns caras, seguranças, e as fofocas correm. Mulheres bonitas, que só frequentam camarote e só andam com os ricões e esnobavam todo mundo, tinham histórias muito cabulosas. Tinha menina que eles falavam pra não deixar ela nem fazer boquete porque senão o pau pegava carie. Meninas que todo matrixiano JAMAIS pensaria que fosse tão nojenta. E são essas meninas que vão se casar aos 30 anos com um bobo matrixiano que jamais vai saber do passado negro dela. Já vi alguns casais por aqui, um cara gente fina, que mal saia de casa, junto com uma menina que era verdadeiro carrapato de boate. E quando elas reconhecem a gente na rua, abaixam os olhos, ficam com medo da gente ser amigo do namorado dela e contar as coisas que viamos.
Mals o textão. Mas pra quem teve saco e quis ler, fica o relato. Se eu contar todas as histórias escabrosas que já vi e ouvi, do que a gente faz nas boates com as bebidas, enfim, é de doer os olhos. Mas tem gente que apanha e apanha e continua indo. Tenho amigos que diz que exagero muito, que eu sou revoltado e etc. Mas, as pessoas são como animais criados pro abate, são influenciados pela propaganda, sempre vão, se dão mal, passam mal, mas acordam no outro dia crente que o próximo final de semana será diferente. Enquanto isso vão só perdendo dinheiro e tempo.
Eu não recomendo o cara nem ir a um pub bem light. Embora não sejam um ambiente tão fútil e banal como é a boate, acontecem as mesmas coisas, mas apenas em menor escala e mais discretamente. Se a intenção é beber com os amigos, descontrair e relaxar, é melhor queimar uma carne em casa e comprar bebidas por conta, por exemplo. Pelo menos é minha opinião. Para conhecer mulheres: não faça isso, meu amigo. É tiro no pé.
Talvez alguém pense que essas coisas são exageros, mas é a minha conclusão da minha experiência pessoal enquanto fiz bicos de barman. E quando falo barman, esqueçam aquele esteriotipo de cara fortão, bonito que usa uma gravata borboleta no pescoço, na maioria dos casos é só gente normal fazendo bico. Esses "showmans" são outra parte da história que tem bastante privilégios por serem alfas. Eu não fazia parte dessa categoria. Pra eles as boates devem ser boas. Não era para mim porque eu sou um cara normal, e talvez por isso até pareça um butthurt. Mas é só um relato que espero que sirva de alerta. Hehe
Parte 4 Obrigado pelas boas vindas, pessoal!
Então... Sobre as histórias cabulosas, vou começar contando as profissionais. Claro que existe boates exceções assim como mulheres (será? ), mas... Enfim. Eu também não trabalhei em clubes de tão alto padrão assim, quando eu falo que era clubes pra quem tinha dinheiro, é porque as coisas eram muito caras. Mas, não é nada comparado a uma boate grande e famosa. hehe
Começando pelas bebidas, coisas que barmans geralmente são obrigados a fazer:
- A maioria das pessoas não bebem as cervejas completamente, pois elas esquentam rápido na mão, e sempre volta pro bar ou fica espalhado pelo lugar longnecks pela metade. No final da festa, alguns barmans despejam toda essa sobra de cerveja num balde, enfileira as longnecks e coloca funis nos gargalos, e sai enchendo elas tudo novamente. Depois colocam a tampinha e botam pra gelar. As cervejas, lógicamente, vão ficar chocas. Por isso só devem começar a servidas após 2h da manhã, por exemplo. Onde a maioria já se encontra bêbada e qualquer coisa que consumir está gostoso. Como os barmans, por cortesia, sempre abrem as longnecks para os clientes, eles nunca desconfiam das tampas frouxas. Não fiz muito isso, mas já trabalhei em um local e uma festa ao ar livre que fez. Não era prática diária comigo.
- Os sucos naturais, não são naturais. Muita gente pagava o preço por um coquetel feito com o suco da laranja exprimida na hora, mas tudo era somente suco de saquinho(tang ou o mais barato que tiver) batido no liquidificador. Ele fica consistente e espumoso como um suco da fruta. Restaurantes também fazem essa jogada. Um copo de suco "natural" de 200ml era R$ 4,50, por exemplo. O saquinho tang que fazia 1l no liquidificador era 1 e pouco.
- As tequilas sempre saíam em dose, e as garrafas sempre ficam com o barman. Reaproveitamos sempre a mesma garrafa, enchíamos ela um pouco menos da metade de whisky vagabundo ou falsificado, e completávamos com pinga vagabunda. Sacudiamos e vu a la! Tinhamos uma tequila ouro José Cuervo. Como a maioria das pessoas não conhece gosto de nada, pagam R$ 15,00 numa dose de 50ml que custou apenas, no máximo, R$ 5,00 pra fazer. E pior: muitos ainda elogiavam. xD
- Tinhamos um tónel, que se dizia vender cachaça artesanal. Cada dose de 50ml era R$ 6,00. Mas sabe o que tinha lá dentro? Pinga barata de R$ 3,00 o litro. Aquelas 51, 21, 31...
- Os whiskys que servíamos no bar, sempre eram tretas. Muitas vezes a gente fazia aquele lance de encher a garrafa de coca-cola com whisky barato e acoplar ela na boca de uma garrafa de Red Label e mandar o o whisky vagabundo pra lá. Essas geralmente são as que ficam penduradas no dosador de garrafa invertido. Numa festa com umas 3 ou 4 caixas de whisky, tinha no máximo 3 ou 4 garrafas realmente originais, guardadas para os magnatas.
- Quase sempre a gente recebia ordens pra marcar coisa a mais na comada do cliente, se ele parecesse que estivesse muito bêbado. Quando eles iam pagar, sempre ficavam muito putos com as meninas que trabalhavam no caixa, mas, então o gerente jogava aquela onda de que ele emprestou a comanda pra alguma mulher, que ele não lembra, se a coisa aperta muito já vinhas os seguranças intimidar, no final o cara sempre pagava. Não tinha jeito.
- As porções nunca jogavam fora. Já vi cozinheira tirando cinzas de cigarro de um resto de porção de batata e guardando as batatas pra usar com outra pessoa que comprava porção.
Tomem bastante cuidado, porque vocês nunca vão saber o que realmente estão consumindo. Isso não vale só pra boate, vale pra restaurante, lanchonete, casa da vó etc.
Também existia alguns esquemas de lavagem de dinheiro, eu não sabia muito sobre isso, só ouvia a respeito. Mas alguns eventos em fazendas particulares, reunia bastante magnata e alguns amigos afirmavam que rolava um esquema de lavar dinheiro tenebroso. E que muitas boates são usadas pra isso. Sobre isso não posso afirmar com certeza, isso foi só um boato que eu ouvia e acreditava, por tudo o que eu já presenciei lá.
Para atrair homens para festa, o promoter dava brindes, cortesias e até dinheiro pra algum grupo de meninas fazer volume na porta da boate. Já dava as instruções para elas irem super maquiadas, roupas curtas e ficarem bem visíveis. A panfletagem nas ruas e nas faculdades, era sempre feito por meninas bonitas e com roupas curtas. O próprio promoter que cuidava da casa, fazia uma propaganda ferrenha no Facebook. Pra cada 5 mulheres que ele marcava no post, ele marcava 1 homem, por exemplo. E pedia pras meninas confirmarem presença no evento divulgado no Facebook. Tudo isso pra dar a impressão que naquela festa tem mais mulher do que homem.
Parte 5 Então, o homem escravogina, solitário e carente, via aquele harém pela baguetala de R$ 30,00 o ingresso... Era casa cheia na certa. Uma vez lá dentro, o cara até parcela a consumação no cartão de crédito. A maior dificuldade é sempre fazer o homem entrar na boate, porque depois que está lá dentro, já era.
Um pouco do lado obscuro:
As mulheres nunca me cantaram no balcão com um real interesse em mim. Geralmente, aparecia uma mediana que estava de favor na festa, jogar um charme pra tentar descolar um drink de graça. Como eu não dava, saíam nervosas e davam chiliques. Mas alguns colegas davam, e só ganhavam um sorrisinho de volta e a menina nem voltava mais no bar, senão pra tentar pegar outro drink na faixa. Mas para meus colegas, aquele sorrisinho era sinônimo de um casamento. kkkkk
Elas sempre pediam para o acompanhante delas levantar e buscar bebida no bar, jamais ela ia sozinha ou ia junto com ele. E nesses momentos, esses prazos de 5 e 10 min, é onde ela flertava com muitos outros homens. O cara saia da mesa para buscar mais bebida para ela, e ela levava aquelas bulinadas do cafa de leve, pra elas era como se estivessem numa sauna greco-romana.
Banheiro de deficiente físico sempre foi usado como quarto de sexo. Isso era unânime em todas casas que trabalhei e eventos que fiz, era só jogar um "café" na mão do segurança, que o próprio segurança vigiava a porta pra não deixar ninguém interromper a trepada. Aqui era onde muito cara com físico bom e pouca grana, algumas vezes ganhava a noite. Ele não precisava de carro, nem de levar no motel, nem nada, torava a menina na lá no banheiro e só dava uma gorjeta pro segurança. Havia vezes que garotas de programas trabalhavam discretamente nos eventos, em parceria com os seguranças. Elas davam uma grana pra eles, e ela fazia o trabalho. A mesma menina, que nem parecia puta, ás vezes transava com 3 ou 4 cara na mesma noite, sem ninguém nem desconfiar que rolava uma fita dessa lá dentro. Mas como nada fica discreto pra sempre, começou querer haver CONCORRÊNCIA, outras meninas também queriam, e aí começou virar bagunça até que o dono deu um jeito de cortar ameaçando os seguranças de demissão.
Muita gente FINGIA ficar bêbada pra ter desculpas para fazer merda. Isso eu via muito, e a maioria sempre era mulheres. Elas subiam na mesa, faziam danças sensuais, ligavam para ex, pegava no pinto do caras, traiam os namorados, enfim, fingindo completamente que estavam bêbadas. Eu sabia que era fingimento, porque eu tinha um certo controle de quem bebia no bar, dava pra saber o quanto a pessoa consumiu e tinha menina que tomava duas cervejas e começava a fazer merdas, só pra ter um monte de cara endeusando elas e poder fazer uma putaria "sem culpa". E quem fica bêbado com duas cervejas? Mas tinha muito idiota que caía.
Certa vez, trabalhei em um evento que veio uma Dj que era da Espanha, senão me engano. Não lembro o nome, mas era uma menina baixinha com trejeitos de sapatão, cabelos raspados do lado e tranças onde tinha cabelo. Quem é mais ligado em música eletrônica deve saber o nome, eu não lembro. (Ela é aquele tipo de dj desconhecido no país onde mora, mas quando vem pro Brasil, faz sucesso, porque brasileiro é lambe-saco de gringo.) Eu sei que foi um evento que todo mundo quis ir, mas o lugar estava lotado, ingressos caros e etc. Havia uma menina que estava lá dentro, mas queria passar mais cinco amigas pra dentro da festa na faixa. O segurança não deixava. Até que uma delas ofereceu um boquete pra ele. Não foi nem o cara que pediu. A própria menina ofereceu. Obviamente, ele não recusou. Deram um jeito de ir pro estacionamento da fazenda e mandou ver. Entrou as cincos. Depois vi essa mesma menina beijando um playboy na mesma festa, o que me embrulhou o estômago. E com o tempo, ela foi ganhando fama de boqueteira entre os seguranças, então toda festa grande, os caras quase saiam no tapa pra decidir quem ia ficar na portaria, porque já sabiam que ela ia aparecer por ali. Afinal, ela não tinha grana e não tinha jeito de entrar, mas queria estar no meio dos playboys. E ela virou figurinha marcada mas depois sumiu. Um belo dia, num pubzinho, eu tava na porta conversando com os seguranças, ela me desce do carro de mãos dadas com um playboy. O segurança cumprimentou ela, e ela fingiu que não conhecia(sendo que ela tinha um passado negro com ele). Cumprimentou apenas o dono do pub e falou que agora estava noiva do fulano de tal. O cara tinha grana, a julgar pelo carro que ele tinha na época. E depois nunca mais víamos ela nas festa, e quando ia, ia acompanhada dele.
Que fique claro que não estou querendo criar ódio por boates, é só um relato do que vivenciei. O cara que quiser ir, não se prenda no que eu falo não, só fique atento. Hehe
Parte 6 Fico feliz em saber que tem alguma utilidade minhas observações. É impressionante o que você enxerga por trás das coisas somente observando. Nem precisa ser clarividente. hehe
Com o decorrer do tempo vou dando um up aqui com as histórias banais.
Mas acho que o mais importante que eu queria ter compartilhado com vocês a respeito das boates, era a questão de como fraudávamos bebidas. Porque isso é algo que prejudica a saúde dos consumidores a longo prazo, e além de pagar caro por algo que você nem sabe o que é. É algo que me arrependo de ter feito, embora fosse meu trabalho, então eu sempre tento alertar as pessoas que vão em boates para ficar espertas nesse sentido.
As histórias das perícias femininas são coisas bem baixas, praticamente histórias de filmes pornôs. Mas nada diferente do que acontece fora da boate, também.
Eu achava mais interessante o comportamento masculino do que o feminino, e aprendi muito observando caras que estavam caídos, usando a tal lógica reversa. Por exemplo, nas festas acontecem muitas frustrações, e na minha condição de barman, muitas vezes acabávamos fazendo um papel de ouvinte e psicólogo. Muitos homens bebem para amenizar as dores, e quando encontram alguém para ouvir os problemas deles, os caras desabam. Geralmente, esse alguém é o barman, o garçom... Ninguém do outro lado do balcão, nem os próprios amigos do cara, o acolhem nesse momento. E aqui vivenciei muitas situações constrangedoras, de caras enormes de tamanho, chorando feitos beberrões na minha frente. Era engraçado, porque eu sou um cara pequeno e mais duro emocionalmente do que eles(que em teoria, pareciam ser os caras mais frios do mundo) . hehe
Eu não podia fazer muita coisa a não ser ouvir e guardar aquelas histórias como experiências. Eu praticamente nunca consegui ajudar nenhum cliente. Todos eles queriam ouvir que a esposa era exceção, que mesmo traídos deveriam dar segunda chance, que ele era o errado da história, etc. Nenhum aceitava qualquer ponto de vista diferente em que a sua companheira fosse uma pessoa ruim. E ás vezes, discutiam comigo defendendo a esposa após eu aplicar pequenas injeções de real. Mas com tempo percebi que era inútil tentar salvar alguém, porque existe homens que se acomodaram a viver numa lama emocional que tem até medo de sair dali. Eu no máximo consegui algumas amizades, que me ajudaram depois a arranjar outro emprego melhor, mas, os caras infelizmente vivem a mesma vida que levavam, com migalhas emocionais, dores profundas e um depressão que eles tentam abafar com bebida, gerando lucro pra alguém que se aproveita da fraqueza emocional desses mesmo caras.
Acho que se o cara assimilou bem a real, é esperto, tem uma grana pra gastar que não vai fazer falta, tem problema nenhuma ir em boate. O único problema que vi mesmo é o cara pobre que se endivida achando que vai ter sexo fácil ou o ingenuo que vai achando que vai encontrara mulher da vida dele lá.
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2020.07.04 00:54 altovaliriano Grande Walder matou Pequeno Walder

Em A Dança dos Dragões, em meio às mortes misteriosas em Winterfell, ocorre uma que parece estar fora das expectativas:
As portas do Grande Salão se abriram com estrondo.
Um vento frio entrou rodopiando, e uma nuvem de cristais de gelo brilhou azul e branca no ar. Através dela veio Sor Hosteen Frey, endurecido até a cintura pela neve, um corpo nos braços. Em todos os bancos, homens baixaram seus copos e colheres para ver boquiabertos o macabro espetáculo. O salão ficou em silêncio.
Outro assassinato.
A neve escorregava do manto de Sor Hosteen, enquanto ele caminhava em direção à mesa principal, seus passos ressoando contra o chão. Uma dúzia de cavaleiros Frey e homens em armas entraram atrás dele. Um era um garoto que Theon conhecia; Grande Walder, o pequeno, cara de raposa e magro como um palito. Seu peito, braços e manto estavam salpicados de sangue.
O cheiro daquilo agitou os cavalos. Os cães saíram debaixo das mesas, farejando. Homens se ergueram dos bancos. O corpo nos braços de Sor Hosteen brilhava sob a luz das tochas, blindado em gelo rosado. O frio que fazia lá fora congelara seu sangue.
O filho de meu irmão Merrett. – Hosteen Frey colocou o corpo no chão, diante do estrado. – Massacrado como um porco e enfiado embaixo de um monte de neve. Um garoto.
Pequeno Walder, pensou Theon. O grande.
(ADWD, Theon)
Como se vê, o assassinato é apresentado com uma pompa ausente nas demais mortes. É claro que o garoto Frey tem um status diferentes dos homens de armas que vinham sendo assassinatos, porém as reações a sua morte também revelaram que algo fora da curva estava acontecendo.
As lavadeiras de Abel, que estavam provocando as mortes no castelo, assim reagem à censura nos olhos de Theon:
Olhou para Rowan. Há seis delas, lembrou. Qualquer uma pode ter feito isso. Mas a lavadeira sentiu seu olhar.
– Isso não é trabalho nosso – disse.
– Quieta – Abel a advertiu.
A situação no grande salão de Winterfell se desenrola para tornar a morte de Pequeno Walder Frey um crime de Wyman Manderly. Como Jared, Rhaegar e Symond Frey já haviam sumido depois de passarem por Porto Branco, não era difícil atribuir qualquer culpa a Lorde Wyman:
Lorde Ramsay desceu do estrado até o garoto morto. Seu pai se ergueu mais lentamente, olhos claros, encarando solene.
– Isso foi trabalho sujo. – Pela primeira vez, a voz de Roose Bolton estava alta o suficiente para ser ouvida. – Onde o corpo foi encontrado?
– Embaixo daquela fortaleza destruída, meu senhor – respondeu Grande Walder. –Aquela com as velhas gárgulas. – As luvas do menino estavam empastadas com o sangue do primo. – Eu disse para não sair sozinho, mas ele falou que tinha que encontrar um homem que lhe devia prata.
– Que homem? – Ramsay exigiu saber. – Dê-me seu nome. Aponte-o para mim, garoto, e eu lhe farei um manto com a pele dele.
– Ele nunca disse, meu senhor. Apenas que ganhou o dinheiro nos dados. – O garoto Frey hesitou. – Foram uns homens de Porto Branco que o ensinaram a jogar. Não sei dizer quais, mas foram eles.
– Meu senhor – trovejou Hosteen Frey. – Conhecemos o homem que fez isso. Matou este garoto e todos os demais. Não com suas mãos, não. É muito gordo e muito covarde para matar por conta própria. Mas por sua ordem. – Virou-se para Wyman Manderly. – Nega isso?
Manderly, contudo, não se deixa intimidar. Na verdade, o Lorde de Porto Branco não faz qualquer defesa para si ou para seus homens. Ignora a investigação totalmente e parte de vez para o ataque a Casa Frey, algo que não se sentiu à vontade para fazer nem mesmo quando estava em sua própria cidade.
O Senhor de Porto Branco mordeu uma linguiça no meio.
Confesso... – Limpou a gordura dos lábios com a manga. – ... confesso que conhecia pouco este pobre garoto. Era escudeiro de Lorde Ramsay, não era? Quantos anos tinha o rapaz.
Nove, no último dia de seu nome.
Tão jovem – disse Wyman Manderly. – Embora talvez isso tenha sido uma bênção. Se vivesse, teria crescido para ser um Frey.
A seguir, Hosteen fere Wyman quase mortalmente e diversos homens de arma Frey e Manderly morrem em uma luta que é separada por lanceiros Bolton. Para evitar mais confrontos, Roose envia os Frey na vanguarda do ataque a Stannis na Vila dos Arrendatários eu assunto morre, sem que seja solucionada a morte de Pequeno Walder.
Muitos leitores já apontaram culpados. Desde o óbvio Lorde Manderly até o misterioso Fantasma de Winterfell. Alguns até mesmo acusaram Ramsay Bolton, alegando que ele imaginava que o garoto o estivesse espionando e que ele armou a cena para que Manderly levasse a culpa.
Entretanto, a teoria que se tornou mais famosa foi a que Pequeno Walder foi morto por seu próprio primo, Grande Walder, por um motivo torpe e fútil (especialmente para uma criança de nove anos), que servirá de prenúncio do futuro da Casa Frey.
Pequeno Walder e Grande Walder são primos enviados para serem criados em Winterfell como parte da aliança entre rei Robb Stark e lorde Walder Frey. Por serem crianças, comentários estúpidos são esperados, assim como que eles compartilhem os mesmo valores que os adultos com quem conviveram. No caso das Gêmeas, o lodaçal Frey de pessoas mesquinhas e egoístas encabeçado por lorde Walder.
Há várias exceções, claro. Freys são seres humanos, então há decentes e indecentes. Mas pelo que vimos através de Pequeno e Grande Walder, eles pareceram mais identificados com o último tipo. Especialmente, Grande Walder.
Com efeito, Grande Walder manifesta uma expertise e crueza muito singulares para uma criança quando o assunto é a ascensão ao poder:
Nós somos primos, não irmãos – acrescentou Grande Walder, o menor. – Eu sou Walder, filho de Jammos. Meu pai é filho de Lorde Walder e da sua quarta esposa. Ele é Walder, filho de Merrett. A avó dele era a terceira esposa de Lorde Walder, a Crakehall. Ele está na minha frente na linha de sucessão, apesar de eu ser mais velho.
Só por cinquenta e dois dias – retrucou Pequeno Walder. – E nenhum de nós jamais ficará com as Gêmeas, seu estúpido.
Eu ficarei – declarou Grande Walder.
(ACOK, Bran I)
Quando chegou a Winterfell a notícia da morte de Stevron Frey, tudo que os garotos conseguem pensar é na linha de sucessão, porém Grande Walder consegue ser mais frio do que seu primo:
[...] Isso significa que Sor Emmon é agora o herdeiro?
Não seja burro – o primo rebateu. – Os filhos do primogênito vêm antes do segundo filho. O seguinte na linha de sucessão é Sor Ryman, e depois Edwyn, e Walder Negro e Petyr Espinha. E depois Aegon, e todos os filhos dele.
Ryman também é velho – disse o Pequeno Walder. – Já passou dos quarenta, aposto. E tem uma barriga ruim. Acha que ele vai ser o senhor?
Eu serei o senhor. Não me interessa se ele é ou não.
(ACOK, Bran V)
Entretanto, falar é uma coisa, fazer é outra. Grande Walder teria coragem de matar seu primo no afã de herdar o título de Senhor da Travessia? Sim, e o que demonstra isso é justamente as dinâmicas de um jogo exatamente chamado “Senhor da Travessia” que os Frey trouxeram para Winterfell:
Para jogar, punha-se o tronco atravessando a água e um jogador ia para o meio com o bastão. Era o senhor da travessia, e, quando um dos outros jogadores se aproximava, ele tinha de dizer: “Eu sou o senhor da travessia, quem vem lá?”. E o outro jogador tinha de inventar um discurso sobre quem era e o motivo pelo qual devia ser autorizado a atravessar. O senhor podia obrigá-los a prestar juramento e a responder a perguntas. Não tinham de dizer a verdade, mas os juramentos deviam ser cumpridos, a não ser que incluíssem a palavra “talvez”. Portanto, o truque era dizer essa palavra sem que o senhor da travessia notasse. Então, podia-se tentar atirá-lo na água, e quem conseguisse passaria a ser o senhor da travessia, mas só se tivesse dito “talvez”. Caso contrário, ficaria fora do jogo. O senhor podia atirar qualquer um na água sempre que quisesse, e era o único que podia usar um bastão.
Na prática, o jogo parecia resumir-se a empurrões, pancadas e quedas na água, acompanhados de sonoras discussões sobre se alguém tinha ou não dito “talvez”. Normalmente, era o Pequeno Walder o senhor da travessia.
Dessa forma, os Walder eram educados por meio desse jogo disputarem o título de Senhor da Travessia à base da violência. Na dinâmica entre os primos, Grande Walder geralmente ocupava a posição de contestante, como se estivesse destinado a derrubar o primo em algum momento.
É notável como GRRM gasta mais tempo explicando as regras deste jogo do que qualquer outro nos livros. Parece que o escritor está querendo nos mostrar como a criação nas gêmeas favorece a competição, tirania e a traição como valores inerentes à Casa. Os jogadores tem que enfrentar desarmados os caprichos do “Senhor” armado e somente são autorizados a derrubá-lo uma vez que o tiverem enganado.
Este jogo está tão entranhado na cultura das Gêmeas que até o nonagenário Lorde Walder faz referência a ele quando Robb vem se arrastando após trair seu compromisso com a Casa Frey:
Tenho de tratar da travessia de meus homens para a outra margem, senhor – disse Robb.
Eles não se perderão – objetou Lorde Walder. – Já atravessaram uma vez, não foi? Quando vieram do norte. Quiseram atravessar, e eu concedi-lhes passagem, e você nunca disse talvez, heh. Mas faça o que quiser. Leve todos os homens pela mão, se assimentender, por mimtanto faz.
(ASOS, Catelyn VI)
Por outro lado, Grande Walder devia estar em crescente insatisfação por seu primo estar ganhando a comapnhia de Ramsay:
Pequeno Walder se tornara o favorito de Lorde Ramsay, e cada dia parecia mais com seu senhor, mas o menor dos Frey era feito de material diferente, e raramente tomava parte nos jogos e nas crueldades do primo.
(ADWD, Fedor III)
Esta semelhança crescente entre o Frey assassinado e Ramsay é um sinal de que a disputa entre os Frey poderia se tornar uma tragédia de família. Afinal, Ramsay é acusado de ter matado seu meio-irmão Domeric. Sendo assim, Grande Walder pode ter pensado em matar o primo para prevenir que este viesse a ameaçar sua posição.
E, de fato, Grande Walder demonstra trata o uso da violência com indiferença, inclusive quando são pessoas de seu próprio sangue que estão em questão. Como quando Theon-Fedor pergunta a ele por Rhaegar, Jared e Symond Frey:
Encontraram seus primos, meu senhor?
Não. Nunca achei que os encontraríamos. Estão mortos. Lorde Wyman os matou. Isso é o que eu teria feito se fosse ele.
(ADWD, Fedor III)
Por fim, as circunstâncias em que o corpo de Pequeno Walder é apresentado denunciam que há algo de errado na história contada por Grande Walder.
Hosteen Frey afirma que Pequeno Walder foi “massacrado como um porco e enfiado embaixo de um monte de neve”, portanto quem quer que tenha retirado o garoto do local onde foi achado deveria estar molhado de neve, mas não necessariamente de sangue.
E é isso que ocorreu a Hosteen, que é descrito como “endurecido até a cintura pela neve” e sendo visível que “neve escorregava” de seu manto.
A coisa é bem diferente com Grande Walder, cujas luvas “estavam empastadas com o sangue do primo”. É claro que alguém poderia arguir que ele estava com sangue do primo devido a ter encontrado o corpo primeiro debaixo da pilha de neve e teve contato com o ferimento antes de todos.
É dito que mesmo nos braços de Hosteen “o frio que fazia lá fora congelara” o sangue no ferimento do menino morto. Assim, se o garoto teve contato com o sangue congelado e saiu para chamar Hosteen para desenterrá-lo, é possível que fluído tenha derretido no meio tempo, ensopando suas luvas.
Contudo, é extremamente suspeito que “seu peito, braços e manto estavam salpicados de sangue”. Com o frio que fazia lá fora, era praticamente impensável que tanto sangue tivesse salpicado seu peito, braços e, especialmente seu manto.
Entretanto, por mais suspeito que isso seja, não chamou a atenção de ninguém presente. Talvez isso se deva ao fato de que os presentes estivessem muito concentrados em incriminar Lorde Wyman, que não prestaram a atenção a estes detalhes investigativos. Tudo aconteceu muito rápido e os humores já estavam exaltados desde o momento em que Hosteen entrou no recinto com o corpo.
Por outro lado, o fato de Hosteen não ter ligado os pontos quando teria visto Grande Walder todo ensaguentado, enquanto ele mesmo, que desenterrara o garoto, não tinha quase nenhum traço de sangue, provavelmente se deve ao fato de [SPOILERS de Ventos do Inverno]ele ser considerado estúpido, nas palavras de Stannis Baratheon.
De todo modo, o assassinato do Pequeno pelo Grande (do mais novo pelo mais velho, do mais alto pelo mais baixo) parece servir de prenúncio para como a cultura de concorrência da família Frey irá resultar em guerra civil nos próximos livros, todos jogando a versão Frey do jogo dos tronos.
E isto parece estar previsto por uma das rimas de Cara-Malhada, quando ele diz:
– Debaixo do mar, o peixe velho come o peixe novo. [...] Eu sei, eu sei, ei, ei, ei.
(ASOS, Davos V)
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2020.07.02 04:49 altovaliriano A segunda vida de Jon Snow

ENTERTAINMENT WEEKLY: Então, por que você matou Jon Snow?
GRRM: Ah, você acha que ele está morto?
ENTERTAINMENT WEEKLY: Bem, eu acho. Sim. Foi assim que eu entendi. Do jeito que foi escrito, parecia que ele estava mortalmente ferido - e, sabe, é você [escrevendo]!
GRRM: Bem. Não vou falar se ele está morto ou não. [...]
21/07/2011
Graças à série da HBO, hoje temos certeza que a história de Jon não termina em A Dança dos Dragões. Na TV, depois de assassinado, Melisandre trouxe Jon de volta a vida quase que instantaneamente. Porém, temo motivos para acreditar que o mesmo não ocorrerá nos livros.
A Dança dos Dragões começa com o POV estranho de Varamyr Seis-Peles morrendo. No meio de detalhes sobre as consequências da derrota de Mance, sua relação com seus animais e memórias de sua vida, Varamyr nos conta que um troca-peles passa a habitar seu companheiro animal quando morre.
É a primeira vez que ouvimos falar sobre a "segunda vida". Exatamente no mesmo livro que Jon é morto. E a última palavra sussurrada por Jon Snow antes de morrer é justamente “Fantasma”. GRRM queria ser pouco sutil. Talvez para que não pensássemos que o ganho [cliffhanger] fosse se Jon estava morto ou não, mas o que aconteceria com Jon uma vez que entrasse em Fantasma.
Portanto, quando falamos na segunda vida de Jon nos referimos ao tempo em que Jon habitará Fantasma.
Os prenúncios [foreshadows] que temos são de que esta situação não será permanente. Melisandre tem uma visão nas chamas em “primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente” (ADWD, Melisandre). Assim, há uma indicação que Jon voltará a ser humano depois de um tempo.
Mas quanto tempo seria? Menos de uma semana? Várias semanas? Meses? Segundo A Mais Precisa Linha do Tempo, os eventos em A Dança dos Dragões ocorre em um lapso de tempo de aproximadamente seis meses. Dessa forma, penso que este seria o limite temporal máximo em Ventos do Inverno. Ninguém pensa que Jon ficará o próximo livro inteiro no lobo. Então tem que ser menos do que isso.
O ínterim que fera e homem dividirão o mesmo corpo tem implicações muito relevantes. O espaço de tempo teria relação direta com o estado de decomposição de seu corpo.
Existem um consenso de que o corpo de Jon seria jogado nas celas de gelo na Muralha. A razão disse é que Jon pediu que a neve que barrava o acesso à celas fosse limpa e que havia cadáveres de selvagens lá, à espera de que voltassem a vida para estudo:
Os cadáveres. Jon quase se esquecera deles. Esperara aprender algo dos corpos que trouxera do bosque de represeiros, mas os mortos haviam teimosamente permanecido mortos. – Precisamos desencavar essas celas.
(ADWD, Jon XIII)
Ao ter atirado esses cadáveres nas celas, Jon pode ter colocado na cabeça de Marsh e outros intendentes que ali era um bom local para manter corpos que pudessem se levantar. Não que Marsh suspeite que Jon vá ressuscitar, mas seria um bom local para isolar um corpo do resto da Patrulha.
De fato, ao mesmo tempo em que as celas são o local ideal para preservar um corpo, o acesso às celas é barrado pelas nevascas de Inverno, sendo necessário “dez intendente e dez pás” para o serviço. Além disso, o trabalho teria que ser renovado, até mesmo para que eventuais prisioneiros continuem vivos:
– Essas celas estarão enterradas novamente pela manhã. Melhor tirarmos os prisioneiros antes que sufoquem.
(ADWD, Jon XIII)
Portanto, um corpo jogado nas celas de gelo seria conservado tanto pelo frio quanto pela limitação da quantidade de ar disponível. Fica claro que Martin está dando dicas de que o ambiente perfeito para que os motineiros abandonem o corpo de Jon, tirando-o de vista de todos e obstando o acesso a ele.
Ao mesmo tempo, o corpo decomporia muito lentamente, o que possibilitaria Jon retornar a seu corpo com poucas modificações em suas feições. Eu, pessoalmente, até acredito que ele se tornaria pálido, suas mãos e pés ficariam pretos em razão do fluxo de sangue que ocorrerá enquanto o corpo não for reanimado e os ferimentos das punhaladas nunca cicatrizarão por completo.
Fora a decomposição do corpo humano morto, a outra consequência do tempo que Jon ficará em Fantasma é o que Jon faria ou presenciaria enquanto estiver no lobo.
No Casamento Vermelho, sabemos que os homens Frey correram para matar Vento Cinzento, que foi libertado por Raynald Westerling (AFFC, Jaime VII). Poderia algo semelhante ocorre durante o Motim em Castelo Negro? Existe um troca-peles recém-chegado na Muralha que pode ter a sensibilidade de perceber que Jon está vivendo agora em seu lobo e correr para libertá-lo antes que os motineiros se lembrem de Fantasma.
Entre os cavaleiros, vinha um homem a pé, com um grande animal trotando em seus calcanhares. Um javali, Jon viu. Um javali monstruoso. [...].
Borroq. – Tormund virou a cabeça e cuspiu.
Um troca-peles. – Isso não era uma pergunta. De algum modo, ele sabia.
(ADWD, Jon XII)
Borroq, inclusive, já havia sido prenunciado no prólogo de Varamyr, quando ele conta sobre um encontro de troca-peles que ele presenciou quando tinha 10 anos de idade:
[…] Haggon o levou a um encontro. Os wargs eram os mais numerosos no grupo, os irmãos-lobos, mas o garoto achou os outros estranhos e mais fascinantes. Borroq se parecia tanto ao seu javali que só lhe faltavam as presas, Orell tinha sua águia, Briar, seu gato-das-sombras (no momento em que os viu, Lump desejou um gato-das-sombras para si), a mulher-cabra Grisella…
(ADWD, Prólogo)
Ele demonstrou saber dos poderes inconscientes de Jon, ser cordial com o Lorde Comandante e ter em mente um senso de urgência em relação a ameaça que os Outros representam:
– Irmão – disse Borroq.
– É melhor você ir. Estamos prestes a fechar o portão.
– Faça isso – Borroq falou. – Feche bem e apertado. Eles estão vindo, corvo. – Sorriu o sorriso mais feio que Jon já vira e seguiu para o portão. O javali seguiu atrás dele. A neve que caía cobriu seus rastros.
(ADWD, Jon XIII)
Foi Borroq quem deu a deixa para Jon Snow falar da Carta Rosa no Salão dos Escudos, após o Lorde Comandante falar que Tormund seguiria para Durolar:
– E onde você estará, corvo? – Borroq trovejou. – Escondido aqui em Castelo Negro com seu cachorro branco?
– Não. Eu cavalgarei para o sul. – Então Jon leu para eles a carta que Ramsay Snow escrevera.
(ADWD, Jon XIII)
E é Borroq a razão pela qual Fantasma não estava presente no Salão dos Escudos:
Fantasma o teria seguido também, mas quando o lobo começou a caminhar atrás dele, Jon o agarrou pelo cangote e o arrastou para dentro. Borroq poderia estar entre os reunidos no Salão de Escudos. A última coisa que precisava agora era seu lobo atacando o javali do troca-peles.
(ADWD, Jon XIII)
Entretanto, o javali de Borroq também não estava presente:
Borroq estava recostado contra uma parede em um canto escuro. Felizmente, seu javali não estava em evidência em lugar algum.
(ADWD, Jon XIII)
Assim, Borroq pode muito bem ter saído do Salão para procurar seu javali após o discurso de Jon, para acompanhar o Lorde Comandante e ter acompanhado o motim de longe. Isso daria tempo hábil para que o troca-peles chegasse a Fantasma antes dos motineiros e o libertasse.
Uma vez solto, Fantasma conseguiria muito bem passar despercebido. O lobo gigante é conhecido por não produzir quase nenhum som, sendo extremamente furtivo. Por outro lado, sua pelagem branca fornece uma camuflagem ideal para a neve que agora caí aos borbotões em Castelo Negro. Em outras palavras, Fantasma poderia escolher tanto partir para longe quanto espreitar nas redondezas.
Mas o que Jon-Fantasma faria longe de Castelo Negro? Partiria para Winterfell e tentaria matar Ramsay? Ou ficaria no Castelo espreitando o motineiros? Borroq o levaria a algum lugar específico? Jon tentaria ir para algum dos castelos para os quais enviou seus amigos, a fim de obter ajuda deles? Procuraria Melisandre? Seguiria ao Sul para se unir a Nymeria? Bran entraria em contato? O corvo de Mormont o guiaria?
GRRM tem experiência em escrever capítulos dos pontos de vistas de lobos, mas este seriam capítulo bem trabalhosos. Eu, pessoalmente, veria acharia interessante se Jon deixasse de ser um personagem POV, mas dificilmente isso ocorrerá.
O mais capaz é que Martin entre em capítulos extremamente detalhados e complexos de Jon percebendo o mundo através dos olhos de um animal, enquanto sua consciência desvanece lentamente dentro do bicho. Porém, isso não indica que os capítulos de Jon serão chatos. Há alguns eventos que podem render bons conflitos mesmo dentro do lobo gigante.
[SPOILERS de Ventos do Inverno]Jeyne Poole está vindo para Castelo Negro sob o disfarce de Arya. Como Jon morto, mesmo que ele perceba a farsa, não poderá contar a ninguém. Isso pode dissuadí-lo de tentar enfrentar Bolton e fazê-lo mudar de rumo. Ou ele não conseguiria entender a situação do ponto de vista de Fantasma?
Por outro lado, caso permaneça nas redondezas, como Jon-Fantasma reagiria à queima de Shireen? Tudo indica que este evento ocorrerá enquanto ele estiver “morto”. Fantasma tentaria intervir? Ele conseguiria entender a situação estando dentro do lobo?
Por fim, existe a possibilidade de que os Outros cheguem a Castelo Negro antes que Jon consiga ser trazido de volta a seu corpo. Nestas circunstâncias, seu corpo poderia ser reanimado pelos Outros, enquanto sua consciência ainda estava dentro de Fantasma?
Eu tenho uma suspeita de que os Outros não conseguem reanimar troca-peles, pois no prólogo de A Dança dos Dragões, Varamyr vê o corpo reanimado de Cynara como retorna ao acampamento já vivendo uma segunda vida em Um-Olho, mas não vê seu próprio corpo perambulando morto-vivo.
Talvez os Outros necessitem que as consciências ainda estejam no corpo para reanimá-los, o que explicaria Varamyr ter visto seu próprio corpo (e criaria uma boa justificativa futura para os Outros não conseguirem ressuscitar corpos mortos há muito tempo – como aqueles na cripta de Winterfell ou no cemitério de Castelo Negro).
O que vocês acham destas questões?
(Na próxima “Quarta de Ventos do Inverno”, pretendo escrever sobre o método de ressurreição em si, seus efeitos sobre Jon e o que ele fará após ser ressucitado)
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2020.06.29 13:09 AntonioMachado [2011] Domenico Losurdo - Crítica ao liberalismo, reconstrução do materialismo

Entrevista: https://www.ifch.unicamp.bcriticamarxista/arquivos_biblioteca/entrevista19Entrevista.pdf
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2020.06.25 18:14 altovaliriano Por que Martin não quer falar sobre Qarth?

Em 2014, quando “O Mundo de Gelo e Fogo” foi lançado nos Estados Unidos, todos os cinco livros com que a saga hoje conta já haviam sido lançados. Em verdade, até mesmo “Atlas das Terras de Gelo e Fogo” já estava a venda havia dois anos. Portanto, os leitores esperavam que o livro co-escrito por Linda Antonsson e Elio Garcia Jr. servisse para aprofundar o conhecimento sobre um mundo que Martin vinha desnudando em câmera lenta, em um longo strip-tease de 18 anos.
O livro provou ser tudo isso e um pouco mais. O autor fictício do livro, meistre Yandel, não se limita a descrever ponto-a-ponto toda a geografia e história conhecida, como também explora relatos, lendas e rumores, ponderando sobre sua confiabilidade e autenticidade. Assim, mesmo a escassez de conhecimento objetivo não impediu meistre Yandel de nos apresentar aos rincões mais distantes do mundo em que “As Crônicas de Gelo e Fogo” se passam.
Exceto em três casos.
1. Os casos de Solarestival, Meereen e Qarth
Desde a primeira leitura de TWOIAF, é possível perceber que Yandel mantém a tragédia em Solarestival sob as mesmas névoas misteriosas que a encobrem na saga principal. Quando o meistre toca no assunto, é sempre breve e digressivo.
De fato, um dos golpes mais baixos de Yandel vem na forma de um relato do Arquimeistre Gyldayn que, convenientemente, estava parcialmente ininteligível em razão de uma mancha de tinta. Ao fim da leitura, era virtualmente possível ouvir as risadinhas de Martin, seguidas pelo tradicional “keep reading“.
O caso da Baía dos Escravos é bem mais sutil. O livro já começa antecipando um resumo sobre as cidades escravocratas. Mas Yandel se limita a relacioná-las com a queda do Império Ghiscari, e lhes retrata com desdém (TWOIAF, A Ascensão de Valíria).
No decorrer do livro, algumas pequenas notas complementam o resumo inicial com curiosidades, mas não há um capítulo dedicado à cultura e história de Astapor, Yunkai, Meereen ou mesmo da Baia dos Escravos como região (como ocorre com outras localidades mais insignificantes, como as planícies de Jogos Nhai).
Acredito que isto passe despercebido em grande parte porque muitos leitores não gostam da campanha de Daenerys na Baía dos Escravos, e perderam o interesse pela região ao longo dos livros. Contudo, como eu achava improvável que Martin compartilhasse da falta de entusiasmo dos leitores, eu senti vontade de verificar a razão do silêncio.
Eu encontrei a resposta em uma entrevista que Elio e Linda deram ao site Adria’s News em 2015. A intenção dos co-autores com isso era, de fato, esconder potenciais spoilers. Mas para minha surpresa, as razões de meistre Yandel era outras, decorrentes de sua personalidade: ele aparentemente abomina a escravidão.
Em todo caso, a entrevista acabou revelando algo muito mais interessante, que eu havia deixado passar. Abaixo transcrevo (e traduzo) a passagem interessante:
Você criou o personagem Meistre Yandel para ser o fio narrativo, mas ele é tendencioso como qualquer historiador é na vida real. Você decidiu que assim seria para ter uma abordagem mais realista ou para pôr possíveis spoilers sob um filtro ambíguo?
Elio M. García Jr: A maior parte das inclinações que vemos decorre do momento, no qual há pessoas importantes e poderosas que ele não deseja ofender. O que será que ele realmente pensa? Essa é a questão. Certamente, ele não deve ter pensado bem no que os Martells iriam falar quando ele escreveu que Elia pode ter assassinado seus próprios filhos. Eu não consegui acreditar que eu inventei isso, mas se ele está preocupado com os Lannister ficarem irritados, ele tem que explicar a morte deles de alguma forma. De todo modo, eu não acho que ele vai passar as férias em Dorne durante algum tempo. Mas, de modo geral, o viés serve apenas para ser realista, haja vista que ele é muito consciente sobre a política do tempo em que ele está escrevendo. Os spoilers foram escondidos ao colocarmos coisas que ele não trata muito, como Qarth e Meereen, pois ele acha que eles são lugares horríveis, com a escravidão e tudo mais, mas também porque George não nos fornecia nada sobre Qarth. O outro grande foco de spoilers era Solarestival, mas George não quis nos informar muito sobre isso também.
Assim, se por um lado, vemos que informações sobre Meereen, Qarth e Solarestival têm sido escondidas do público, por outro, ficamos sabendo que Martin considera que manter segredo sobre Qarth é tão importante para a trama quanto o sigilo sobre o que aconteceu em Solarestival.
E, de fato, Qarth não tem um capítulo em “O Mundo de Gelo e Fogo”. Fora apresentar informações pontuais (algumas até repetições do que havia sido explicado em outros livros), tudo que Yandel diz é: “Sobre a misteriosa Qarth, não posso apontar fonte melhor do que Compêndio de Jade, de Colloquo Votar, o trabalho mais importante sobre as terras ao redor do Mar de Jade” (TWOIAF, Além do Reino do Pôr do Sol: Outras Terras).
Qarth, portanto, merece ser melhor examinada.
2. O que poderia haver em Qarth?
A importância de Solarestival e Meereen são facilmente percebidas. A tragédia de Solarestival será o capítulo final da vida de Dunk e Egg e é um segredo em si mesma. Por sua vez, vimos que o que divide Meereen entre seguidores de Daenerys e falsos amigos da rainha são razões históricas. Portanto, é razoável que Martin prefira deixar os bastidores históricos para “Os Ventos do Inverno”, e surpreender os leitores, do que colocar três páginas a mais em “O Mundo de Gelo e Fogo”.
A história de Qarth, por outro lado, tem implicações diferentes. Uma vez que a cidade nunca foi parte dos domínios valirianos, é muito capaz que essas duas civilizações já tenham guerreado. De fato, em “A Fúria dos Reis”, um dos cavaleiros dothrakis de Daenerys encontra algo relevante ao Sul de Vaes Tolorro:
Rakharo foi o primeiro a voltar. Ao sul, o deserto vermelho estendia-se por uma longa distância, ele relatou, até terminar numa costa desolada junto à água venenosa. Entre aquele lugar e a costa havia apenas turbilhões de areia, rochedos polidos pelo vento e plantas eriçadas de espinhos pontudos. Tinha passado junto às ossadas de um dragão, jurou, tão imensas que havia conduzido o cavalo por entre as suas grandes maxilas negras. Além disso, nada viu.
(ACOK, Daenerys I)
Essa impressionante descrição se assemelha à de outros animais formidáveis, muito conhecidos pelos leitores:
[…] Os poetas tinham-lhes atribuído nomes de deuses: Balerion, Meraxes, Vhagar. Tyrion estivera entre suas maxilas escancaradas, sem palavras e cheio de respeitoso temor. Podia ter entrado a cavalo pela garganta de Vhagar, embora não fosse possível voltar a sair. Meraxes era ainda maior. E o maior de todos, Balerion, o Terror Negro, podia ter engolido um auroque inteiro, ou até mesmo um dos mamutes peludos que diziam viver nas frias extensões para lá do Porto de Ibben.
(AGOT, Tyrion I)
Portanto, a ossada descoberta no Deserto Vermelho indica que o dragão que morreu ali era comparável aos maiores dragões da dinastia Targaryen. À luz da negativa de Martin de elaborar mais sobre a história de Qarth, essa descoberta passa a ser mais chamativa, pois parece indicar que, no passado, os qaathi (povo do qual os qarthenos são os últimos descendentes vivos) foram capazes de derrotar dragões desta magnitude.
Outro item que conecta valirianos e quarthenos é o berrante Atador de Dragões. Euron Greyjoy afirma ter reivindicado o artefato quando caminhou sobre Valíria. Contudo, muitos leitores (e até personagens) duvidam dessa afirmação, e acreditam que Euron roubou o berrante dos magos qarthenos que ele sequestrou (dentre os quais, o inimigo declarado de Daenerys, Pyat Pree). Esta suspeita encontra respaldo em uma fonte semi-canônica (APP, Qarth).
Entretanto, para fins da presente reflexão, interessa saber como os magos da Casa dos imortais conseguiram um berrante com glifos valirianos, feito de chifre de dragão, que supostamente tem o poder de submeter e “atar” dragões à vontade de quem quer que o sopre.
É difícil de se pensar que valirianos presenteariam qarthenos com instrumentos mágicos capazes de domar dragões, à qualquer título que fossem (ex: presente de casamento, oferenda aos imortais ou recompensa por serviços). Seria mais simples que alguém em Qarth o tivesse roubado dos valirianos. Não necessariamente enquanto os donos originais estivessem vivos.
Enquanto refletia sobre o adestramento de Drogon, Daenerys recordou que “os senhores de dragões da antiga Valíria controlavam suas montarias com feitiços de ligação e cornos mágicos” (ADWD, Daenerys X). Nesse sentido, a ossada do dragão no Deserto Vermelho poderia ser uma pista de como os magos o adquiriram. A pilhagem do cadáver de um cavaleiro de dragão que a cidade logrou derrotar explicaria a origem do berrante.
O artefato mágico, inclusive, poderia explicar porque os valirianos nunca expandiram seu império até Qarth. De posse do berrante, os qarthenos poderiam neutralizar o perigo dos dragões de Valíria. O Deserto Vermelho e as muralhas triplas forneciam a proteção da cidade contra investidas por terra, porém o Atador de Dragões seria a garantia de que Qarth estaria à salvo do fogo dos dragões.
Por fim, a última razão: George poderia ainda estar preocupado em dividir informação sobre Qarth porque teria que revelar os segredos da Casa dos imortais e da ordem dos Magos qarthenos, da Sombra da Tarde que eles consomem e das árvores de casca preta e folhas azuis (represeiros de cor invertida) de onde a bebida é extraída.
A mais breve incursão em tais assuntos poderia revelar demais sobre a trama que Martin está reservando para os próximos livros. De fato, os magos de Qarth retornaram à cena em “A Dança dos Dragões” com Euron Greyjoy e chegaram a Westeros antes de Daenerys. Portanto, sua crescente importância como vilões revela um potencial para influenciar o próprio final da saga.
Assim, é natural que Martin procure contornar qualquer oportunidade de falar sobre os magos e a natureza de sua magia. É certo que, como uma organização milenar em Qarth, a Casa dos Imortais deve ter desempenhado papel ativo na proteção da cidade contra eventuais investidas dos valirianos e outros invasores. Assim, falar sobre a história de Qarth é, de certa forma, discutir a natureza dos poderes do magos.
Essas são as razões que consegui supor. Como vemos, todas essas especulações são muito coerentes… mas não temos como afirmar nada disto com convicção.
Com efeito, Qarth não é o único lugar do mundo conhecido que possui organizações secretas com perfil mágico. Yandel foi capaz de dedicar um capítulo inteiro a descrever Braavos em ricos detalhes (apresentando um mapa, inclusive) sem que nenhum segredo dos Homens sem Rosto fosse revelado em “O Mundo de Gelo e Fogo”. Outro capítulo foi dedicado à Asshai (onde também há magos qarthenos em atividade) e a cidade continua tão misteriosa e insondável como sempre. Porto Real foi muito citada e explorada, mas não ganhamos nenhum conhecimento novo sobre a Guilda dos Alquimistas.
Assim, não há razão para acreditarmos que Martin não seria capaz de apresentar a história e a cultura de Qarth evitando discutir a natureza da magia praticada na Casa dos imortais.
Quanto ao Atador de Dragões, apesar de que a hipótese apresentada logre juntar os poucos elementos que temos à disposição de modo coerente, não há qualquer justificativa para nos fecharmos a outras possibilidade. Ou, questiono eu, seria absolutamente impossível que Martin alegasse que, no passado, um senhor de dragões valiriano sem montaria caiu em desgraça, passou por Qarth e vendeu seu valioso berrante para refazer sua fortuna? É uma explicação plausível.
Tampouco cabe alegar que um valiriano jamais cederia o berrante porque isso possibilitaria que Qarth desafiasse Valíria, pois, veja: independentemente de como o conseguiram, os magos têm um berrante. Se isso os pusessem em condições de competir com a península valiriana, o desafio já teria acontecido. E se o desafio já tivesse acontecido, Qarth teria se tornado sede de poder e teria seus próprios dragões. Como nada disso aconteceu, devemos concluir que o Atador de Dragões sozinho não tinha poder o suficiente para abalar Valíria.
Por outro lado, a carcaça de dragão em meio ao Deserto Vermelho dificilmente é prova contundente de coisa alguma, exceto de que ali foi o local do último descanso da fera. Pensar que a criatura era montada por um cavaleiro de dragão é mera especulação.
Ossos de dragão têm sido encontradas de Ibben a Sothoryos. Yandel acredita que isso é evidência de que essas criaturas, ainda que originárias das catorze chamas, “devem ter se espalhado pela maior parte do mundo conhecido antes de serem domados” (TWOIAF, História Antiga: A Ascensão de Valíria).
Além disso, há quem acredite que os dragões surgiram nas “Terras das Sombras para lá de Asshai e das ilhas do Mar de Jade“ (AGOT, Daenerys III). Portanto, os ossos no deserto vermelho podem ser apenas restos de um antigo dragão selvagem.
3. O mistério da fonte
Uma vez que Martin escolheu não nos dar uma fonte primária confiável sobre a história e cultura de Qarth, somente nos resta analisar a fonte a que ele faz remissão: o “Compêndio de Jade”, escrito por Colloquo Votar, um aventureiro de Volantis.
A obra de Votar foi mencionada primeira vez em “O Festim dos Corvos”, e depois novamente em “A Dança dos Dragões” e “O Mundo de Gelo e Fogo”. Na saga principal, porém, o livro não se limita a ser citado. Ele aparece na Muralha. Sam busca um exemplar nas bibliotecas subterrâneas de Castelo Negro para entregar a Meistre Aemon, que, depois de examiná-lo com ajuda de Clydas, o entrega ao Lorde Comandante Jon Snow.
Enquanto relia os livros para escrever esse artigo percebi pela primeira vez que o trecho em que Aemon e Jon conversam brevemente sobre o Compêndio de Jade aparece tanto em “O Festim dos Corvos” quanto em “A Dança dos Dragões” (AFFC, Samwell I; ADWD, Jon II). Fica parecendo que Martin achou por bem frisar aquela conversa.
Ao apresentar o Compêndio a Jon Snow, a intenção de Aemon era que o Lorde Comandante percebesse que a espada de Stannis não se parecia com a Luminífera da profecia de Azor Ahai. Jon chega a ler o livro, mas apenas nas páginas que o velho meistre fez Clydas marcar. O Lorde Comandante resume assim o trecho que leu (grifos nossos):
[…] – Eu olhei o livro que Meistre Aemon me deixou. O Compêndio de Jade. As páginas que falam de Azor Ahai. Luminífera era a espada dele. Temperada com o sangue de sua esposa, se é possível acreditar em Votar. Depois disso, Luminífera nunca foi fria ao toque, mas quente como Nissa Nissa havia sido quente. Em batalha, a lâmina queimava ardente em fogo. Uma vez Azor Ahai lutou com um monstro. Quando enfiou a espada pela barriga da criatura, o sangue do monstro começou a ferver. Fumaça e vapor saíram de sua boca, os olhos derreteram e escorreram pela sua face, e seu corpo explodiu em chamas.
Clydas piscou.
– Uma espada que faz seu próprio calor…
– … seria uma coisa boa na Muralha. – Jon colocou a taça de vinho de lado e vestiu as luvas negras de pele de toupeira. – Uma pena que a espada que Stannis empunha é fria. […]
(ADWD, Jon III)
A parte em negrito acrescenta fatos novos à versão da lenda de Azor Ahai que nos foi contada em “A Fúria dos Reis” por Sallador Saan. Desse modo, parece que o Compêndio conta com uma versão mais completa do mito. E esta versão teria sido resultado das viagens de um estrangeiro, Colloquo Votar, por “todas as terras do Mar de Jade” (AFFC, Samwell I ; ADWD, Jon II). E entre as terras estão Qarth, Yi Ti e Leng.
Por coincidência, este é o livro cujo relato sobre Qarth é, na opinião de meistre Yandel, a melhor fonte de informações que Westeros tem sobre a cidade e arredores (TWOIAF, Além do Reino do Pôr do Sol: Outras Terras ; TWOIAF, Os Ossos e Além: Yi Ti). O livro provavelmente também é a fonte mais completa. Caso contrário Yandel não se limitaria a dizer ao leitor para consultar o “Compêndio”.
Obviamente, a declaração de Yandel foi a forma achada por George Martin para nos dizer que só teremos acesso ao Compêndio (e a informações sobre Qarth) através do que as personagens nos contarem. Entretanto, ao colocar as coisas assim, Martin também nos revela que o Compêndio deve conter informações relevantes inéditas.
Mas quais são as informações que o “Compêndio de Jade” nos deu até o momento?
Samwell Tarly se refere ao livro como “um grosso volume de contos e lendas do Oriente” (AFFC, Samwell I), e realmente contos e lendas é tudo que sabemos haver nele. Segue a lista do que ouvimos falar:
  1. A versão mais completa que já ouvimos sobre a lenda de Azor Ahai e Luminífera, transcrita acima (ADWD, Jon III);
  2. uma lenda curiosa de Yi Ti sobre uma mulher com uma cauda de macaco que logrou trazer de volta o sol, após este ter escondido seu rosto da terra por uma geração – a lifetime, em inglês –, envergonhado de algo que ninguém jamais descobriu o que era (TWOIAF, História Antiga: A Longa Noite);
  3. O melhor relato sobre Qarth, na opinião de meistre Yandel (TWOIAF, Além do Reino do Pôr do Sol: Outras Terras);
  4. A afirmação de que, sob cada cidade de Yi Ti, existem outras três cidades mais antigas enterradas (TWOIAF, Os Ossos e Além: Yi Ti);
  5. o relato de que a Imperatriz de Leng, em pelo menos quatro vezes na história da ilha, condenou todos os estrangeiros da ilha à morte com base em ordens recebidas dos “Antigos”, deuses que viviam nas profundezas das cidades subterrâneas em ruína (TWOIAF, Os Ossos e Além: Leng).
Podemos observar que, fora o que já tratamos ao longo deste artigo, somente temos informações sobre Yi Ti e Leng, regiões que a primeira vista não são de interesse para a trama principal.
Ademais, das três informações, somente uma faz referência indireta a algo de interesse da trama principal: uma lenda sobre a experiência de Yi Ti durante a Longa Noite, em que uma heroína com cauda de macaco salvou o mundo de uma catástrofe.
Ocorre que essa lenda em específico parece reverberar na cultura de Yi Ti até os dias de hoje, da mesma forma como a lenda de Azor Ahai parece estar entranhada nos costumes dos qarthenos.
Não parece ser à toa que o livro pelo qual os westerosis tem a mais completa fonte de informações sobre Qarth é aquele que também contém a versão mais completa da lenda de Azor Ahai.
Explico: há algum tempo, leitores absolutamente detalhistas sugeriram que os vestidos femininos dos qarthenos, que deixam um seio exposto seriam uma referência à Nissa Nissa, a quem, segundo a lenda, Azor Ahai teria ordenado “desnude o peito, e fique sabendo que a amo mais do que a qualquer outra coisa no mundo” (ACOK, Davos I) antes de temperar luminífera em seu coração.
Isso já me soava como algo que se encaixa bem com o estilo de criação de mundo de Martin. Quando, à luz disso, eu li sobre a heroina com cauda de macaco, imediatamente me lembrei que Daenerys havia observado no mercado oriental de Vaes Dothraki “os homens de olhos brilhantes de Yi Ti com seus chapéus de cauda de macaco” (AGOT, Daenerys VI) e que “um gordo comerciante de tecidos de Yi Ti regateava com um pentoshi o preço de um corante verde qualquer, fazendo oscilar de um lado para o outro a cauda de macaco do chapéu quando balançava a cabeça” (AGOT, Daenerys VI).
Portanto, me sinto forçado a concluir que a influência que os mitos da Longa Noite exerceram sobre a moda de Yi Ti e Qarth foi criada para servir de exemplo de equiparação.
Este caso foi feito para servir de parâmetro e possibilitar ao leitor decifrar as correlações entre os eventos descritos no Compêndio de Jade e elementos da vida cotidiana das personagens, escondidas sob a fachada de contos e lendas de terra estranhas.
Por isso, acredito que o silêncio de Martin sobre Qarth funciona como convite à reflexão das evidências cifradas a nossa disposição. E, conforme se vê da lista acima, há no mínimo mais dois de relatos do livro de Colloquo Votar cuja funções na narrativa permanecem desconhecidas.
O que vocês acham?
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2020.05.31 11:17 AnnoyedMaoist Presidente Mao: Declaração de apoio aos negros americanos em sua justa luta contra a discriminação racial pelo imperialismo dos EUA

Um líder Negro Americano agora refugiado em Cuba, Sr. Robert Willlians, o presidente anterior de Moroe, Carolina do Norte, sede local da Associação Nacional para o Avanço de Pessoas de Cor, já me pediu duas vezes uma declaração em apoio à luta dos Negros Americanos contra a descriminação racial. Eu gostaria de aproveitar essa oportunidade, em nome do povo chinês, para expressar nosso apoio resoluto aos Negros Americanos em sua luta contra a descriminação racial, pela liberdade e direitos iguais.
Há mais de 19 milhões de Negros nos Estados Unidos, ou cerca de 10 por cento da população total. A posição deles na sociedade é aquela da escravização, opressão e discriminação. A esmagadora maioria dos Negros é privada de seu direito ao voto. Em geral, somente os trabalhos mais penosos e desprezados estão abertos a eles. A média de seus salários varia somente de um terço à metade daqueles dos homens brancos. A taxa de desemprego entre eles é a mais alta. Em muitos estados eles não podem ir às mesmas escolas, comer à mesma mesa, ou se assentar na mesma seção de ônibus ou trem que as pessoas brancas. Negros são frequente e arbitrariamente perseguidos, espancados e assassinados por autoridades dos EUA de vários níveis e membros da Ku Klux Klan e outros racistas. Cerca de metade dos Negros Americanos estão concentrados em onze estados no sul dos Estados Unidos. Lá, a discriminação e perseguição que eles sofrem são particularmente alarmantes.
Os Negros Americanos estão despertando, e sua resistência está crescendo ainda mais forte. Nos últimos anos, a luta de massas dos Negros Americanos contra a discriminação racial e em prol da liberdade e direitos iguais vem se desenvolvendo constantemente.
Em 1957, o povo Negro em Little Rock, Arkansas, travou uma luta feroz contra a restrição de suas crianças nas escolas públicas. As autoridades usaram força armada contra eles, e resultou no incidente em Little Rock que chocou o mundo.
Em 1960, Negros em mais de vinte estados mantiveram demonstrações de “sente-se” em protesto contra a segregação racial em restaurantes locais, lojas e outros lugares públicos.
Em 1961, os Negros lançaram a campanha dos “cavaleiros da liberdade” para se opor à segregação no transporte, uma campanha que rapidamente se estendeu a muitos estados.
Em 1962, os negros no Mississipi lutaram por direitos iguais de matrícula em faculdades e foram saudados pelas autoridades com repressão que culminou em um banho de sangue.
Este ano, a luta dos Negros Americanos começou em abril em Birmingham, Alabama. Desarmados, com as mãos limpas, massas de Negros foram sujeitas a prisões indiscriminadas e a mais bárbara repressão meramente porque eles estavam fazendo encontros e paradas contra a discriminação racial. Em 12 de junho, um extremo foi alcançado com o assassinato cruel do Sr. Medgar Evers, um líder do povo Negro no Mississipi. Essas massas Negras incitadas à indignação e intrépidas diante da violência implacável, continuaram suas lutas ainda mais corajosa e rapidamente e ganharam o apoio de Negros de todas as camadas e de pessoas de todos os estados Unidos. Uma luta gigante e vigorosa por toda nação está seguindo em quase todos os estados e cidades nos Estados Unidos, e a luta continua em ascensão.
O desenvolvimento veloz da luta dos Negros Americanos é uma manifestação do constante agravamento da luta de classes e da luta nacional nos Estados Unidos; isso tem causado grave ansiedade na camarilha dominante dos EUA. A administração Kennedy recorreu a táticas ardilosas de “duas caras”. Por um lado, continua a ser conivente e tomar parte na discriminação contra os Negros e na sua perseguição; até mesmo manda tropas para reprimi-los. Por outro lado, está desfilando como um defensor da “defesa dos direitos humanos” e da “proteção dos direitos civis dos Negros”, está convocando o povo Negro a exercer “moderação”, e está propondo ao Congresso a assim chamada “legislação de direitos civis” em uma tentativa de paralisar o desejo de luta do povo Negro e enganar as massas através do país. No entanto, essas táticas da Administração Kennedy estão sendo vistas por mais e mais Negros. As atrocidades fascistas cometidas pelos imperialistas dos EUA contra o povo Negro expuseram a nu a verdadeira natureza da assim chamada democracia e liberdade nos Estados Unidos e revelaram a ligação intrínseca entre as políticas reacionárias seguidas pelos Estados Unidos no interior e suas políticas de agressão no exterior.
Eu convoco os operários, camponeses, intelectuais revolucionários, elementos esclarecidos da burguesia, e outras personalidades esclarecidas de todas as cores no mundo, brancos, negros, amarelos, marrons etc., a unir-se à oposição à discriminação racial praticado pelo imperialismo dos EUA e apoiar os Negros Americanos em sua luta contra a discriminação racial. Em análise final, uma luta nacional é uma questão de luta de classes. Nos Estados Unidos, é somente a camarilha dominante entre os brancos que está oprimindo o povo Negro. Eles não podem de forma alguma representar os operários, agricultores, intelectuais revolucionários e outras personalidades esclarecidas que compreendem a maioria esmagadora das pessoas brancas. Atualmente, ela é um punhado de imperialistas, encabeçados pelos Estados Unidos, e seus apoiadores, os reacionários em diferentes países, que estão defendendo a opressão, agressão e intimidação contra a esmagadora maioria das nações e povos do mundo. Eles são a minoria, e nós somos a maioria. Em sua totalidade eles perfazem menos de 10% dos 3 bilhões de pessoas do mundo. Eu estou profundamente convencido de que, com o apoio de mais de 90% das pessoas do mundo, a luta justa dos Negros Americanos certamente será vitoriosa. O sistema maligno do colonialismo e imperialismo cresceu juntamente com a escravização de Negros e a venda de Negros; ele chegará certamente ao seu fim com a completa emancipação do povo Negro.
Por Presidente Mao Tsé-tung, publicado no Peking Review No. 33, 1963.
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2020.04.13 04:42 altovaliriano Jon Snow (Parte 3)

O Jon que encontramos em A Fúria dos Reis é alguém decidido a fazer parte da Patrulha e seguir para o Norte com o Lorde Comandante Mormont para a batalha contra os selvagens.
Como sua lealdade foi testada durante A Guerra dos Tronos, é natural que Jon esteja em paz com seu papel na hierarquia da Patrulha e dedique suas forças e coragem para cumprir suas ordens. Por essa razão, não surpreende que Jon tenha evitado o bordel de Vila Toupeira mesmo diante da perspectiva de não retornar vivo. Quanta ironia que a última ordem que Jon recebe em A Fúria dos Reis (dada por Qhorin Meia-mão) seja justamente quebrar seus votos e trair a Patrulha.
A primeira cena de Jon em A Fúria dos Reis é interessante. Ele procura por Samwell na biblioteca de Castelo Negro e não compreende o interesse do amigo pelo local.
– Talvez você se surpreendesse. Esta galeria é um tesouro, Jon.
– Se você diz...
Jon tinha dúvidas. Tesouro queria dizer ouro, prata e joias, não poeira, aranhas e couro apodrecido.
(ACOK, Jon I)
Essa reação é curiosa, pois vimos como a educação formal de Jon o distinguia dentro da Muralha. É claro que ninguém pretende comparar a erudição de Tarly com a de Jon, mas retratar Jon como alguém que somente se interessa por conhecimento com utilidade prática é algo soa bastante Eddard Stark. Em contrapartida, Rhaegar Targaryen seria alguém mais parecido com Samwell.
Mas talvez este desinteresse tenha sido Martin plantando um desejo momentâneo por mais ação. Pois é certo que, uma vez que eles entram na Floresta Assombrada, a erudição de Tarly não serve para muito diante da amplitude de coisas inexplicáveis que ocorrem nas terras para-lá-da-Muralha.
Ao chegar em Brancarbor, Jon afirma poder sentir o poder do enorme represeiro no meio da vila. Não fica muito claro o sentimento que perpassa o personagem naquele momento. Ficamos sem saber se o rapaz sentia realmente a presença de algo sobrenatural ou apenas estava fazendo uma metáfora para o quão impressionante aos olhos era a velha árvore.
Outro evento que escapa à razão se dá quando a Patrulha está montando acampamento no Punho dos Primeiros Homens. Fantasma passa a se comportar estranhamento no local, se mostrando desobediente a Jon de forma até então inédita. O lobo se nega a entrar nas ruínas e, quando finalmente entra, começa a chamar Jon para seguí-lo (outra coisas que não o vemos fazer em nenhum outro momento).
No momento em que Jon é levado por Fantasma até a trouxa com as armas de obsidiana e o berrante de chifre de auroque, o pacote está coberto por “um montículo arredondado de terra mole”, o que dá a entender que alguém o havia enterrado ali recentemente. Mas quem quer que tenha enterrado os itens ali o fez para serem achado especificamente por Jon?
A escolha de Jon para fazer parte da equipe de Qhorin Meia-mão é outro momento em que o rapaz é tratado como escolhido pelos deuses.
– Muito bem. Escolho Jon Snow.
Mormont pestanejou:
– Ele é pouco mais do que um rapaz. E, além disso, é meu intendente. Nem sequer é patrulheiro.
– Tollett também pode cuidar do senhor – Qhorin ergueu sua mão mutilada, com apenas dois dedos. – Os deuses antigos ainda são fortes para lá da Muralha. Os deuses dos Primeiros Homens… e dos Stark.
(ACOK, Jon V)
Logo quando estes dois se conhecem, Qhorin logo quer saber em saber onde está Fantasma, que não está presente. Com isso, o patrulheiro estabelece interesse pelos predicados místicos de Jon. Esta inclinação de Qhorin pelo sobrenatural se repete quando ele afirma que Mance está reunindo tropas Presas de Gelo porque estaria atrás de um “poder” mágico, enquanto que Mormont pensa que isso ocorreu para esconder suas tropas dos olhos da Patrulha.
Para a sorte de Qhorin, sua aposta em Jon deu resultado. O rapaz teve um vívido sonho de warg dentro de Fantasma enquanto o lobo se aproximava do exército de Mance Rayder, poupando o trabalho dos patrulheiros. Entretanto, o afloramento deste poder através da intervenção de Bran parece ter sido um modo que GRRM achou de tornar este evento único. Ou seja, Martin o fez dessa forma para parecer que Jon não conseguiria repetir o feito sozinho. E como se vê nos livros seguintes, Jon não entra na pele de Fantasma em sonhos futuros.
De todo modo, Jon não consegue evitar a fama de troca-pele. Ela é suscitada na Muralha e entre o Povo Livre. Jon deve à intervenção hábil de Ygritte sua vida, caso contrário o bando de Camisa de Chocalho poderia estar duplamente disposto a matar um patrulheiro que também era um troca-pele, tivesse ele se rendido ou não.
Assim, fica claro que A Fúria dos Reis envolve um arco mais mágico de Jon nas terras para-lá-da-Muralha. Em contrapartida, A Tormenta de Espadas vai se focar em conflitos internos, no teste de suas lealdades e nas consequências de suas escolhas.
A jornada de Jon com Mance é bem exemplificativa disto. Inicialmente, Jon trata Mance como inimigo em seu íntimo para no final do livro ouvir que seu plano de “conquista” dos Sete Reinos é apenas uma fuga dos Outros. Jon tanto simpatiza pela causa de Mance que assume-a para si quando pensa que Mance estava morto, ao ponto de deixar a Patrulha à beira do motim (que só ocorreu quando ele quebra seus votos para tentar enfrentar Ramsay).
Mas essa empatia por Mance é cultivada por todo o livro. Logo no primeiro encontro, quando Mance parecia ser um completo estranho, GRRM habilmente introduz Mance na infância de Jon, fazendo com que o rapaz experimente a sensação de familiaridade por Rayder.
– [...] Você era só um garoto e eu estava todo de preto, fazia parte de uma dúzia que escoltou o velho Senhor Comandante Qorgyle quando ele desceu até Winterfell para um encontro como seu pai. Eu percorria a muralha em volta do pátio quando me deparei com você e seu irmão Robb. Nevara na noite anterior, e vocês tinham feito uma grande montanha por cima do portão e estavam esperando que alguém passasse por baixo.
– Eu me lembro – disse Jon, surpreso, comuma gargalhada. Um jovem irmão negro no adarve, sim. – Jurou não contar.
(ASOS, Jon I)
Por outro lado, Mance teve motivo para matar Jon duas vezes (quando o garoto mentiu no Punho dos Primeiros Homens e quando seu acampamento foi atacado enquanto Jon foi enviado por Janos Slynt para matar Mance Rayder). Contudo, em nenhuma das duas oportunidades o fez. Na verdade, pouco antes de ser capturado por Stannis, Mance estava explicando que gostava de Jon (apesar de não confiar nele).
Na verdade, durante o ataque de Stannis o próprio Jon teve a oportunidade de finalmente matar Mance e terminar o conflito. Porém, durante o capítulo, o rapaz não fez outra coisa senão avaliar como seria impróprio matar Mance naquelas circuntâncias, demonstrando que não mais o enxergava como um inimigo a ser eliminado a qualquer custo.
No caso do conflito envolvendo Ygritte a coisa é mais óbvia. Mesmo acossado por tipos como Alliser Thorne e Janos Slynt, Jon provou estar mais inclinado à ser leal à Patrulha do que aos desejos românticos. Ainda que Jon não tenha sido capaz de atirar na garota quando a teve sob a mira do arco (nem para retribuir a flecha que ele supõe que ela lhe atirou em Coroadarrainha), o rapaz nunca investigou quem foi que efetivamente atirou em Ygritte, apenas aceitando sua morte como decorrente do conflito.
Na verdade, a única ponta solta relevante que sobrou do evento em Coroadarrainha foi que Jon teve indícios de que Bran estaria vivo. Ou ao menos, vivendo uma segunda vida.
Em Coroadarrainha vi um lobo gigante, um lobo gigante cinza... cinza... ele me reconheceu. – Se Bran estava morto, poderia uma parte dele sobreviver em seu lobo, tal como Orell vivia no interior de sua águia?
(ASOS, Jon VI)
Estas especulações abrem uma grande brecha para novas direções na história, haja vista que o próprio Jon pode estar à beira de ele mesmo viver uma segunda vida em Fantasma. Assim, não pareceria tão fora do personagem que ele fosse atrás do irmão, ao perceber que sua vida humana acabou.
O último aspecto que quero pontuar em A Tormenta de Espadas é os primeiros momentos do relacionamento de Stannis com Jon. Neste livro, Jon é apenas um intendente que recebe do autoproclamado rei uma oferta de ser legitimado, abjurar seus votos, se casar e herdar Winterfell.
Mesmo diante de uma perspectiva tão sonhada, Jon hesita (talvez da mesma forma que Tyrion hesita em casar com Sansa para ganhar os mesmos títulos e terras). Na verdade, Jon fica irado com a perspectiva, porque, como a lembrança de Catelyn parece indicar, isso faria com que ele se tornasse o usurpador que ela anunciava que ele se tornaria.
Por que estou tão zangado?, perguntou a si mesmo, mas era uma pergunta estúpida. Senhor de Winterfell. Poderia ser Senhor de Winterfell. Herdeiro de meu pai.
Mas não foi o rosto de Lorde Eddard que viu flutuando na sua frente; foi o da Senhora Catelyn. [...] Ela o olhava daquela maneira como costumava olhá-lo em Winterfell, sempre que ele se sobrepunha a Robb nas espadas, nas somas, ou em qualquer outra coisa.
(ASOS, Jon XII)
Entretanto, era levado pela necessidade. Afinal, ele sabia que Janos Slynt estava próximo de ganhar a eleição de Lorde Comandante, o que significava que aceitar a oferta poderia ser o único modo de manter sua vida.
Lorde Janos será escolhido Senhor Comandante. E isso deixa-me o quê, além de Winterfell?
(ASOS, Jon XII)
A parte estranha, que eu nunca consegui entender, é qual foi resposta a que Jon Snow chegou quando encontrou com Fantasma.
Ele e o lobo estavam afastados há algum tempo, desde que Jon teve que escalar a Muralha, quando então se reencontraram no dia em que Snow foi escolhido Lorde Comandante. Naquele dia, Jon estava do outro lado da Muralha, refletindo sobre a proposta de Stannis quando o lobo apareceu. Jon estava olhando para Fantasma quando teve a seguinte cadeia de pensamentos:
Olhos vermelhos, percebeu Jon, mas não como os de Melisandre. O lobo tinha olhos de represeiro. Olhos vermelhos, boca vermelha, pelo branco. Sangue e osso, como uma árvore-coração. Este pertence aos deuses antigos. E só ele, entre todos os lobos gigantes, era branco. Tinham encontrado seis filhotes nas neves do fimdo verão, ele e Robb; cinco que eramcinzentos, negros e castanhos, para os cinco Stark, e umbranco, tão branco como a neve. Snow.
Então obteve a sua resposta.
(ASOS, Jon XII)
Uma vez que a eleição de Jon como Lorde Comandante o impede de contar a Stannis esta resposta, nunca ficamos sabendo a quê conclusão o rapaz chegou. Ou eu estou entendendo errado?
No tópico do domingo que vem, vou analisar Jon em A Dança dos Dragões.

Perguntas

  1. Jon realmente sentiu algum poder sobrenatural na árvore de Brancarbor?
  2. As armas de obsidiana e o berrante de chifre de auroque eram destinados a serem encontrado por Jon?
  3. Bran despertou poderes de warg em Jon? Ou aquele foi um evento único, cuja repetição depende de nova intervenção de Bran (ou de outro vidente verde)?
  4. Qual era a resposta que Jon obteve olhando para Fantasma em ASOS, Jon XII?
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2020.04.12 04:33 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 7

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7

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Sinais e Portentos

Uma das habilidades mais impressionantes doeGRRM como escritor, em minha opnião, é sua capacidade de ocultar prenúncios [foreshadows] em cenas aparentemente irrelevantes a serem revisitadas pelo leitor, que maravilhará com elas. Por exemplo:
Quando Podrick quis saber o nome da estalagem onde esperavam passar a noite, Septão Meribald apegou-se avidamente à pergunta [...].
– Alguns a chamam Velha Estalagem. Ali existe uma estalagem há muitas centenas de anos, embora esta só tenha sido construída durante o reinado do primeiro Jaehaerys […].
Mais tarde, passou para um cavaleiro aleijado chamado Jon Comprido Heddle, que se dedicou a trabalhar o ferro quando ficou idoso demais para combater. Ele forjou um novo sinal para o pátio, um dragão de três cabeças em ferro negro que pendurou em um poste de madeira. [...]
– O sinal do dragão ainda está lá? – Podrick qui saber também.
– Não – Septão Meribald respondeu. – Quando o filho do ferreiro era já um velho, um filho bastardo do quarto Aegon ergueu-se em rebelião contra seu irmão legítimo e escolheu como símbolo um dragão negro. Estas terras pertenciam então a Lorde Darry, e sua senhoria era ferozmente leal ao rei. Ver o dragão de ferro negro o deixou furioso, e por isso derrubou o poste, fez o sinal em pedaços e os atirou ao rio. Uma das cabeças do dragão foi dar à costa na Ilha Quieta muitos anos mais tarde, embora nessa época estivesse vermelha de ferrugem. O estalajadeiro não voltou a pendurar outro sinal, e os homens esqueceram-se do dragão.
(AFFC, Brienne VII)
Aqui está a essência da teoria de que Aegriff é um pretendente de Blackfyre explicada por meio de brasões. O dragão negro retornando a Westeros via mar disfarçado de vermelho. Existem inúmeros pequenas recompensa nos livros para os fãs desenterrarem e, geralmente, quanto mais importante é a história, mais difusas são as dicas. R + L = J é provavelmente o atual campeão disso, com alusões a ela freqüentemente despontando em diálogos casuais sobre Jon ou envolvendo-o. Como por exemplo, esta conversa de quando ele soltar Val na Floresta Assombrada para encontrar Tormund:
[Jon:] Você voltará. Pelo menino, se não por outra razão. [...]
[Val:] Assegure-se de que esteja protegido e aquecido. Pelo bem da mãe dele, e pelo meu. E o mantenha longe da mulher vermelha. Ela sabe quem ele é. Ela vê coisas nas chamas.
Arya, ele pensou, esperando que fosse assim.
– Cinzas e brasas.
– Reis e dragões.
Dragões novamente. Por um momento, Jon quase os viu também, serpenteando na noite, suas sombras escuras delineadas contra um mar de chamas.
(ADWD, Jon VIII)
Muito irônico que, mais cedo, em seu próprio capítulo, Melisandre olhe para as chamas e veja Jon, como ela faz há algum tempo. Jon, que é é rei e dragão (se R+L=J for verdade).
Portanto, a questão agora é se o GRRM deixou pistas que levem à Grande Conspiração Nortenha.
Mais homens de neve haviam sido erguidos no pátio quando Theon Greyjoy voltou. Para comandar as sentinelas de neve nas muralhas, os escudeiros haviam erigido uma dúzia de senhores de neve. Um claramente pretendia ser Lorde Manderly; era o homem de neve mais gordo que Theon já vira. O senhor de um braço só podia ser Harwood Stout, a boneca de neve, Barbrey Dustin. E um que estava mais perto da porta com a barba feita de pingentes de gelo devia ser o velho Terror-das-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Que escolha interessante de bonecos de neve para citar e assim chamar à atenção. No mesmo capítulo, especula-se que Manderly, Terror-das-Rameiras, Stout e a Senhora Dustin formam uma espécie de corrente humana para transmitir informações sobre os Starks (a sobrevivência de Bran e Rickon, com certeza) com o fim derradeiro de trazer a Senhora Dustin e os Ryswells para a secreta liga anti-Bolton.
Ainda mais intrigante é o fato de que isso também pode ser lido como um jogo de palavras que sugerem o apoio norte de Jon. Assim como Wylla Manderly proclama sua lealdade aos Starks durante a audiência de seu avô com Davos, dizendo que os Manderlys juravam ser sempre “homens Stark”, se Lord Wyman e seus co-conspiradores decidissem apoiar o decreto de Robb de nomear Jon seu herdeiro, eles seriam "homens de neve" [Snow men].
Outro conjunto de pistas em potencial está na escolha de músicas de Manderly durante a festa do casamento (ADWD, O príncipe de Winterfell). Por que Manderly quer que Abel contemple os Freys com uma música sobre o Rato Cozinheiro já foi discutido, mas qual das outras duas músicas ele pede pelo nome? Os tristes contos de Danny Flint e "A Noite que Terminou".
Fortenoite surgia em algumas das histórias mais assustadoras da Velha Ama. Tinha sido ali que o Rei da Noite reinou, antes de seu nome ter sido varrido da memória dos homens. Foi ali que o Cozinheiro Ratazana serviu ao rei ândalo seu empadão de príncipe e bacon, que as setenta e nove sentinelas mantiveram-se de vigia, que o bravo jovem Danny Flint foi violado e assassinado.
(ASOS, Bran IV)
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[Jon:] Mance alguma vez cantou Bravo Danny Flint?
[Tormund:] Não que eu me lembre. Quem era ele?
– Uma garota que se vestiu de menino para tomar o negro. Sua canção é triste e bonita. O que aconteceu com ela não foi. – Em algumas versões da canção, seu fantasma ainda caminhava pelo Fortenoite.
(ADWD, Jon XII)
Já foi teorizado que o elemento chave da história de Danny Flint que Manderly tem em mente é a farsa por meio de uma identidade falsa. Jeyne Poole é outra garota que finge ser alguém que não é e, embora o faça sob coação, seu destino é tão terrível quanto o de Danny Flint.
Manderly pode ter desvendado a falsa Arya? Como? Na verdade, duas falsas Aryas são analisadas e julgadas não convincentes - primeiro Jeyne por Theon (ADWD, Fedor II), depois Alys Karstark por Jon (ADWD, Jon IX). Theon percebe imediatamente que os olhos de Jeyne são castanhos, não cinza. Jon também verifica o cabelo e a cor dos olhos de Alys, que combinam com os de Arya, mas percebe que ela é velha demais para ser sua irmã mais nova. O mesmo vale para Jeyne, que era a melhor amiga de Sansa e, portanto, provavelmente da mesma idade dela, alguns anos mais velha que Arya. A questão é que o estratagema dos Bolton não é perfeito, e uma pessoa familiarizada com Arya pode identificar as discrepâncias. Existe alguém assim em Winterfell além de Theon?
Os Cerwyns são bons candidatos, em minha opinião. Eles moram a apenas meio dia de viagem de Winterfell (ACOK, Bran II) e pode-se esperar que tenham visitado os Starks com frequência suficiente para observar Arya de perto. O próprio Mance Rayder é outro, tendo supostamente aparecido em Winterfell durante o festim real em A Guerra dos Tronos com o propósito declarado de espiar. Harwin, se ele é realmente o misterioso homem encapuzado que Theon encontra. Outros senhores do Norte talvez também suspeitem, pois se interessariam em Arya pelas perspectivas de seu casamento.
Por fim, “A Noite que Terminou” é aparentemente uma música que comemora a última Longa Noite e a vitória da humanidade sobre os Outros.
Muito mais tarde, depois de todos os doces terem sido servidos e empurrados para baixo com galões de vinho de verão, a comida foi levada e as mesas encostadas às paredes para abrir espaço para a dança. A música tornou-se mais animada, os tambores juntaram-se a ela, e Hother Umber apresentou um enorme corno de guerra encurvado com faixas de prata. Quando o cantor chegou à parte de A Noite que Terminou, em que a Patrulha da Noite avançava ao encontro dos Outros na Batalha da Madrugada, deu um sopro tão forte que fez todos os cães latirem.
(ACOK, Bran III)
Em conjunto, a playlist de Manderly no casamento diz àqueles inteligentes o suficiente para ouvir que ele não está se deixando enganar pelas mentiras dos Bolton, ele já derramou sangue Frey às escondidas e seu lado será o vencedor no final. Há outra singularidade em sua seleção de músicas, no entanto. Uma que sugere novamente uma conexão com Jon. Todos as três cançoes são sobre a Patrulha da Noite.
O Rato Cozinheiro era um irmão negro que se vingou, e Danny Flint queria ser um. " A Noite que Terminou " apresenta a Patrulha em glorioso triunfo sobre os Outros, salvando o reino no processo. Certamente, há outras músicas sobre garotas bonitas disfarçadas e mentirosas recebendo sua punição, ou sobre vitórias Stark sobre os ândalos, selvagens ou homens de ferro que Manderly poderia ter pedido. A menos que ele (ou GRRM!) esteja, de fato, inserindo outro ponto muito sutil com isso: que Jon Snow não tenha sido esquecido pelos vassalos leais de seu falecido pai e irmão.
E há uma terceira referência a Jon! Quais são os nomes das duas garotas que tão comovente e retumbantemente falam do amor do Norte pelos Starks? Wylla Manderly e Lyanna Mormont. Pode ser simples coincidência que uma compartilhe um nome com a ama de leite de Jon (que Ned afirmou ser sua mãe) e a outro tenha o nome da verdadeira mãe biológica de Jon (assumindo R + L = J como verdadeiro). Uma vez que estamos falando das Crônicas de Gelo e Fogo , no entanto, eu digo que provavelmente não é coincidência.
Um último potencial prenúncio tem a ver com Stannis e sua campanha para ganhar o Norte.
Stannis estendeu uma mão, e seus dedos fecharam-se emvolta de uma das sanguessugas.
– Diga o nome – ordenou Melisandre.
A sanguessuga retorcia-se na mão do rei, tentando se prender a umde seus dedos.
– O usurpador – disse ele. – Joffrey Baratheon. – Quando atirou a sanguessuga no fogo, ela enrolou-se entre os carvões como uma folha de outono e incendiou-se.
Stannis agarrou a segunda.
– O usurpador – declarou, dessa vez mais alto. – Balon Greyjoy. – Deu-lhe um piparote ligeiro para dentro do braseiro […]
A última sanguessuga estava na mão do rei. Estudou aquela por ummomento, enquanto se contorcia entre seus dedos.
– O usurpador – disse por fim. – Robb Stark. – E atirou-a para as chamas.
(ASOS, Davos IV)
Joffrey, Balon e Robb morrem nas mãos de homens, cujos planos estão em andamento muito antes de Stannis realizar qualquer ritual, não porque sejam amaldiçoados magicamente ou porque R'hllor quer que seja assim. Para que serve Stannis queimando as sanguessugas? Em seu capítulo em A Dança dos Dragões, vimos Melisandre apostar pesado nas aparências como uma maneira de conservar sua influência, mantendo os homens admirados por sua aura de misticismo. Uma demonstração de poder, a fim de recuperar a confiança de Stannis, não seria ruim após a derrota desastrosa no Àgua Negra e, por mais risíveis que tenham sido suas interpretações sobre Azor Ahai, Melisandre consegue prever eventos de importância política em suas chamas, às vezes com detalhes e precisão impressionantes.
[Jon:] Outros senhores se declararam por Bolton também?
A sacerdotisa vermelha deslizou para mais perto do rei.
– Vi uma cidade com muralhas de madeira, ruas de madeira, cheia de homens. Estandartes se agitavam sobre suas muralhas: um alce, um machado de batalha, três pinheiros, machados de cabos longos cruzados sob uma coroa, uma cabeça de cavalo com olhos flamejantes.
– Hornwood, Cerwy n, Tallhart, Ryswell e Dustin – informou Sor Clayton Suggs. – Traidores, todos. Cãezinhos de estimação dos Lannister.
(ADWD, Jon IV)
Melisandre vê nas chamas que Joffrey, Balon e Robb não demorarão muito no mundo dos vivos e orquestra uma pequena farsa para Stannis; portanto, quando a notícia de suas mortes chegar até ele, sua crença nela e em suas habilidades será reforçada. Como tudo isso é relevante para a Grande Conspiração Nortenha? Lorde Bolton é chamado por alguns de Senhor Sanguessuga pelas sanguessugas que frequentemente usa para tratamentos de saúde.
[Roose:] Tem medo de sanguessugas, filha?
[Arya:] São só sanguessugas. Senhor.
– Meu escudeiro poderia aprender alguma coisa com você, ao que parece. Sangramentos frequentes são o segredo de uma vida longa. Um homem tem de se purgar do sangue ruim.
(ACOK, Arya IX)
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O quarto do senhor estava cheio de gente quando [Arya] entrou. Qyburn encontrava-se presente, bem como o severo Walton com seu camisão e grevas, além de uma dúzia de Frey, todos eles irmãos, meios-irmãos e primos. Roose Bolton estava na cama, nu. Sanguessugas aderiam à parte de dentro de seus braços e pernas e espalhavam-se por seu peito pálido, longas coisas translúcidas que se tornavam de um cor-de-rosa cintilante quando se alimentavam. Bolton não prestava mais atenção nelas do que em Arya.
(ACOK, Arya X)
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– O que você quer agora? – Gendry perguntou numa voz baixa e zangada.
[Arya:] Uma espada.
– O Polegar Preto mantém todas as lâminas trancadas, já lhe disse mais de cem vezes. É para o Senhor Sanguessuga?
(ACOK, Arya X)
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Os olhos de Harwin desceramdo rosto de Arya para o homem esfolado que trazia no gibão.
– Como é que me conhece? – disse, franzindo a testa, desconfiado. – O homem esfolado... quem é você, algum criado do Lorde Sanguessuga?
(Arya II, ASOS)
Qyburn, Jaime e a Senhora Dustin também observam a associação de Roose com sanguessugas (ASOS, Jaime IV / ADWD, O Príncipe de Winterfell). Figurativamente falando, Stannis está novamente queimando sanguessugas para se exibir em sua guerra contra os Boltons, esperando convencer os nortenhos a apoiarem sua tentativa pelo Trono de Ferro. Mas, assim como o teatro de Melisandre não resulta em nada além de aprofundar a confiança de Stannis nela, os experimentos de Stannis em A Dança dos Dragões podem ser inúteis caso outro Stark seja proclamado rei no norte. E há uma dica de que isso acontecerá.
A voz de Melisandre era suave. – Lamento, Vossa Graça. Isso não é um fim. Mais falsos reis irão se erguer em breve para tomar a coroa daqueles que morreram.
– Mais? – Stannis parecia comvontade de esganá-la. – Mais usurpadores? Mais traidores?
– Vi nas chamas.
(ASOS, Davos V)
Em A Dança dos Dragões, mais reis falsos parecem ter substituído os que morreram, como profetiza Melisandre. Tommen assume a coroa de Joffrey e Euron a de Balon. E a coroa de Robb? Quem é o novo rei do norte?
Roose pode ter algumas ambições por lá (ADWD, O Príncipe de Winterfell), mas ele ainda não desafiou o Trono de Ferro ou os Lannisters, que o nomearam Protetor do Norte. De qualquer forma, é improvável que ele pudesse ganhar o apoio dos nortenhos, que prefeririam que um Stark os governasse. Pessoalmente, acho que a opção mais dramática para o próximo usurpador e traidor é Jon, que ganhou o respeito relutante de Stannis por um conselho honesto e pode continuar tendo discussões tensas (leia-se: divertidas!) com ele, de uma maneira que Rickon, de cinco anos de idade, bem, realmente não conseguiria.

Um tempo para lobos

Uma objeção comum à Grande Conspiração Nortenha é que, por mais persuasivo que seja, é otimista demais acreditar que GRRM permitirá que os Starks e seus aliados triunfem. Afinal, ele ganhou reputação por subverter clichês de fantasia de bem vs. Mal, e por matar ou mutilar personagens amados enquanto saboreia as lágrimas amargas de seus leitores.
GRRM é realmente tão pouco convencional? A morte de Ned Stark em A Guerra dos Tronos é frequentemente citada como o momento em que a ASOIAF rompe com as tradições de gênero, transcendendo a tendência juvenil da fantasia por finais de contos de fadas cortando a cabeça do protagonista. No entanto , eu argumentaria que não apenas os críticos da fantasia são os culpados por estereotipar e simplificar outros trabalhos como Senhor dos Anéis a ponto de não fazer sentido, em uma demonstração de memória seletiva. A própria estrutura narrativa da ASOIAF disfarça o fato de que Ned nunca foi o herói da história de GRRM, para começo de conversa.
Ned é uma figura paterna, um mentor protetor e guia do tipo que quase sempre morre, às vezes antes de o primeiro ato de uma fantasia épica terminar (vide Obi-wan Kenobi). As crianças Stark nunca se desenvolveriam de verdade por si mesmas, a menos que o “porto seguro” Ned fosse removido, assim como Harry Potter não pôde depender de Dumbledore em seu confronto final com Voldemort. Dadas as habilidades de vidente verde de Bran, Ned pode até aparecer do além-túmulo para transmitir sabedoria ou divulgar segredos como fizeram Obi-wan e Dumbledore. Tudo isso é bastante convencional. GRRM é simplesmente um mestre da desorientação, e sua manipulação é evidente em muitas das grandes reviravoltas de ASOIAF.
Robb? Nunca teve um ponto de vista. Contos da carochinha sobre reinos perdidos por coisas pequenas são tão comuns quanto as sagas de reis guerreiros heróicos vitoriosos em conquista. As lendas arturianas, por exemplo, contam sobre a fundação da utópica Camelot e a morte de Arthur nas mãos de seu filho bastardo com sua meia-irmã, e sua rainha fugindo com um de seus cavaleiros.
GRRM explora inteligentemente o desejo do leitor de ver Ned vingado. Os Starks se reúnem para distrair os leitores para o prenúncio da morte de Robb no sonho de Theon (com um banquete de mortos em Winterfell) e as visões de Dany na Casa dos Imortais, ambos em A Fúria dos Reis.
Portanto, se a previsibilidade no desdobramento de um enredo não serve como teste para teoria dos fãs, em quais critérios os leitores da ASOIAF podem confiar? Penso que a questão-chave que deve ser colocada em qualquer especulação é: "como isso faz a história avançar?"
A Guerra dos Cinco Reis está marcada pelas mortes de Ned e Robb, a primeira instigando o conflito e a segunda efetivamente encerrando-o – ou pelo menos limpando a lousa para a próxima rodada. Por outro lado, em minha opinião, é narrativamente fraca a ideia de que Jon Snow está permanentemente morto e que seu assassinato levará à queda da Muralha, pensando-se que o atentado sozinho seja capaz de trazer caos a Castelo Negro, pois assim também perderemos Jon como personagem pelo resto da série, tornando inúteis todas aquelas páginas gastas em fazer dele indivíduo e não um simples instrumento do enredo.
Voltando finalmente à Grande Conspiração Nortenha, o que vejo como um dos principais problemas de GRRM em Os Ventos do Inverno é que, depois de cinco livros e quase duas décadas, os Outros ainda não causaram muito impacto. O apocalipse dos zumbis de gelo prometido no prólogo de A Guerra dos Tronos é bom acontecer em breve ou GRRM pode ser justamente acusado de deixar sua história inchar até ficar anticlimática.
Além disso, quando os Outros invadirem inevitavelmente Westeros, eles devem fazê-lo com poder devastador, a fim de estabelecer sua credibilidade como uma ameaça ao reino. No entanto, como pode o Norte, nas condições em que se encontra em A Dança dos Dragões – já devastado pela guerra e pelo inverno, dividido pela política e pelos conflitos de sangue, além de amplamente ignorante do perigo para-lá-da-Muralha –, suportaria realisticamente esse ataque? E as casas do norte, assim como os homens, devem sobreviver em número significativo.
Caso contrário, a tarefa de vencer a Batalha da Alvorada recairá inteiramente sobre Dany, seus dragões, quaisquer forças que a acompanhem de Essos e quaisquer senhores do sul que possam ser convencidos a prestar atenção nela. Acho essa uma perspectiva bastante desagradável, sem mencionar tematicamente inconsistente com o título da série, em que apenas os seres inumano feitos de gelo desempenham papéis principais.
Se for verdade, a Grande Conspiração Nortenha tem o benefício de rapidamente unificar o Norte novamente sob o comando dos Starks, que provavelmente serão liderados por Jon como o mais velho e com mais experiência militar aparente. Isso não recupera magicamente as baixas sofridas pelo Norte durante a guerra, nem produz colheitas para alimentar seu povo faminto e com frio (a menos que Sansa conquiste o Vale), mas garante que as Casas do norte viverão para, em minha opinião, participar do objetivo final de ASOIAF.
As bases para um ressurgimento Stark foram lançadas durante Festim e Dança. Os senhores do rio derrotados estão descontentes e os nortenhos mantêm fé nos Stark. Os Frey são párias para inimigos e aliados, enquanto os Lannisters estão em declínio ignominioso; O legado de Tywin compara-se pejorativamente ao de Ned, apesar da conveniência política do primeiro ser elogiada em detrimento do idealismo rígido do último. Parece que a honra muitas vezes ridicularizada de Ned alcançou uma vitória póstuma, o amor misturado com um respeito saudável provando ser uma influência muito mais duradoura sobre as pessoas do que um reino garantido pelo medo e pela força, que não apenas morre com você, mas também transforma seus filhos em herdeiros inadequados .
Além disso, a mera existência de um complô para coroar Jon não significa que ele será rei no norte. Por acaso, acho que o maior problema nos planos que especula-se que os nortenhos têm é que, após a devida consideração, Jon recusará categoricamente a legitimação e os títulos oferecidos. Considerando que ele seja filho de Lyanna e Rhaegar e que isso o põe como o herdeiro Targaryen do trono de ferro antes mesmo de Dany, seria bastante estranho Jon ser formalmente reconhecido como o rei Stark do norte separatista; Um imperativo dramático exige que Jon seja livre para aceitar o governo de todos os Westeros, quer ele o faça ou não. Jon ouvir a intenção de Robb de reconhecê-lo um verdadeiro filho de seu pai é suficiente para completar o arco de personagens discutido na Parte 1, e os Starks sobreviventes se aliariam a Jon, independentemente de como ele fosse estilizado, por ainda serem um alcatéia.
Não há necessidade de provar o vínculo de afeto de Jon e Arya. Ao resolver a disputa pelas terras de Hornwood, Bran prefere nomear herdeiro bastardo de Lorde Hornwood tendo Jon em mente (ACOK, Bran II). Enquanto isso, Sansa ficou completamente desiludida com o futuro como rainha e quer apenas ir para casa em Winterfell, a salvo de homens que desejam seu dote. É irônico, então, que Jon é um cavaleiro direto das canções outrora queridas de Sansa, pois é um príncipe oculto, cavalheiresco e verdadeiro, seu papel confirmado pela execução que fez de Janos Slynt. Não importa as maldades infantis que Sansa fez a Jon para agradar sua mãe e decorrentes de um senso de adequação, ela pensa com carinho nele agora e entende melhor como ser um bastardo o afeta.
Lorde Slynt, o da cara de sapo, sentava-se ao fundo da mesa do conselho, usando um gibão de veludo negro e uma reluzente capa de pano de ouro, acenando com aprovação cada vez que o rei pronunciava uma sentença. Sansa fitou duramente aquele rosto feio, lembrando-se de como o homem atirara o pai ao chão para que Sor Ilyn o decapitasse, desejando poder feri-lo, desejando que algum herói lhe atirasse ao chão e lhe cortasse a cabeça. Mas uma voz em seu interior sussurrou: Não há heróis.
(AGOT, Sansa VI)
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[Sansa] havia séculos que não pensava em Jon. Era apenas seu meio-irmão, mesmo assim... Com Robb, Bran e Rickon mortos, Jon Snow era o único irmão que lhe restava. Agora também sou bastarda, como ele. Oh, seria tão bom voltar a vê-lo. Mas estava claro que isso nunca poderia acontecer. Alayne Stone não tinha irmãos, ilegítimos ou não.
(AFFC, Alayne II)
E Rickon?
A procissão passara a não mais de um pé do local que lhe fora atribuído no banco, e Jon lançara um intenso e demorado olhar para todos eles. O senhor seu pai viera à frente, acompanhando a rainha. [...]Em seguida, veio o próprio Rei Robert, trazendo a Senhora Stark pelo braço. [...] Depois vieram os filhos. Primeiro o pequeno Rickon, dominando a longa caminhada com toda a dignidade que um garotinho de três anos é capaz de reunir. Jon teve de incentivá-lo a seguir, quando Rickon parou ao seu lado.
(AGOT, Jon I)
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Bran bebeu da taça do pai outro gole do vinho com mel e especiarias, [...] e se lembrou da última vez que tinha visto o senhor seu pai beber daquela taça.
Havia sido na noite do banquete de boas-vindas, quando o Rei Robert trouxera a corte a Winterfell. Então, ainda reinava o verão. Seus pais tinham dividido o estrado com Robert e sua rainha, com os irmãos dela a seu lado. Tio Benjen também estivera lá, todo vestido de preto. Bran e os irmãos e irmãs tinham se sentado com os filhos do rei, Joffrey, Tommen e a Princesa Myrcella, que passou a refeição inteira olhando Robb com olhos de adoração. Arya fazia caretas do outro lado da mesa quando ninguém estava olhando; Sansa escutava, em êxtase, as canções de cavalaria que o grande harpista do rei cantava, e Rickon não parava de perguntar por que motivo Jon não estava com eles.
– Porque é um bastardo – Bran teve de segredar-lhe por fim.
(ACOK, Bran III)
Jon tem duas vantagens adicionais sobre qualquer pessoa de fora para conseguir que Rickon o obedeça: 1) Fantasma, que pode subjugar Cão Felpudo. 2) Sua semelhança com Ned, de quem Rickon provavelmente se lembra como seu pai de tempos mais felizes. Assim como a semelhança de Sansa com Catelyn leva Mindinho a uma falsa sensação de segurança, a aparência de Jon pode reforçar sua posição como uma figura de autoridade para Rickon.
Em resumo, sinto que há boas chances de que o primeiro ato do rei Bran ou Rickon, da rainha Sansa ou de Arya seja nomear Jon seu conselheiro, confiável acima de todos os outros, e dê a ele o comando estratégico de seus exércitos, ou se não legitimá-lo como um Stark conforme os últimos desejos de Robb. E, francamente, a noção de que Stannis, Mindinho ou Manderly possamem convencer os Starks a uma disputa de sucessão mesquinha quando Jon é claramente o mais qualificado para liderar o Norte em uma segunda Longa Noite me parece implausível, contradizendo a caracterização estabelecida e a dinâmica familiar.
O que me leva à outra objeção comum a todas as variações de Jon como rei. Jon é honrado demais para quebrar seus votos, certo? Também usurpar os lugares de direito de seus irmãos enquanto eles estão vivos!
Lembremos a lição que Qhorin Meia-mão ensina a Jon: "Nossa honra não significa mais que nossas vidas, desde que o reino esteja seguro". (ACOK, Jon VII) No final de Dança dos Dragões, Jon resolveu fazer o que considerava certo e condenar o que as pessoas dizem sobre ele.
– Tem minha palavra, Lorde Snow. Retornarei com Tormund ou sem ele. – Val olhou o céu. A lua estava meio cheia. – Procure por mim no primeiro dia da lua cheia.
– Procurarei. – Não falhe comigo, pensou, ou Stannis terá minha cabeça. “Tenho sua palavra de que manterá nossa princesa por perto?”, o rei dissera, e Jon prometera que sim. Mas Val não é nenhuma princesa. Disse isso a ele meia centena de vezes. Era uma desculpa fraca, um triste farrapo enrolado em sua palavra quebrada. Seu pai nunca teria aprovado aquilo. Sou a espada que guarda os reinos dos homens, Jon recordou-se, no fim, isso deve valer mais do que a honra de um homem.
(Jon VIII, ADWD)
Apesar de sua aparência essencialmente Stark, Jon não é um clone de Ned, o qual, de todo modo, confessou uma traição que não cometeu, a fim de poupar a vida de Sansa e quase completsmente só sustenta a maior mentira da série em nome de Jon (supondo que R+L=J), por muitos anos antes disso. O entendimento de Jon sobre obrigações, juradas ou não, sempre foi flexível, porque sua própria existência é a prova de que o mais honroso dos homens pode falhar em seu dever. Se Ned, seu modelo de comportamento, não pode cumprir seus votos de casamento, como Jon pode esperar ser melhor, já que é um bastardo?
Depois de seu período com Meia-mão e Ygritte, a tarefa sísifa original de Jon, de alcançar padrões de honra impossivelmente altos, transformou-se em uma dedicação firme ao mais alto mandamento da Patrulha da Noite – ou seja, defender o reino contra os Outros. Existem inegáveis complicações emocionais por parte de Jon ao lidar com o Norte, já que ele não pode reprimir totalmente suas preocupações com a família e o lar, mas assumir o comando de nortenhos que não querem dobrar os joelhos para Stannis garantirá que o Muralha receba reforços e suprimentos necessários. Jon consideraria sua honra pessoal mais importante do que isso? Eu duvido.
Isso tudo, é claro, pressupõe que a Patrulha da Noite continue a existir de alguma forma após o fiasco do assassinato de Bowen Marsh, o que de maneira alguma é certo que ocorrerá.
Que a última cena de Jon em Dança dos Dragões faz paralelo com a morte de Júlio César é uma ideia amplamente aceita. Agora, considere que os senadores que mataram César, em vez de salvar a república romana de um tirano, precipitaram sua queda, descobrindo, para seu choque, que o povo não estava particularmente agradecido pelo assassinato de um líder popular, embora cometido em seu nome.
Guerras civis se seguiram, um império surgindo das ruínas. Ainda não se sabe se Jon é Otaviano / Augusto nesta reconstituição na fantasia. Ele tem à sua disposição um exército pessoal – depois de inconscientemente se tornar rei dos selvagens na ausência de Mance Rayder –e um contrato com o Banco de Ferro (ao que tudo indica).
Concluindo, passo a proibir que discussões posteriores a esta teoria de argumentem que uma conspiração para coroar Jon Rei do Norte esteja fora do mão para os (hipotéticos) conspiradores e os pretendentes Stark para Winterfell ou para GRRM, devido a sua aversão crônica a clichês. Ambas as afirmações foram usadas para descartar a teoria sem abordar as evidências que sustentariam a falta de substância, especialmente tendo em vista a maleabilidade de personagens e tropes nas mãos de um bom escritor (o que eu acredito que a maioria dos fãs da ASOIAF confia que o GRRM seja). Todo mundo deseja a ele boa sorte com Os Ventos do Inverno!
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2020.04.06 17:52 CasaGolden Hodor Cavalo – Episódio 56 – Catelyn VIII, A Guerra dos Tronos

O primogênito
Após uma saída perturbadora do Vale, Catelyn, acompanhada do seu tio Brynden Tully, chega a Fosso Cailin para encontrar Robb, os Lordes do Norte e todo o exército nortenho que está se preparando para ir ao sul, derrotar os Lannisters e libertar Ned Stark.
A Senhora Stark diz que seu filho não deveria ter deixado Winterfell e percebe que ele tenta aparentar certeza, mas está com medo.
“– Mãe, o que vamos fazer? Reuni todo esse exército, dezoito mil homens, mas não vou… não estou certo… – olhou-a, com os olhos brilhando, o orgulhoso jovem senhor evaporado num instante, e igualmente depressa se transformou novamente em uma criança, um rapaz de quinze anos procurando respostas com a mãe.
Não podia ser.” (AGOT, Catelyn VIII)
No entanto, mesmo temendo pela vida do primogênito, ela percebe que não pode manda-lo de volta para casa e decidi guiar o filho para que ele se torne um comandante de verdade, direcionando-o para que não vire um fantoche dos senhores nortenhos e, de modo intencionalmente sutil, ela ajuda Robb a criar a primeira estratégia de batalha.
“(...) Não se iluda, Robb… esses homens são seus vassalos, não seus amigos. Chamou-se a si mesmo comandante de batalha. Comande.
O filho olhou para ela, sobressaltado, como se não conseguisse acreditar no que ouvia.
– Será como diz, mãe.
– Pergunto de novo. O que é que você pensa em fazer?” (AGOT, Catelyn VIII)
Hereditariedade é a principal característica de Westeros. Catelyn sempre sentia uma pontada de dúvida sobre como os nortenhos veriam seus filhos por não terem a aparência do pai. Mas ao ver o filho pondo em prática os anos de aprendizado com Lorde Eddard, ela se sente orgulhosa, mesmo temendo pelo resto.
‘Contra a sua vontade, estava impressionada. Ele parece um Tully, pensou, mas não deixa de ser filho de seu pai, e Ned o ensinou bem.
– Que força comandaria?
– A cavalaria – respondeu de imediato. De novo como o pai; Ned guardaria sempre a tarefa mais perigosa para si. (AGOT, Catelyn VIII)
Entretanto, há o preço a se pagar ao ajudar o filho a levantar o primeiro voo; se afastar maternalmente de Robb para que ele se torne independente socialmente-politicamente.
Ao longo dos livros, quando olhamos para trás, percebemos que este momento foi um dos últimos em que Catelyn ficou próxima de Robb.

Lysa verbalizando o próprio destino na ameaça à irmã
Antes de ir embora do Vale, Catelyn se ofereceu para criar Robert Arryn em Winterfell, dizendo que seria bom para o sobrinho crescer entre os primos. Sua irmã odiou a proposta.
“A ira de Lysa fora uma visão assustadora. “Irmã ou não”, replicara, “se tentar roubar-me meu filho, sairá pela Porta da Lua.” Depois daquilo nada mais tivera a dizer.” (AGOT, Catelyn VIII)
Bom, sabemos o que aconteceu com Lysa em ASOS.

Peixe Negro subestimando Fosso Cailin
As meninas estranharam o fato de Brynden Tully, um homem tão experiente, não perceber que o lugar era estratégico. Mikannn comentou que talvez George tenha feito ele perguntar sobre a segurança da fortaleza para que Catelyn explicasse pros leitores a importância vantajosa do local.

“Neste caso, não perderei”
Realmente: Robb Stark ganhou todas as batalhas durante a Guerra dos Cinco Reis... mas fora dela perdeu todo o resto.

“O riso é veneno para o medo.”
“(...)Um dia, aqueles senhores o verão como seu suserano. Se mandá-lo embora agora, como uma criança que é mandada para a cama sem jantar, eles se recordarão e rirão desse fato. Chegará o dia em que necessitará que o respeitem, e até que o temam um pouco. O riso é veneno para o medo. Não lhe farei tal coisa, por mais que possa desejar mantê-lo a salvo.” (AGOT, Catelyn VIII)
Esta fala da Catelyn pode nos lembrar sobre os motivos que levaram Tywin Lannister a lidar de forma extrema com a famosa Rebelião Reyne-Tarbeck. O modo "aberto” demais de Tytos Lannister lidar com seus vassalos, muitas vezes sendo alvo de risos deles, fez a autoridade do senhor leão se esvaziar. Tywin Lannister se certificou que nunca mais rissem dos Lannisters.
Mãe e filho
“Acho que é o ponto forte do capítulo. Esse é muito um capítulo sobre o papel da Cat como mãe quando ela vê o filho dela crescer”. (Mikannn, Hodor Cavalo – 23min 25seg).
“A Catelyn está muito temerosa pelo Robb, mas ao mesmo tempo ela está orgulhosa e esses sentimentos se conflitam ao passo que ela tenta agir de acordo com os dois”. (Mikannn, Hodor Cavalo – 24min).
“Em nenhum momento ela para de ensinar o filho, ela fica fazendo isso o capítulo inteiro, faz ele pensar em vez de falar a resposta” (Flávia Gasi e Carol Moreira, Hodor Cavalo – 24min 26seg).
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2020.03.25 23:14 HoBaLoy E SE Robb Stark tivesse dado ordens explícitas a Edmure Tully para não intervir em eventuais avanços das forças Lannister?

Nesta semana, seguindo a “sugestão” dada por u/CasaGolden aborda-se uma questão que poderia ser abordada posteriormente mas que é realmente MUITO interessante de discutir e já valeu o "gancho".
O tópico será bem mais curto apenas com a menção principal, algumas especulações e comentários e por fim as perguntas para todos opinarem.
E SE Robb Stark tivesse dado ordens explícitas a Edmure Tully para não intervir em eventuais avanços das forças Lannister?
Primeiro, vamos entender os fatos que aconteceram nos livros. Essa questão é amplamente discutida em ASOS no final de um dos capítulos de Catelyn sobre a Batalha do Moinho de Pedra, quando do retorno de Rei Robb a Correrrio, conforme vemos:

A sala de audiências privadas de Lorde Hoster era um aposento pequeno, situado acima do Grande Salão, mais adequado a discussões íntimas.
Robb sentou-se no cadeirão, tirou a coroa e apoiou-a no chão, ao seu lado, enquanto Catelyn pedia vinho. Edmure vinha enchendo os ouvidos do tio com a história completa da batalha no Moinho de Pedra. Foi só depois de os criados terem chegado e partido que o Peixe Negro pigarreou e disse:
– Acho que já ouvimos o suficiente de suas vanglórias, sobrinho. Edmure foi surpreendido por aquilo.
– Vanglórias? O que quer dizer?
– Quero dizer – disse o Peixe Negro – que deve a Sua Graça agradecimentos pela indulgência dele. Desempenhou aquela farsa no Salão Grande para não envergonhá-lo perante a sua gente. Se tivesse sido eu, teria esfolado você por sua burrice, em vez de elogiar essa loucura nos vaus.
– Bons homens morreram para defender esses vaus, tio – Edmure parecia indignado.
– O que foi? Ninguém deve conquistar vitórias a não ser o Jovem Lobo? Roubei alguma glória que lhe estava destinada, Robb?
– Vossa Graça – corrigiu Robb, friamente.
– Aceitou-me como seu rei, tio. Ou também se esqueceu disso?
O Peixe Negro disse: – Foi-lhe ordenado que defendesse Correrrio, Edmure, nada mais.
– Eu defendi Correrrio e ensanguentei o nariz de Lorde Tywin...
– É verdade – disse Robb. – Mas um nariz ensanguentado não ganha a guerra, não é? Alguma vez parou para se perguntar sobre o motivo de termos permanecido tanto tempo no oeste depois de Cruzaboi? Sabia que eu não tinha homens suficientes para ameaçar Lannisporto ou Rochedo Casterly.
– O motivo... havia outros castelos... ouro, gado...
– Pensa que ficamos pelo saque? – Robb mostrava-se incrédulo.
– Tio, eu queria que Lorde Tywin viesse para oeste.
– Estávamos todo a cavalo – disse Sor Brynden. – A tropa Lannister era principalmente infantaria. Planejávamos dar ao Lorde Tywin uma bela caça de um lado para o outro ao longo da costa, e depois enfiar-nos em sua retaguarda para ocupar uma forte posição defensiva na estrada do ouro, num local que meus batedores encontraram, onde o terreno estaria grandemente a nosso favor. Se tivesse vindo contra nós ali, teria pago um preço enorme. Mas, se não atacasse, ficaria encurralado no oeste, a mil léguas de onde precisaria estar. E durante esse tempo, viveríamos de suas terras, em vez de ser ele vivendo das nossas.
– Lorde Stannis estava prestes a cair sobre Porto Real – disse Robb. – Podia ter nos livrado de Joffrey, da rainha e do Duende, com um único golpe sangrento. Então, poderíamos ter sido capazes de fazer a paz. Os olhos de Edmure saltaram do tio para o sobrinho.
– Vossa Graça não me disse nada.
– Eu disse para defender Correrrio – disse Robb. – Que parte dessa ordem não entendeu?
– Quando parou Lorde Tywin no Ramo Vermelho – disse o Peixe Negro –, atrasou-o tempo suficiente para que cavaleiros vindos de Pontamarga o encontrass , com as notícias sobre o que estava se passando no leste. Lorde Tywin imediatamente deu meia-volta com a tropa, juntou-se a Matthis Rowan e Randyll Tarly perto da nascente do Água Negra, e fez uma marcha forçada até a Cascata do Acrobata, onde encontrou Mace Tyrell e dois dos filhos à espera com uma tropa enorme e uma frota de barcaças. Flutuaram rio abaixo, desembarcaram a meio dia de viagem da cidade e apanharam Stannis pela retaguarda. Catelyn recordou a corte do Rei Renly, como a vira em Pontamarga. Um milhar de rosas douradas flutuando ao vento, o sorriso recatado e as palavras suaves da Rainha Margaery, o irmão, o Cavaleiro das Flores, com o linho ensanguentado em volta da cabeça. Se tinha de cair nos braços de uma mulher, meu filho, por que não foi nos de Margaery Tyrell? A riqueza e o poderio de Jardim de Cima podiam ter feito toda a diferença nas batalhas que estavam para vir. E talvez o Vento Cinzento também tivesse gostado do cheiro dela.
Edmure pareceu mal.
(...)
As estratégias de guerra de Robb Stark tinham sido muito promissoras até o momento que discutiam, inclusive a possibilidade do que pretendiam fazer no Oeste também seria muito plausível. Ocorre que, como sabemos, o que sobrava em habilidade marcial a Robb e seus aliados, faltava em política. Os pensamentos de Catelyn revelam isso também, uma aliança com Jardim de Cima seria algo extremamente vantajoso a causa de Robb Stark, algo já discutido por nós.
Mas vamos às possibilidades do que aconteceria no caso de Lord Edmure Tully ter atendido ao que Rei Robb tivesse mandado, sem contestar ou sem interpretar.
Como dito, o plano era bem plausível e as possibilidades de acontecerem tais eventos seriam extremamente verossímeis. Porém ficam grandes questões a serem discutidas no caso de que tais planos tivessem corrido como os nortenhos queriam.
1) As forças Lannister teriam realmente minguado na perseguição pelas tropas do Rei Robb?
2) Jardim de Cima poderia ter titubeado no acordo com o Trono de Ferro se não tivessem encontrado com as forças Lannister?
3) Qual teria sido o desfecho final da Batalha da Água Negra?
4) Na possibilidade de vitória de Rei Stannis na Água Negra, a paz mencionada por Rei Robb, como seria?
5) E mesmo que Jardim de Cima tivesse assumido compromissos com o Rei joffrey PORÉM não tivesse participado da Batalha da Água Negra, após a eventual vitória de Rei Stannis (e provável morte de Joffrey, Cersei e Tyrion), o que os sulistas fariam?
6) Quais seriam as próximas reações dos "ofendidos" Frey?
7) Quais outros eventos ou situações pontuais acreditam que seriam diferentes?
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2020.03.12 03:43 HoBaLoy E SE Joffrey tivesse cumprido a sua palavra e enviado Ned Stark para a Muralha/Patrulha da Noite?

A simulação desta semana envolve o cumprimento de um combinado, uma maquinação. Conforme sabemos em AGOT a confissão de Ned Stark sobre sua “traição” ao Rei Joffrey só ocorrera pois ele queria salvar sua filha Sansa. Tal interim fora sugerido e arquitetado por Varys, obviamente com a participação direta da Rainha Cersei.
A conversa que fez com que Ned cedera e concordara em mentir e ferir a sua honra aconteceu em sua cela nos seguintes termos:
(...)
– Quer que sirva a mulher que assassinou o meu rei, massacrou meus homens e fez do meu filho um aleijado? – a voz de Ned estava carregada de incredulidade.
– Quero que sirva o reino – disse Varys. – Diga à rainha que confessará sua vil traição, ordene a seu filho que pouse a espada e proclame Joffrey o herdeiro verdadeiro. Proponha denunciar Stannis e Renly como usurpadores sem fé. Nossa leoa de olhos verdes sabe que é um homem de honra. Dando-lhe a paz de que precisa e o tempo para lidar com Stannis, e jurando levar seu segredo para a tumba, creio que lhe será permitido vestir o negro e viver o resto de seus dias na Muralha, com seu irmão e aquele seu filho ilegítimo.
Pensar em Jon encheu Ned com um sentimento de vergonha e uma mágoa profunda demais para ser expressa em palavras. Se ao menos pudesse voltar a vê-lo, sentar-se e falar com ele… Uma dor atacou-lhe a perna quebrada sob o imundo gesso cinzento que a cobria. Estremeceu, abrindo e fechando os dedos, impotente.
– Esse plano é seu – arquejou para Varys – ou está aliado a Mindinho? Aquilo pareceu divertir o eunuco.
– Prefiro me casar com a Cabra Negra de Qohor. Mindinho é o segundo homem mais traiçoeiro dos Sete Reinos. Ah, alimento-o com sussurros escolhidos, o suficiente para que ele pense que estou do seu lado… tal como permito que Cersei pense que estou do dela.
(...)
Ao fim do capítulo, a lembrança do destino dos filhos do Princípe Rhaegar, principalmente a da princesa Rhaenys (que fora assassinada pelas mãos dos Lannister) foi o que fez com que Ned cedesse à proposta de Varys.
No capítulo de Arya, sua falsa confissão ocorrera nos seguintes termos:
O pai ergueu a voz ainda mais alto, esforçando-se por ser ouvido.
– Traí a fé do meu rei e a confiança do meu amigo Robert – gritou. – Jurei defender e proteger seus filhos, mas antes ainda que seu sangue arrefecesse conspirei para depor e matar seu filho, e tomar o trono para mim. Que o Alto Septão, Baelor, o Amado, e os Sete sejam testemunhas da verdade que digo: Joffrey Baratheon é o verdadeiro herdeiro do Trono de Ferro, e, pela graça de todos os deuses, Senhor dos Sete Reinos e Protetor do Território.
A própria fala de Joffrey comprova que fora Cersei que sugerira o envio de Eddard para a Muralha, no entanto, o caráter e a natureza torpe e sádica de Joffrey acabaram por culminar no seguinte:
– Minha mãe pede-me que permita a Lorde Eddard que vista o negro, e a Senhora Sansa suplicou misericórdia para o pai – olhou então à direita para Sansa e sorriu, e por um momento Arya pensou que os deuses tinham ouvido sua prece, até que Joffrey voltou a virar-se para a multidão e disse: – Mas elas têm o coração piedoso de mulher. Enquanto eu for rei, a traição nunca passará impune. Sor Ilyn, traga-me a cabeça dele.
A multidão rugiu, e Arya sentiu a estátua de Baelor balançar quando todas aquelas pessoas a empurraram. O Alto Septão agarrou a capa do rei, e Varys aproximou-se correndo, sacudindo os braços, e até a rainha estava lhe dizendo alguma coisa, mas Joffrey balançou a cabeça (...)
A última descrição demonstra o desconforto de Varys, da Rainha Cersei e até do Alto Septão, cada uma tentando interceder por conta de seus motivos.
O que ficamos sabendo posteriormente e com o desenrolar dos acontecimentos e dos atos é que não existe dúvida que o cenário criado fora para a misericórdia e envio de Ned para a Muralha.
Os interesses e as justificativas para isso eram diversos.
Varys, como sabemos, tinha sua própria agenda e sua conspiração ainda com muitas situações e muitos atos que deveriam acontecer em melhor momento. Ele mesmo anteriormente, ouvido por Arya, menciona em sua conversa com Ilyrio que era muito cedo para acontecer a guerra. Isso provavelmente seja um dos principais motivos se não for o único que ele arquitetara a pena alternativa de Ned.
A Rainha Cersei buscava a estabilidade e garantia de seu filho no trono. Além disso, com o provável envio de Ned para a Muralha a guerra nas Terras Fluviais poderia ter se modificado substancialmente.
O Alto Septão ficou revoltado por conta da profanação que ocorrera. O local escolhido, como dito, seria o mais propício para misericórdia e não para execução, justamente por isso que ocorrera em frente ao Septo de Baelor. Posteriormente vimos suas reclamações neste sentido e até o Alto Pardal posteriormente menciona a ocorrência de tal profanação ao templo.
Todos conhecemos a honra quase sempre inabalável e como Ned leva suas promessas a sério. Por conta disso, se Ned realmente fosse mandado a Muralha acredito que seja indubitável que iria vestir o negro e de maneira nenhuma poderia empreender uma fuga ou descumprimento do que fora combinado. Além disso, o principal motivo, claro, é o fato dos Lannisters terem Sansa em seu poder.
Mesmo assim, o exercício fica no desenrolar da história se tal fato tivesse acontecido, e as questões que ficam são:
  1. Qual seria o destino de Arya? Ela acompanharia Ned e Yoren para a Muralha de forma secreta? Ela encontraria outro jeito de ter contato com Ned antes mesmo dessa jornada?
  2. Ned iria dizer para Robb abandonar a guerra e jurar lealdade a Joffrey?
  3. Ned iria dizer para Robb jurar lealdade ao Rei Stannis?
  4. Quando na Muralha, como seria a retomada de relacionamento com Jon Snow (sabemos que fora a única coisa que tinha agradado Jon ao pensar em Ned com ele na Muralha)?
  5. Ned revelaria algo do passado para Jon? Revelaria quem era sua mãe?
  6. Quais seriam as atitudes de Ned em relação à notícias e acontecimentos estranhos que aconteceram na Muralha? A sua palavra faria diferença nos apelos aos lordes de Westeros?
  7. Quais seriam as atitudes de Ned em relação ao desparecimento de Benjen Stark?
  8. Os Lannister manteriam Ned Stark sob vigilância na Muralha?
  9. Os Lannister poderiam tentar assassinar Ned na Muralha de uma forma que parecesse um acidente?
  10. Varys intercederia de mais alguma forma na manutenção da paz?
  11. Além de todas estas questões, quais outros acontecimentos poderiam ser muito diferentes do que acontecera?
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2020.01.24 22:29 altovaliriano Craster mentiu sobre a última vez que viu o Primeiro Patrulheiro

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/eq29lx/spoilers_extended_craster_lied_about_the_last/
Autor: BryndenBFish

Introdução

Em nosso episódio mais recente do NotACast, cobrindo ACOK, Jon III , finalmente chegamos à Fortaleza de Craster. De vez em quando, nos deparamos com aspectos que tentarei compartilhar aqui, e acho que agora foi o melhor momento para falar sobre uma sacada muito interessante de como Craster mentiu sobre não ter visto Benjen Stark.
Primeiro, dê uma olhada nas postagens de / u / JoeMagician sobre Craster - seja o bom e velho "A Cold Death in the Snow" ou "The Secrets of Craster" . Há muita sutileza que GRRM incorpora na história de Craster acerca do o machado, sua relação com os Outros, etc.
Para nossos propósitos hoje, apenas exploraremos o relacionamento de Craster com Benjen Stark e algumas provas de como ele mentiu para Jeor Mormont sobre a última vez que viu Benjen Stark.
Mas vamos definir a cena antes da revelação.

O cenário

Mormont vai ao norte da Muralha com uma grande patrulha em um esforço para localizar Benjen Stark e descobrir o que Mance Rayder está fazendo. Depois de passar por vilarejos abandonados ao norte da Muralha, a patrulha chega à não abandonada Fortaleza de Craster. Esse complexo era um refúgio para a Patrulha da Noite em suas incursões para o norte. Mormont e o alto comando Patrulha da Noite entram na "casa" de Craster para perguntar por Benjen e Mance Rayder.
Eventualmente, Jon é convidado a entrar e, ao entrar, Jon ouve Craster falando sobre Benjen Stark:
– Há três anos que não vejo Benjen Stark – estava dizendo a Mormont. – E para falar a verdade, nunca senti falta dele [...]
(ACOK, Jon III)
Isso parece estranho para os Homens da Patrulha, já que Craster era o único local para o qual os patrulheiros eram um ponto de referência antes de prosseguir com o resto de sua missão ao norte. E Thoren Smallwood e Jeor Mormont afirmam isso:
– Devia ter passado por aqui no ano passado – disse Thoren Smallwood. Um cão veio farejar sua perna, e ele lhe deu um chute e o botou em fuga, ganindo.
Lorde Mormont disse:
– Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
Mas o que Craster diz a seguir mostra que Craster mentiu sobre não ter visto Benjen Stark.

A Mentira de Craster

Vamos olhar para a resposta de Craster na íntegra:
– Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo. Tinha menos orelhas do que eu. O frio as levou, como à minha – Craster soltou uma gargalhada. – Agora dizem que também não tem cabeça. Foi também o frio que fez isso?
Primeiro, vamos falar sobre a omissão. Craster ignora completamente as perguntas que Mormont e Smallwood têm - perguntando sobre o porquê de Benjen não ter aparecido aqui, considerando que era para ali que Benjen deveria ter vindo. E então ele começa a divagar sobre Waymar Royce, Gared e Will por um tempo.
Mas é nessas divagações, Craster acidentalmente diz a todos que viu Benjen Stark recentemente.

A investigação

Então, vamos ao que Craster diz. Ele fala sobre Waymar, suas roupas e trajes e como ele não gostou de como suas esposas estavam de "olho grande" nele. Ele não gostava de Waymar Royce. Will é completamente ignorado. Mas então chegamos a Gared.
Gared, se você se lembrar, foi o único sobrevivente do Prólogo de A Guerra dos Tronos. Infelizmente para ele mesmo (e para o reino), Gared foi capturado ao sul da Muralha e executado por Ned Stark em AGOT, Bran I. E é essa informação que faz tudo ficar interessante!
Como sabemos em AGOT, Lorde Comandante Mormont não soube da morte de Gared até que sua cabeça tivesse sido enviada de Winterfell:
– Gared era quase tão velho como eu, e tinha mais anos de Muralha – prosseguiu –, mas parece que abjurou e fugiu. Nunca teria acreditado, com ele, não, mas Lorde Eddard me enviou sua cabeça de Winterfell.
(AGOT, Tyrion III)
Agora, façamos uma suposição, mas que eu acho que faz sentido dado ao que sabemos ter ocorrido a seguir. Eu penso que é provável que Ned tenha enviado a cabeça de Gared para Benjen, Jon e Tyrion. Esse argumento cronológico é importante, porque a patrulha que seguiu para o norte de Winterfell depois que Jon chegou à Muralha foi a de Benjen com Othor e Jafer Flowers.
Então, a cabeça de Gared chega de volta à Muralha provavelmente com Benjen, depois Benjen segue para o norte da Muralha em uma patrulha no terceiro capítulo de Jon em A Guerra dos Tronos.
Você provavelmente está perguntando por que isso importa, e aqui está: Craster não poderia saber que Gared foi decapitado a menos que Benjen Stark e seus patrulhes tivesse lhe contado isso. Lembre-se, ninguém sabia em Castle Black que Gared fora decapitado até a cabeça de Gared fosse entregue. Portanto, qualquer patrulha ao norte da Muralha ocorrida entre a execução de Gared e a patrulha de Benjen provavelmente não chegaria à Fortaleza de Craster com essas informações.
Mas Craster diz:
Gared não era mau para um corvo. Tinha menos orelhas do que eu. O frio as levou, como à minha – Craster soltou uma gargalhada. – Agora dizem que também não tem cabeça. Foi também o frio que fez isso?
Como Craster descobriu isso, sem que Benjen lhe contasse?

Conclusão: Benjen contou a Craster sobre Gared e Craster mentiu para Mormont

Craster provavelmente sabia sobre o destino de Gared de Benjen Stark, e isso significa que Craster mentiu para Mormont sobre ter visto Benjen. Mas por que?
[Craster] dá os garotos aos deuses. Quando chega o frio branco, faz isso, e nos últimos tempos tem chegado mais vezes. Foi por isso que começou a dar-lhes ovelhas, apesar de gostar de carne de carneiro. Só que agora já não há ovelhas. A seguir vão ser os cães, até…
(ACOK, Jon III)
Eu acho que seja provável que Craster informe aos Outros sobre a patrulha, e talvez tenha deixado escapar a informação adicional que um Stark estava entre os patrulheiros. Talvez, Craster tenha tentado enfatizado essas informações para impedir que os Outros pegassem suas ovelhas.
Mesmo assim, sabemos que os companheiros de Benjen, Othor e Jafer Flowers, tiveram um encontro com os Outros, aparecendo como criaturas ao sul da Muralha em AGOT, Jon VII. Benjen Stark continua desaparecido. Então, não está claro se os Outros estão com Benjen ou se ele ainda está à solta.
Mas Benjen Stark estava presente na Fortaleza de Craster, e Craster mentiu sobre isso. E em algum lugar na Floresta Assombrada, está Benjen Stark.
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2020.01.20 03:58 altovaliriano Arya Stark

Mais uma vez o “sábado de personagens” deslocado para o domingo. E mesmo assim atrasa...
Hoje, Arya Stark é a personagem da semana.
Arya é literalmente a filha do meio de Catelyn e Eddard. A terceira de cinco. A segunda do sexo feminino. Mas é a única criança de Catelyn que se parece com uma Stark. Esta constatação, isoladamente, já revela como Arya se diferencia de seus irmãos.
Porém, o caso de Arya vai mais além. Ela herdou o espírito selvagem da família de Eddard, sendo especialmente parecida com sua falecida tia Lyanna. Talvez por isso que Ned tenha tanta tolerância com Arya e seus ímpetos aventureiros e inclinações marciais. De todo modo, Ned não poderia alegar desconhecer que sua filha não aceita exercer os papéis que são relegados às mulheres nos Sete Reinos:
– E eu posso ser conselheira do rei, construir castelos ou me tornar Alta Septã?
– Você – disse Ned, dando-lhe um suave beijo na testa – casará com um rei e governará seu castelo, e seus filhos serão cavaleiros, príncipes e senhores e, sim, talvez mesmo um Alto Septão.
Arya fez uma careta.
– Não – ela protestou –, esta é a Sansa – dobrou a perna direita e voltou aos exercícios deequilíbrio. Ned suspirou e a deixou ali.
(AGOT, Eddard V)
A natureza diferenciada de Arya, porém, tem seus custos. E o principal custo é sua convivência com sua irmã Sansa. Martin chegou a declarar (vide seção abaixo) que Arya foi criada primeiro, mas que a personagem estava muito bem relacionada com os demais irmãos. Assim, ele sentiu que era necessário criar Sansa para atazana-la.
De fato, o papel de Sansa e Jeyne Poole é apenas o de ridicularizar Arya e fazer com que ela frequentemente sentisse que não tinha competência para desempenhar os papéis que eram esperados dela como mulher. Ao longo dos livros, estes sentimentos parecem não se alterar. De modo que fica cada vez mais evidente que o afeto que as irmãs nutrem uma pela outra é, no máximo, distante:
Sansa era educada demais para sorrir da desgraça da irmã, mas havia o sorriso afetado de Jeyne no seu lugar. (AGOT, Arya I)
Arya saíra ao senhor seu pai. Os cabelos eram de um castanho sem brilho, e o rosto, longo e solene. Jeyne costumava chamá-la Arya Cara de Cavalo, e relinchava sempre que ela se aproximava. (AGOT, Arya I)
Sansa sonhara em ter uma irmã como Margaery; bela e gentil, com todas as graças do mundo às suas ordens. Arya havia sido completamente insatisfatória no que tocava a ser irmã. (ASOS, Sansa II)
A Agulha era Robb, Bran e Rickon, a mãe e o pai, até Sansa. (AFFC, Arya II)
Dentre seus irmãos, Arya somente desfruta de um relacionamento próximo com seu “meio-irmão” Jon Snow. Não é coincidência que Jon seja outra pessoa por quem Sansa nutre um afeto distante. Arya e Jon dividem algumas características. Ambos não se adaptam bem à atual dinâmica familiar de Winterfell e são os parentes de Eddard que mais se assemelham a ele. Estas peculiaridades provavelmente foram as responsáveis por unir Jon e Arya.
Entretanto, muitos leitores enxergam mais do que isso. Há durante toda a saga diversos momentos em que os “meio-irmãos” pensam um no outro em contextos que sugerem inclinações românticas, ainda que platônicas.
GRRM afirma (vide seção abaixo) que tais indícios eram fortes no primeiro livro, quando ainda existia a idéia de tornar Jon e Arya um par romântico, mas que isso foi sumindo dos livros ao longo da saga. Tudo não poderia ser algum tipo de complexo fraterno.
Entretanto, não é o que se verifica nos livros seguintes. A última vez que Arya e Jon se viram foi no começo de A Guerra dos Tronos, mas eles ainda estão pensando carinhosamente um no outro mesmo nos mais recentes volumes da série:
Ygritte trotou para o lado de Jon enquanto este reduzia o passo do garrano. Ela dizia ser três anos mais velha do que ele, embora fosse quinze centímetros mais baixa; qualquer que fosse a sua idade, a garota era uma coisinha rija. Cobra das Pedras chamara-a de “esposa de lança” quando a tinham capturado no Passo dos Guinchos. Não era casada e sua arma favorita era um pequeno arco curvado feito de chifre e represeiro, mas “esposa de lança” ajustava-se a ela mesmo assim. Lembrava a Jon um pouco sua irmã, Arya*, embora esta fosse mais nova e provavelmente mais magra. Era difícil dizer se Ygritte era magra ou gorda, comtodas as*peles que usava.
(ASOS, Jon II)
Ela nunca se incomodara em ser bonita, mesmo quando era a estúpida Arya Stark. Apenas seu pai já lhe chamara daquilo. Ele, e Jon Snow, algumas vezes*. Sua mãe costumava dizer que ela poderia ser bonita se lavasse e escovasse o cabelo e tomasse mais cuidado com suas roupas, do jeito que a irmã fazia. Para a irmã, as amigas dela e todo o resto, ela fora apenas Ary a Cara de Cavalo. Mas estavam todos mortos agora, até mesmo Arya, todos menos seu meio-irmão Jon. Algumas noites, ela ouvia falarem dele nas tavernas e bordéis do Porto do Trapeiro. O Bastardo Negro da Muralha, os homens o chamavam.* Nem mesmo Jon teria reconhecido a Cega Beth, aposto. Aquilo a deixava triste*.*
(ADWD, A Garota Cega)
Em todo caso, qualquer que seja, foi este sentimento que moveu Jon Snow a abandonar seus votos e desertar a Patrulha. Assim, é algo que move Jon em direção à Arya e o leva a aceita-la da forma que ela é.
Tal qual Eddard, Jon não desdenha da aptidões de Arya. Ele foi, em verdade, o primeiro patrocinador delas, antes mesmo do pai. Ao presentar a “irmã” com Agulha, Jon semeou o terreno para que Eddard oferecesse a Arya um treinamento de dançarina da água. É notório que Eddard estava tentando desviar Arya de ambições maiores (como a cavalaria, por exemplo), mas a história de Agulha e o treinamento com a Syrio Forel forem responsáveis por plantar prenúncios frutíferos na história.
O primeiro foi tornar Braavos uma cidade com a qual Arya tinha uma ligeira familiaridade. Assim, quando ela tivesse que ir para lá, não parecesse um total tiro no escuro. A segunda é a frase que Jon Snow diz antes mesmo de presentar a irmã:
Quanto mais tempo ficar escondida, mais severa a penitência. Costurará durante todo o inverno. Quando chegar o degelo da primavera, encontrarão seu corpo ainda com uma agulha bem presa entre os dedos congelados.
(AGOT, Arya I)
Muitos leitores veem nesta frase um prenuncio de que Arya poderia morrer durante a Batalha pela Alvorada. Assim, caso se corpo fosse encontrado com a espada Agulha presa às suas mãos, saberíamos que as palavras inocente de Jon se provaram proféticas. Até mesmo poderia servir para que o corpo de Arya fosse identificado mesmo se ela estivesse com um rosto diferente.
Outro fato de nota que ocorreu a Arya antes de partir para Porto Real e todas as aventuras que se seguiram daí foi a adoção da loba gigante Nymeria. Ainda que soe natural que Arya daria um nome de uma mulher ousada para sua loba, a referência dornesa parece de alguma forma distante demais da realidade nortenha para que não haja algum significado nesta escolha... ou talvez seja apenas um detalhe de construção de mundo.
Qualquer que seja o caso, Nymeria e Arya foram separadas com pouco tempo de criação e adestramento. Este tempo,entretanto, foi suficiente para que o dom como troca-peles de Arya fosse despertado. O fato de que Nymeria conseguiu sobreviver ao ser forçada a fugir foi determinante para o desenvolvimento à distância das aptidões de Arya.
Plantadas estas idéias no leitor, Martin segue até o final de A Guerra dos Tronos fazendo com que Arya passe por horas de treinamento, ocasionalmente usando-a como espectadora de eventos inusitados, como o encontro entre Illyrio e Varys no subsolo da Fortaleza Vermelha. Um fato curioso deste encontro é que Arya observa bem a fisionomia de Illyrio, mas não a de Varys (que está disfarçado). Dessa forma, uma amiga me questionou se isso não seria um indício de que Arya poderia ter que acabar recusando uma missão da Casa do Preto e do Branco para matar Illyrio no futuro, pois o “conhece”. É uma questão a se pensar...
De toda forma, Arya presencia em mais vivacidade o massacre dos homens Stark no momento da prisão de seu pai, assim como está presente quando ele tem sua cabeça cortada. A fuga da Fortaleza Vermelha, inclusive, a provoca a matar uma pessoa pela primeira vez na vida: um cavalariço de sua idade que poderia denunciá-la.
Quando Yoren a extrai de Porto Real para leva-la ao Norte, Arya começa a ter que sobreviver em meio ao luto. Assim como Sansa, Arya é deixada em circunstância hostis. Durante os A Fúria dos Reis, ambas as garotas suportam muitos abusos e humilhações, mas ao menos Sansa pôde contar com relativo conforto. Da parte de Arya, ainda que ela desde pequena se sinta à vontade em meio à plebe, a jornada se prova particularmente árdua. Especialmente porque Arya se vê pela primeira vez vivendo sobre uma nova identidade.
Após a morte de Yoren, não demora para que o grupo de órfãos vire presa de Gregor Clegane e seu bando. Conforme se passam no cárcere, Arya começa a bolar sua famosa lista, com todas as pessoas que ela julga responsável por trazer sofrimento a ela e àqueles ao seu redor. O que é curioso é que, apesar de listar o Rei Joffrey entre os albos, a garota de 9 anos não tenha o discernimento de que sua lista somente mira em capangas e fantoches, mas esquece de vilões de verdade, como Tywin Lannister.
Essa falta de discernimento se repete quando Arya está em Harrenhal e Jaqen a oferece 3 mortes em troca das vidas que ela salvou do incêndio. Novamente, a garota Stark se limita a indicar nomes sem importância. Quando surge a ideia de nomear Tywin Lannister, sentimentos nacionalistas a fazem burlar a barganha de Jaqen para convencê-lo a ajudá-la na libertação dos prisioneiros nortenhos e dos homens Frey. Portanto, Arya não demonstra não empregar seu potencial assassino para grandes causas, atendo-se a pequenas vinganças e revanches.
Ainda assim, Jaqen entrega a Arya a moeda de ferro que mais tarde a levaria a Braavos para o treinamento junto aos homens sem rosto. O que causa curiosidade seria o motivo pelo qual Jaqen selecionou a menina. O perfil dela não combina com o da seita, como vemos ao longo de Festim dos Corvos e Dança dos Dragões. Sem falar que ele a presenciou fazendo uma barganha contra o próprio Jaqen.
Fora de Harrenhal, Arya acaba novamente sendo feita prisioneira alguns dias depois de partir. Mas dessa vez, é reconhecida e fica permanentemente na expectativa de ser levada a sua mãe, não importa se vendida ou simplesmente entregue. Mas o objetivo da viagem que Martin a impõe é conhecer os efeitos da guerra sobre as Terras Fluviais, sob o ponto de vista dos camponeses.
Antes que essa jornada termine, porém, duas coisas ocorrem: Arya é raptada por alguém em sua lista (Sandor Clegane) e Roose Bolton informa que encontrou Arya e vai enviá-la ao Norte.
Como GRRM gosta de lembrar as semelhanças entre Arya e Lyanna, não há como não enxergar em seu rapto ecos do rapto de sua tia por Rhaegar Targaryen. Talvez haja aqui algum paralelismo que estamos deixando de enxergar. Mas as distinções são bem claras. Sandor estava levando Arya de volta pra casa, enquanto Rhaegar estava levando Lyanna para longe do Norte. Um detalhe incidental nesta questão é que Sandor “morre” à beira do Tridente tal qual Rhaegar (ainda que este tenha morrido no vau rubi, local que Arya e Sandor evitaram).
Quanto ao segundo evento, a farsa de Jeyne Poole como a falsa Arya permitiria que a verdadeira se tornasse, de fato, ninguém. A intenção, claro, era fechar uma ponta para resgatar a história dali a 5 anos, quando Jeyne Poole já estivesse estabelecida como Arya. Neste futuro que nunca aconteceu, Arya haveria florescido, o que era a intenção de Martin. Ele sempre cita como as histórias dos adultos não tinha tempo para esperar que “Arya chegasse a puberdade”.
De fato, como Arya é comparada com Lyanna diversas vezes, seria de se esperar que a puberdade lhe avivasse a beleza selvagem e que já a víssemos em Braavos em estado avançado de seu treinamento. Se sabe que o primeiro capítulo de Arya em Os Ventos do Inverno foi escrito antes de Martin abandonar o salto de 5 anos, portanto, as circunstâncias que ela parece que vai viver agora aos 11 anos seriam aquelas que, originalmente, se pensava que ela viveria ao 16 anos (aproximadamente a mesma idade que Lyanna tinha quando morreu).
Porém, o caminho seguido em O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões foi acompanhar o treinamento de Arya desde o começo. Muitos leitores acusam estes capítulos de serem encheção de linguiça, mas eu os entendo apenas como lentos. Há 3 linhas mestras acontecendo neles: 1) modificações na política de Braavos, 2) conflitos internos da própria Arya não querendo abandonar sua herança Stark, 3) revelação de segredos da Casa do Preto e do Branco.
Caso o salto temporal houvesse ocorrido, eu imagino que os 2 primeiros itens poderiam ser contados facilmente via flashbacks, sem necessidade de presenciarmos as sementes serem plantadas (que é o que Martin parece ter feito ao longo de Festim e Dança). Porém, o terceiro item me parece ser o cerne dos capítulos de Arya, como ou sem salto temporal.
Era de se esperar que os sacerdotes não fiquem contando segredos a acólitos tão novos como Arya. Mas o Homem Gentil parece estar estranhamente aberto a instruir uma aprendiz com menos de 1 ano de Casa sobre a história da seita e lhe permitir fazer missões com rostos novos. E Arya não está se provando ser digna dessa confiança.
Bem, na série da HBO, a Casa do Preto e do Branco tentou eliminar Arya, mas ela simplesmente se mostrou superior ninguém sabe como. Em A Dança dos Dragões, Arya demonstrou estar um passo à frente do Homem Gentil entrando na pele de um gato de rua que a seguiu até o templo. Com este truque ela conseguiu descobrir que era o sacerdote quem a surrou quando estava cega.
Muitos leitores especulam que esta habilidade sobrenatural seria uma vantagem que Arya usaria para trapacear nos treinamentos, haja vista que não é uma habilidade pela qual Homens Sem Rosto são famosos. Daí, afirmam esses leitores, quando a convivência na Casa do Preto e do Branco se tornar insustentável e um Homem Sem Rosto for enviado para eliminar a discípula rebelde, os poderes de troca-pele são o diferencial que faria com que Arya sobrevivesse ao ataque do assassino e pudesse escapar de Braavos para Westeros.
O retorno de Arya a Westeros é outra icógnita. Atualmente não sabemos de motivos que a tirariam de Essos. Alguns apontam a morte de Jon Snow como o combustível. Mas eu costumo argumentar que Arya matou o cantor Dareon simplesmente por ele ser um desertor, como Jon. Outros acreditam que Arya saberá sobre o próprio casamento com Ramsay e virá a Westeros para desfazer a farsa. E, por fim, há aqueles que dizem que ela simplesmente voltará para matar Freys, Boltons e o restante de sua lista.
Porém, há um grande consenso que esta volta implicará em um encontro com sua mãe, agora na forma de Senhora Coração de Pedra. Alguns acreditam que este encontro será chocante o suficiente para mudar a cabeça de Arya com relação ao seu desejo de vingança. Outros acreditam que a confluência de objetivos só tornará tudo duplamente letal.
Bem, qualquer quer seja o desfecho da história, ainda não foi publicado. Nos resta especular.

Declarações de GRRM sobre Arya

PERGUNTAS

  1. Jon e Arya têm inclinações românticas reais (ainda que platônicas) um pelo outro? Ou é apenas Freud em ação?
  2. A frase de Jon sobre Arya ser encontrada congelada com agulha na mão é um presságio de que ela morrerá na batalha da alvorada?
  3. O fato de ter nomeado sua loba como Nymeria, revela que Arya teria alguma propensão para viajar a Dorne nos próximos livros?
  4. Os poderes de troca-pele de Arya são alguma forma de trapaça para o treinamento dos Homens Sem Rosto?
  5. O rapto de Arya por Sandor ecoa de alguma forma o rapto de Lyanna por Rhaegar?
  6. Você acha que os capítulos de Arya em Braavos estão mais para encheção de linguiça ou escalada de tensão?
  7. Que diferença você acha que o abandonado “salto temporal de 5 anos” faria na história de Arya pós-A Tormenta de Espadas?
  8. Você acredita que os poderes de troca-peles de Arya a farão uma assassina particularmente perigosa entre os Homens Sem Rosto?
  9. O que você acha que vai levar Arya de volta a Westeros?
  10. Você acredita que Arya se encontrará novamente com seus irmãos, Jeyne Poole ou Senhora Coração de Pedra? Caso positivo, que tipo de reação você espera que ela tenha nestes encontros?
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2020.01.18 03:56 altovaliriano O que é 'aço de dragão'?

Em suas pesquisas na biblioteca da Muralha, Samwell encontra algumas informações sobre como combater os Outros:
– A armadura dos Outros é à prova da maior parte das lâminas comuns, se é possível crer nas histórias – Sam respondeu –, e as espadas que usam são tão frias que estilhaçam o aço. Mas o fogo os afugenta, e são vulneráveis à obsidiana – recordou-se daquele que enfrentara na floresta assombrada, e o modo como parecera se derreter quando o ferira com o punhal de vidro de dragão que Jon lhe fizera. – Encontrei um relato da Longa Noite que fala do último herói a matar Outros com uma lâmina de aço de dragão. Supostamente não conseguiam resisti-lo.
– Aço de dragão? – Jon franziu as sobrancelhas. – Aço valiriano?
– Esta também foi minha primeira ideia.
(AFFC, Samwell I)
O diálogo entre Jon e Sam termina sem que tenhamos qualquer certeza sobre o que viria a ser o tal "aço de dragão". A especulação de que seria aço valiriano parece ser uma resposta que satisfaz a muitos leitores e foi a solução adotada pela série da HBO, o que, para muitos, reforça a sensação de que o palpite de Jon e Samwell estava correto.
Porém, "muitos" não são "todos". Há quem suspeite que "aço de dragão" não seria aço valiriano, e eu sou uma dessas pessoas. Assim, passemos à análise.

Necessidade do sinônimo

Por que Martin criaria uma segunda palavra para designar aço valiriano? Já que o primeiro palpite de Jon e Samwell foi exatamente que as palavras eram equivalentes, qual era a necessidade de criar uma nova palavra? Um belo detalhe de construção do mundo para demonstrar a evolução dos termos ao longo dos milênios? Não me parece.
Este não é o único mistério semântico de O Festim dos Corvos. Martin também surgiu com a profecia do valonqar, na qual joga com a confiabilidade dos termos que ouvimos. Neste outro mistério, por exemplo, arrisco dizer que pouquíssimos leitores seguem o palpite de Cersei de que seria Tyrion e se recusam a aceitar a interpretação restritiva do termo "irmão mais novo" como sendo o irmão mais novo da própria Cersei.
Outro mistério semântico decorre do enigma de meistre Aemon pouco antes de morrer: "a esfinge é a adivinha, não o adivinho". A situação de que Aemon não conheceu Alleras, mas era dotado de sonhos de dragão deixa o leitor dentro de um paradoxo. Não há referências o suficiente para que se saiba se meistre Aemon está falando sobre as esfinges valirianas ou sobre Alleras.
Por fim, meistre Aemon também arrisca a dizer que a profecia eclética de Melisandre, ora sobre "Azor Ahai", ora "Príncipe que foi prometido", teria sido interpretado de forma errada, o que teria resultado na procura por alguém do sexo masculino, esquecendo de considerar alguém do sexo feminino. Nós só temos uma noção geral do que está escrito nas profecias lidas, mas desconhecemos qualquer passagem que fale em príncipe ou princesa. Ainda assim, Martin logrou colocar o leitor dentro de um debate semântico.
Portanto, é curioso que em um livro coalhado de mistérios semânticos adorados e explorados à exaustão pelo fandom, haja tanto consenso sobre aço de dragão e aço valiriano serem sinônimos.
Mas também há aqueles que apelam para o argumento de que os valirianos não chamariam seu próprio aço de aço valiriano, por esta razão o nome "aço de dragão" seria o nome que o material teria em Valíria e que, somente com o tempo, o nome "aço valiriano" se firmou fora da península para se referir ao "aço de dragão".
Essa situação é justamente o que acontece com a obsidiana. Em Valíria, ela era chamada de "fogo congelado", os plebeus de Westeros a chamam de vidro de dragão e os meistres da Cidadela a chamam apenas de obsidiana. Mas é justamente aqui que está a armadilha desta comparação: diversas pessoas sabem que estas palavras são sinônimas (Melisandre, Meistre Yandel) e já que é a tradução em valiriano para obsidiana, qualquer pessoa que falasse Alto Valiriano também conheceria seu significado.
Dessa forma, se o aço valiriano fosse chamado literalmente de "aço de dragão" em Valíria, qualquer pessoa que falasse valiriano saberia que as expressões são sinônimas. Convenientemente, alguns capítulos depois da conversa com Jon, Samwell diz a Aemon que só falava "um pouco de alto valiriano" (AFFC, Samwell III).
Entretanto, é preciso notar que a palavra não deveria estar em valiriano no texto que Sam leu, mas na língua de Westeros. Como nós sabemos, os registros dos eventos ocorridos na Era dos Heróis "são obras de septões e meistres escritas milhares de anos depois do fato" (TWOIAF, A Era dos Heróis). Portanto, isso reduz nos deixa com algumas poucas opções:
  1. O relato falava de "aço valiriano" e o autor do texto usou o sinônimo "aço de dragão";
  2. O relato falava expressamente em "aço de dragão" e o autor do texto somente reproduziu o que ouviu;
  3. Não há pegadinha nenhuma, e aço de dragão e aço valiriano não são sinônimos.
Agora precisamos filtrar estas opções com auxílio de outros argumentos.

A questão de tempo, local e tecnologia

Samwell afirma ter encontrado a menção a aço de dragão em um "relato da Longa Noite". Isso traz uma série de problemas de confiabilidade a este registro.
Segundo a linha do tempo que temos, a Longa Noite ocorreu quando Westeros ainda vivia sua Idade do Bronze e Valíria sequer existia como civilização. Várias pessoas argumentam que isso não impediria que o segredo da manufatura já existisse antes do surgimento do domínio valiriano, até mesmo fora da península valiriana.
De fato, muitos alegam que, diante da suspeita de que o aço valiriano é forjado com ajuda de fogo de dragão ("um dia receberá das minhas mãos uma espada longa como o mundo nunca viu outra igual, forjada por um dragão e feita de aço valiriano" - AGOT, Daenerys X), a técnica poderia ter sido conhecida primeiro em Asshai, pois diz-se que os dragões podem ter se originado nas Terras das Sombras.
Contudo, nenhuma dessas alegações tem qualquer base.
Na verdade, temos diversas evidências para acreditar que somente os valirianos sabiam fabricar o aço que leva o nome deles, haja vista que todo o conhecimento de sua fabricação se perdeu com a Perdição:
Alguns mestres armeiros podiam voltar a trabalhar aço valiriano, mas os segredos de sua manufatura tinham sido perdidos quando a Perdição chegou à antiga Valíria.
(ASOS, Tyrion IV)
O aço valiriano sempre foi caro, mas tornou-se consideravelmente mais quando não havia mais Valyria, e o segredo de sua fabricação se perdeu.
(SSM de 2008)
As propriedades do aço valiriano são bem conhecidas, e são resultado tanto do fato de que o ferro era dobrado muitas vezes para equilíbrio e remoção de impurezas, quanto do uso de feitiços ‒ ou, pelo menos, de artes que não conhecemos ‒ para dar força sobrenatural ao aço resultante. Essas artes estão perdidas nos dias de hoje, embora ferreiros de Qohor afirmem que ainda conhecem as mágicas para retrabalhar o aço valiriano sem perder sua força ou capacidade insuperável de se manter afiada.
(TWOIAF, A Era dos Heróis)
Só ali, em todo o mundo, a arte de retrabalhar o aço valiriano foi preservada, seus segredos zelosamente guardados.
(TWOIAF, Outras Terras: Qohor)
Diante disto, é muito provável que a técnica tenha surgido e morrido em Valíria sem se espalhar pelo resto do mundo, nem mesmo para outras cidades do domínio valiriano. De fato, como se vê, nas Cidades Livres só Qohor tem uma fagulha desse conhecimento, mas nem mesmo ela é capaz de produzir aço valiriano.
O resultado imediato desta constatação é vermos a impossibilidade de que aço valiriano tenha sido produzido durante a longa noite ou que 'aço de dragão' fosse a palavra que a Westeros da Era dos Heróis usava para definir este tipo de material.
Por outro lado, o tal aço de dragão não precederia apenas ao surgimento de Valíria, mas talvez ao próprio aço. Não há nenhuma indicação de quando a tecnologia do aço foi aperfeiçoada no mundo de Westeros, mas sabemos que a arte de forjar o ferro que foi passada a ândalos e valirianos foi apreendida com os roinares.
E esta arte somente chegou em Westeros muito tempo depois da Longa Noite:
Varrendo o Vale com fogo e espada, os ândalos começaram a conquista de Westeros. Suas armaduras e armas de ferro superavam o bronze com o qual os Primeiros Homens ainda lutavam, e muitos Primeiros Homens pereceram nessa guerra.
(TWOIAF, A Chegada dos Ândalos)
Os Gardener também foram atrás de artesãos ândalos e encorajaram seus senhores vassalos a fazer o mesmo. Ferreiros e pedreiros, em particular, eram generosamente recompensados. Os ferreiros ensinaram os Primeiros Homens a usarem armas e armaduras de ferro no lugar de bronze, enquanto os pedreiros os ajudaram a fortalecer as defesas de seus castelos e fortalezas.
(TWOIAF, A Campina: Os ândalos na Campina)
Portanto, temos motivos para acreditar que o tal "aço de dragão" não veio de Valíria e poderia não ter nada a ver com aço em si.

Material alternativo ao aço valiriano

Intencionalmente, vou ignorar todas as teorias alternativas que propõem que aço de dragão seria alguma variedade aço valiriano. Vou listar aqui as que conheço para que todos saibam o que estou ignorando:
Eliminadas essas opções, resta apenas um material que poderia ter colocado o "dragão" na expressão "aço de dragão": ossos de dragão. Curiosamente, desde o início da saga isto está lá, plantando expressamente nos livros:
Tyrion enrolou-se em sua pele com as costas apoiadas no tronco, bebeu um gole de vinho e pôs-se a ler sobre as propriedades do osso de dragão. O osso de dragão é negro devido à grande quantidade de ferro que contém, dizia o livro. É forte como aço, mas é também leve e muito mais flexível, e, claro, completamente à prova de fogo. Os arcos de osso de dragão são muito apreciados pelos dothrakis, e sem surpresa. Um arqueiro assim armado pode alcançar mais longe do que com qualquer arco de madeira.
(AGOT, Tyrion III)
Ocorre que muitos leitores não gostam da ideia de que os ossos de dragão seriam um bom substituto para o aço valiriano. Como se trata de osso, por mais que tenha ferro em sua composição, não haveria como se forjar o osso para se tornar uma lâmina que pudesse ser usada contra os Outros.
A solução, portanto, replicam os defensores desta teoria, era que os ossos fossem entalhados até poderem ser usados como lanças ou lâminas. Afinal, usar lâminas feitas de osso era um costume provável entre os primeiros homens, pois ainda hoje o Povo Livre se vale de longas lâminas feitas de osso:
Quando Varamyr viu a mulher morta na floresta, ajoelhou-se para retirar a capa dela e não notou o garoto até que o menino irrompeu de seu esconderijo para acertá-lo com uma longa faca de osso e arrancar a capa de seus dedos.
(ADWD, Prólogo)
Val acariciou a faca de osso comprida em seus quadris.
(ADWD, Jon X)
Entretanto, muitas críticas foram feitas a essa alternativa, pois haveria limites para o tipo de armas que poderiam ser produzidas. Sem falar que lâminas equivalentes a espadas estariam supostamente fora de cogitação, pois o material seria supostamente flexível demais, mais apropriado para um arco, como Tyrion supostamente teria observado.
Ocorre que espadas de aço são bastante flexíveis, a fim de absorver o impacto, de forma que a plasticidade do material não seria em si um impeditivo. Na verdade, Martin parece ter intencionalmente evitado falar sobre lâminas feitas de ossos de dragão para surpreender o leitor mais tarde.
Entretanto, o entalhe dos ossos é apenas uma opção. Devido a sua composição cheia de ferro, não é fácil prever a que tipo de armas é possível fazer com este material e que tipo de deformações ele necessitaria/suportaria. Martin não deu nenhum detalhe sobre isso. Porém, ele fez algumas analogias com relação aos dentes de dragão que, à luz de todos os argumento neste texto, podem soar como bastante reveladoras:
Arya pôs-se em pé, movendo-se com cuidado. As cabeças estavam todas em volta dela. Tocou em uma, curiosa, perguntando-se se seria verdadeira. As pontas de seus dedos roçaram um maxilar maciço, sentindo-o bastante real. O osso era suave sob sua mão, frio e duro ao toque. Percorreu um dente com os dedos, negro e aguçado, um punhal feito de escuridão. Aquilo a fez estremecer.
– Está morto – disse em voz alta. – É só um crânio, não pode me fazer mal – mas, de algum modo, o monstro parecia saber que ela estava ali. Podia sentir seus olhos vazios observando-a por entre as sombras, e havia qualquer coisa naquela sala escura e cavernosa que não gostava dela. Afastou-se do crânio com cuidado e bateu as costas num segundo, maior que o primeiro. Por um instante sentiu os dentes se enterrarem em seu ombro, como se aquilo desejasse mordê-la. Arya rodopiou, sentiu o couro prender-se e se rasgar quando uma enorme presa mordeu seu colete, e então desatou a correr. Outro crânio ergueu-se na sua frente, o maior de todos os monstros, mas Arya nem sequer titubeou. Saltou sobre uma fileira de dentes negros altos como espadas, precipitou-se por entre maxilas famintas e atirou-se contra a porta.
(AGOT, Arya III)
Indo direto ao assunto, os dentes de um dragão poderiam servir como dezenas de lâminas. Enquanto estivesse vivo, a mordida do dragão seria terrivelmente eficaz. Porém, mesmo depois de morto, poderiam seu usados por seres humanos como armas altamente eficazes contra os outros.
Portanto, Aço de dragão ser osso de dragão significaria que, mesmo que os outros derrotassem os dragões de Daenerys, os heróis ainda poderiam usar os ossos e, principalmente, os dentes dos cadáveres dos dragões para vencer a Batalha da Aurora.
Isso daria sentido a Martin não precisar que os Dragões de Daenerys tivessem o tamanho de Balerion, Vhagar e Meraxes para que houvessem boas chances de vitória.
Você agora poderia me perguntar como foi que os Primeiros Homens poderiam ter ossos de dragão para fazer "aço de dragão" se apenas havia dragões na península valiriana e nas Terras da Sombra, mas não em Westeros. Bem, vou deixar que GRRM e Meistre Yandel respondam:
FÃ: Em 'O Cavaleiro Andante' são mencionados dragões antigos, com milhares de anos de idade. Havia dragões em Westeros antes que os Targaryen os trouxessem, ou eles trouxeram os esqueletos dos antigos dragões com eles?
GRRM: Havia dragões por toda parte, no passado.
(SSM de 1999)
No entanto, se os homens da Sombra domaram os dragões primeiro, por que não partiram para a conquista, como os valirianos? Parece mais provável que o relato dos valirianos seja o mais verdadeiro. Mas já existira dragões em Westeros antigamente, muito antes da chegada dos Targaryen, como nossas próprias lendas e histórias nos contam. Se os dragões saíram das Catorze Chamas, eles devem ter se espalhado pela maior parte do mundo conhecido antes de serem domados. E, de fato, há evidências disso, como ossos de dragões encontrados tão ao norte quanto Ibben, e mesmo nas florestas de Sothoros. Mas os valirianos os subjugaram e colocaram arreios nele como ninguém mais foi capaz de fazer.
(TWOIAF, A Ascensão de Valíria)

Alternativa nº 2

Caso você não tenha comprado a ideia de que "aço de dragão" não precisa ser feito de metal, há um outro modo de produzir armas com ossos de dragão que pode lhe interessar.
Em resumo, o ferro nos ossos dos dragões deve ter propriedades mágicas e assim bastaria extraí-lo dos ossos e misturá-lo com aço normal na forja. Eu li uma thread em que um usuário do Forum of Ice and Fire dizia que era comum misturar ossos ao ferro na metalurgia da Idade Média, por conta do carbono no osso (o controle do carbono no metal é essencial na transformação de ferro em aço).
Outra opção seria fundir o ferro no osso para criar uma peça inteiramente feita de "ferro de dragão" e posterioment transformá-lo em "aço de dragão". Mas a técnica de fundição de ferro é algo que somente foi implementado com algum sucesso em tempos mais modernos (com a invenção da forja catalã, altos fornos e, finalmente, o Forno Siemens-Martin). Assim, a técnica parece muito avançada para ter sido utilizada na Era dos Heróis.
Por outro lado, o próprio Martin afirma que nem mesmo em tempos recentes este tipo de coisa era normal entre os valirianos:
FÃ: Em Valyria, eles usavam osso de dragão no aço valiriano?
GRRM: Não.
(SSM de 2002)
Por essa razão que eu não acredito que esta alternativa seja a correta. Aposto na opção dos ossos de dragão entalhados ou dentes de dragão com empunhaduras de couro.
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2019.12.07 02:28 altovaliriano Sangue de Tywin nas mãos de Varys

Em seu primeiro capítulo em O Festim dos Corvos, Jaime tem um interessante monólogo sobre os culpados pela morte de Tywin, no qual ele inclui Varys:
Minha mão está faminta por uma espada. Preciso matar alguém. Varys, para começar, mas primeiro tenho de encontrar a pedra debaixo da qual ele se escondeu.
– Ordenei ao eunuco que o levasse a um navio, não ao seu quarto – disse ao cadáver. – O sangue está tanto nas mãos dele como nas... nas de Tyrion – o sangue está tanto nas mãos dele como nas minhas, pretendera dizer, mas as palavras ficaram-lhe presas na garganta. O que quer que Varys tenha feito, fui eu que o obriguei a fazê-lo.
(AFFC, Jaime I)
O próprio GRRM, em uma entrevista em 16 de junho de 2014 à Entertainment Weekly, afirmou que a questão entre Varys, Shae, Tyrion e Tywin é algo que ele fará revelações nos próximos livros:
EW: Certo, e há também a questão da surpresa da hipocrisia de Tywin quando ele [Tyrion] a encontra na cama dele. Tywin sabia que ela era uma prostituta [na versão do livro isso não fica claro]? Ou ele simplesmente não ligava?
GRRM: Ah, eu acho que Tywin sabia sobre Shae. Ele provavelmente adivinhou que ela era a seguidora de acampamento que ela havia expressamente dito “você não levará aquela puta para corte”, mas que Tyrion o havia desafiado e levado "aquela puta" à corte. Quanto ao que exatamente ocorreu aqui, é algo sobre o qual não quero falar, porque há aspectos disso que eu não revelei e que serão revelados nos próximos livros. Mas o papel de Varys em tudo isso é algo para se levar em consideração.
Muitos leitores afirmam enxergar a mão de Varys nos eventos que levaram à morte de Tywin, ainda que todos eles pareçam ter sido planejados e executados por terceiros. Mas ele queria matar Tywin naquela noite, usando Tyrion como executor?

MOTIVO

Bem, Varys já demonstrou que trabalha para dividir o reino e facilitar a Ascenção de fAegon ao Trono de Ferro, e isso certamente envolveria se livrar de todos os Lannister que estivessem no caminho. Portanto, ele teria um motivo:
– Achei a besta adequada. Você partilhou tanto com Lorde Tywin, por que não isso? Sua sobrinha pensará que os Tyrell o assassinaram, talvez com a conivência do Duende. Os Tyrell suspeitarão dela. Alguém, de alguma forma, encontrará uma maneira de culpar os dornenses. Dúvida, divisão e desconfiança vão roer o chão por baixo do seu rei Tommen, enquanto Aegon levanta seu estandarte sobre Ponta Tempestade e os senhores do reino se reúnem em torno dele.
(ADWD, Epílogo)
Varys possuía os meios de dar cabo de Tywin naquela noite, pois conhecia as passagens secretas do castelo ainda melhor do que Tyrion e poderia soltar Tyrion ele mesmo e, uma vez que o anão estivesse no navio, poderia matar Tywin e Shae de modo a incriminar o anão.
Contudo, ao permitir a participação de Jaime na fuga de Tyrion, ele também poderia semear a discórdia entre Cersei e Jaime, de forma que com apenas uma cajadada, desestruturaria todo o ramo principal da família Lannister, entre eles a Rainha Regente e o Lorde Comandante da Guarda Real.
Mas como poderia Varys ter antecipado que Jaime estaria em seu quarto àquela noite ou saberia de seus planos (que ele não teria confessado a ninguém)?

MEIOS

Primeiramente a questão de saber ou não que Jaime estava em seu quarto: as lembranças de Jaime de como ele procurou Varys fornecem bastante evidência circunstancial de que Varys se deixou ser coagido a libertar Tyrion:
Esperara nos aposentos do eunuco, naquela noite, quando por fim decidira não permitir que o irmão mais novo morresse. Enquanto esperava, afiara o punhal com uma mão só, obtendo um estranho conforto do raspa-raspa-raspa do aço na pedra. Ao ouvir o som de passos, pusera-se em pé junto à porta. [...]
(AFFC, Jaime I)
Para alguém que estava lidando com um mestre espião com ouvidos em todos os lugares, Jaime estava fazendo um bocado de barulho afiando seu punhal. Além disso, Varys parecia estar andando inusitadamente de modo barulhento para alguém cuja discrição é lendária e que comumente é visto usando seus "chinelos macios" (como, por exemplo, em AGOT, Arya V; e ACOK, Tyrion I).
Por outro lado, Varys tem uma rede de crianças espionando atrás das paredes da Fortaleza Vermelha e, uma vez que não mantém guardas na porta de seu quarto (apesar de ser sabidamente impopular e constantemente viver sobre ameaça), é muito capaz que tenha alguns de seus passarinhos designados a manter o local sob vigilância.
O fato de que Jaime estava a afiar sua adaga no quarto do eunuco só aumenta as chances de sua presença já ser conhecida. Do mesmo modo, uma vez que Jaime conseguiu ouvir Varys se aproximando pode ser um indicativo de que Varys também poderia ouvi-lo afiando sua adaga e por isso não se importou de que Jaime também soubesse de que se aproximava.
Agora vamos à questão de como Varys poderia saber das intenções de Jaime:
Varys entrara numa maré de pó e lavanda. Jaime aproximara-se dele por trás, dera-lhe um pontapé na parte de trás dos joelhos, ajoelhara sobre seu peito e enfiara-lhe a faca sob o queixo alvo e macio, obrigando-o a erguer a cabeça.
– Ora, Lorde Varys – disse, em tom agradável –, achei que o encontraria aqui.
– Sor Jaime? – Varys arquejou. – Assustou-me.
– Pretendi assustar – quando torceu o punhal, um fiozinho de sangue correu lâmina abaixo. – Estava aqui pensando que você poderia me ajudar a arrancar meu irmão da cela antes que Sor Ilyn lhe corte a cabeça. É uma cabeça feia, admito, mas ele só tem uma.
– Sim... bem... se fizer o favor... de afastar a lâmina... sim, devagar, se aprouver ao senhor, devagar, oh, fui picado... – o eunuco tocara o pescoço e fitara de boca aberta vendo o sangue que trouxera nos dedos. – Sempre odiei o aspecto do meu próprio sangue.
– Terá mais para odiar em breve, a menos que me ajude.
Varys lutou para se sentar: – Seu irmão... se o Duende desaparecesse inexplicavelmente da cela, seriam feitas p-perguntas. Eu t-temeria por minha vida...
– Sua vida me pertence. Não me interessa que segredos conhece. Se Tyrion morrer, você não sobreviverá por muito tempo, eu lhe prometo.
– Ah – o eunuco chupou o sangue dos dedos. – Pede uma coisa terrível... libertar o Duende que matou nosso adorável rei. Ou será que o julga inocente?
– Inocente ou culpado – disse Jaime, como o tolo que era –, um Lannister paga suas dívidas – as palavras tinham vindo tão facilmente.
(AFFC, Jaime I)
Toda a reação de Varys ao ocorrido parece demasiado teatral, como sempre. Mas o que chama mais a atenção é que mesmo sob ameaça o eunuco aproveita para cavar as motivações de Jaime, o que, por fim, lhe permitiu manipular situação para que Jaime se sentisse bobo e que a semente da culpa fosse plantada.
Por outro lado, caso Varys tivesse algumas informações privilegiadas sobre Jaime, saberia que o Regicida teve um recente desentendimento com Tywin, está se afastando da família e fala em prol de seu irmão (até “confessou” acreditar em sua inocência):
– Oh, ele sabe. Os Lannister mentem, lembra? Não importa, a garota serve ao seu propósito igualmente bem. Quem irá dizer que ela não é Arya Stark? Todo mundo de que a garota era próxima está morto, exceto a irmã, que desapareceu.
– Por que me contaria tudo isso se fosse verdade? Está traindo os segredos de seu pai.
[...]
– O Príncipe Oberyn de Dorne está morto, Sor Gregor Clegane, moribundo, e Tyrion condenado perante os olhos dos deuses e dos homens. Ele será mantido numa cela negra até o matarem.
Brienne olhou-o.
– Não acredita que tenha sido ele.
Jaime concedeu-lhe um sorriso duro.
Vê, garota? Conhecemo-nos bem demais. [...].
(ASOS, Jaime IX)
Como dito, Varys poderia ele mesmo ter matado Tywin, mas nesse caso ele assumiria todo o risco de falhar, de Tyrion insistir em provar sua inocência, de que os Lannister se unissem diante a uma ameaça invisível. Porém, pondo parte do sangue nas mãos de Jaime e Tyrion, o risco diminuiria consideravelmente.
Dessa forma, quando soube que Jaime estava em seu quarto, Varys teria tratado logo de lhe extrair os motivos, para vinculá-lo ao momento.
Por outro lado, é preciso observar que Varys teve tempo para articular uma forma de se disfarçar de septão:
Está esperando na escada, vestido com uma túnica de septão. (ASOS, Tyrion XI)
Executar um plano por os carcereiros para dormir:
O eunuco misturou sonodoce no vinho deles, mas não o suficiente para matá-los. (ASOS, Tyrion XI)
Acender o braseiro por baixo da torre da mão:
Uma luz surgiu diante deles, tênue demais para ser a luz do dia, e cresceu à medida que se apressavam em sua direção. Passado algum tempo, Tyrion viu que se tratava de uma porta em arco, fechada por outro portão de ferro. Varys apresentou uma chave. Atravessaram a porta e entraram num pequeno aposento redondo. Havia mais cinco portas na sala, todas fechadas com barras de ferro. Havia também uma abertura no teto, e uma série de degraus de mão na parede por baixo da abertura, levando para cima. Um ornamentado braseiro encontrava-se de um lado, esculpido com a forma de uma cabeça de dragão. O carvão dentro da boca escancarada da fera já tinha se reduzido a brasas, mas ainda brilhava com uma lúgubre luz alaranjada. Embora bastante fraca, a luz era bem-vinda depois do negrume do túnel.
(ASOS, Tyrion XI)
E até prepara um navio com pessoas de confiança que o levariam a Pentos:
Uma galé está esperando na baía. Varys tem agentes nas Cidades Livres que se assegurarão de que não lhe faltem fundos... (ASOS, Tyrion XI)
Portanto, diante da miríade de meios à disposição de Varys, fica parecendo que muita coincidência que Jaime o tenha coagido em tão boa hora. Igualmente, a quantidade de passo que teve que ser adotada revela que o eunuco teve bastante tempo para preparar toda a cena e executar o plano, talvez até com certa liberdade criativa.

OPORTUNIDADE

O momento em que todos os elementos se juntam ocorre quando Jaime confessa a Tyrion que Tysha não era uma prostituta. No entanto, o plano estaria bem encaminhado sem esse detalhe. Varys ainda poderia matar Shae e Tywin na cama e Jaime ainda acreditaria ter sido Tyrion e cultivar sua culpa.
Porém, aparentemente Varys havia aberto a possibilidade de Tyrion assumir a execução do crime quando preparou o cenário para que Tyrion visse o mosaico de dragão sobre o qual Shae já havia lhe falado:
Além do braseiro, a sala encontrava-se vazia, mas o chão exibia o mosaico de um dragão de três cabeças, feito com ladrilhos vermelhos e negros. Algo perturbou Tyrion por um momento. Então ocorreu-lhe o que era. Este é o lugar de que Shae me falou, quando Varys a levou pela primeira vez à minha cama.
(ASOS, Tyrion XI)
É provável que Jaime nunca tenha visto essa passagem quando esteve com Varys, o que reforça que o eunuco teve bastante liberdade ao arranjar a fuga do Eunuco, ou talvez até mesmo tenha tido tempo de levar Shae ao aposento de Tywin. De fato, Jaime se refere ao mosaico como “um”, não como “o”:
Encontraram apenas escuridão, poeira e ratazanas. E dragões, à espreita lá embaixo. Recordava o soturno brilho cor de laranja das brasas na boca do dragão de ferro. O braseiro aquecia um aposento situado no fundo de um poço onde se encontrava meia dúzia de túneis. No chão, deparara com um mosaico desgastado que mostrava o dragão de três cabeças da Casa Targaryen feito com ladrilhos negros e vermelhos.
(AFFC, Jaime I)
A ideia de seguir aos aposentos do pai pareceu surgir espontaneamente de Tyrion. Contudo, a forma macia como Varys reage ou o aconselha a não subir denota que a Aranha estava fingindo ser o grilo falante ou o anjo no ombro de Tyrion... ao mesmo tempo em que fornecia ao anão todas as informações solicitadas com precisão de detalhes:
– Estamos por baixo da Torre da Mão.
– Sim. – Dobradiças geladas gritaram em protesto quando Varys abriu uma porta havia muito fechada. Partículas de ferrugem caíram lentamente no chão. – Isso vai nos levar ao rio.
Tyrion dirigiu-se lentamente para a escada, percorreu coma mão o degrau inferior.
– Isso vai me levar ao meu quarto de dormir.
– Agora é o quarto do senhor seu pai.
Ergueu os olhos para o alçapão.
– Quanto terei de subir?
– Senhor, está fraco demais para uma loucura dessas, e além disso não há tempo. Temos de ir.
– Tenho assuntos a tratar lá em cima. Quão longa é a subida?
– Duzentos e trinta degraus, mas seja o que for que pretenda...
– Duzentos e trinta degraus, e depois o quê?
– O túnel à esquerda, mas escute-me...
– A que distância está do quarto? – Tyrion pôs um pé no degrau mais baixo da escada.
– Não passa de vinte metros. Mantenha uma mão na parede enquanto avançar. Detectará as portas pelo tato. O quarto é na terceira. – Suspirou. – Isso é uma loucura, senhor. Seu irmão devolveu-lhe a vida. Quer jogá-la fora, juntamente coma minha?
– Varys, a única coisa que prezo menos do que a minha vida neste momento é a sua. Espere-me aqui. – Deu as costas ao eunuco e começou a subir, contando em silêncio.
(ASOS, Tyrion XI)
É possível ver nesta passagem que todas as informações que foram dadas, poderiam ter sido negadas. Inclusive, Varys poderia:
  1. ter dito a Tyrion que o aposento estava vazio e inventado uma razão;
  2. dado direções incompletas ou erradas;
  3. ameaçado deixar Tyrion sozinho nas passagens labirínticas e escuras abaixo da fortaleza vermelha.
Entretanto, não fez nada disso. Na verdade, quando Tyrion o contou o que havia ocorrido, falando inclusive sobre Shae, Varys se limitou a lembra-lo de que tipo de pessoa Tywin e Shae eram:
Varys o guiou pelos túneis, mas não falaram nada até saírem ao lado da Água Negra, onde Tyrion conseguiu uma famosa vitória e perdeu o nariz. Foi aí que o anão se virou para o eunuco e disse:
– Matei meu pai – no mesmo tom que um homem usaria para dizer: “Perdi o dedo do pé”.
O mestre dos sussurros estava vestido como um irmão mendicante, com uma túnica de tecido rústico marrom, comida por traças, e um capuz que cobria de sombras suas gordas e macias bochechas e a cabeça careca.
– Você não devia ter subido aquelas escadas – ele disse em tom de reprovação. “Aonde quer que as putas vão.” Tyrion queria que seu pai não tivesse dito aquilo. Se eu não tivesse soltado o gatilho, ele teria visto que minhas ameaças eram vazias. Teria tirado a besta das minhas mãos como certa vez tirou Tysha de meus braços. Ele estava se levantando quando o matei.
– Matei Shae também – ele confessou para Varys.
– Você sabia o que ela era.
– Sabia. Mas nunca soube o que ele era.
Varys deu um riso abafado. – E agora você sabe.
Eu devia ter matado o eunuco também. Um pouco mais de sangue em suas mãos, quem se importaria? Não saberia dizer o que segurara sua adaga. [...]
(ADWD, Tyrion I)
Podemos ver como Varys não alterou seu estado de espírito diante das revelações de Tyrion, apenas seguiu com os arranjos.
Porém, Varys ainda se importou em repetir que Tyrion não deveria ter subido as escadas, o que pode ser interpretado como um indício de que os planos de Varys se limitavam à fuga de Tyrion. Alguns leitores, inclusive, partindo desta ideia, reimaginaram a teoria de que Tywin fora envenenado, com Varys sendo o envenenador. Com isso, os apelos de Varys para que Tyrion não subissem seriam sinceros, pois talvez a culpa pelo envenenamento recaísse sobre Shae.
De todo modo, por fim, vale observar que mesmo que Tyrion falhasse em sua tentativa, Varys poderia simplesmente fugir para Pentos sem Tyrion (o qual não era de forma alguma essencial para os planos de Mopatis, Connington ou Aegon).
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2019.10.06 21:05 O-Pensador O que é Libertarianismo de Esquerda?

Por Kevin Carson
O libertarianismo de esquerda (ou left-libertarianism) tem sido bastante discutido dentro da comunidade libertária recentemente. O termo “libertário de esquerda” já foi utilizado de muitas maneiras dentro do discurso político e parece haver certa confusão dentro dos próprios grupos libertários a respeito de quem realmente são os libertários de esquerda.
As ideias básicas dos libertários de esquerda são mais amplas que as defendidas por nós, que fazemos parte da Alliance of the Libertarian Left (ALL) e do Centro por uma Sociedade Sem Estado (C4SS). Os anos 1990 foram um momento de crescimento das ideias libertárias orientadas à esquerda e do uso das ideias de livre mercado como armas contra os males do capitalismo corporativo. Vários pensadores desenvolveram, naquele momento, linhas de análise paralelas e independentes, passando a constituir uma grande e diversa tendência ideológica. Porém, quando consideramos o papel desproporcional que a ALL e o C4SS desempenharam no crescimento dessa tendência, devemos explicar o que queremos dizer quando falamos do libertarianismo de esquerda.
O uso mais amplo e antigo do termo “libertário de esquerda” (e, talvez, mais familiar àqueles do movimento anarquista como um todo) remonta ao século 19 e inclui praticamente toda a esquerda não-estatista, horizontalista ou descentralista — todos exceto os social-democratas e leninistas, basicamente. O termo originalmente era sinônimo a “socialista libertário” ou “anarquista” e incluía sindicalistas, comunistas de conselhos, seguidores de Rosa Luxemburgo e Daniel DeLeon, etc. Muitos dos que fazem parte do C4SS também se consideram parte desse grupo mais amplo de libertários de esquerda, embora nós tenhamos em mente uma posição mais específica ao usar esse rótulo.
Para o público geral, o rótulo “libertário de esquerda” é mais apropriado para descrever a escola de pensamento representada por Hillel Steiner e Peter Vallentyne, entre outros. A maior parte dos adeptos dessa filosofia defendem uma crença na auto-propriedade e no princípio da não-agressão e uma visão mais esquerdista a respeito dos limites que existem na apropriação de bens que fazem parte dos comuns e na aquisição de direitos pela simples mistura do trabalho. É um ponto de vista de forte interseção com o georgismo ou o geolibertarianismo. Embora essa versão das ideias libertárias de esquerda não seja a mesma que defendemos na ALL e no C4SS — e embora alguns de nossos membros provavelmente seriam contrários a alguns aspectos a ela —, é fácil imaginar que um partidário dessa filosofia se sentiria em casa entre nós.
Dentro da comunidade libertária anglosférica e entre aqueles que se descrevem como “liberais” no resto do mundo, o “libertarianismo de esquerda” pode ser associado com a aproximação de Murray Rothbard e Karl Hess aos anarquistas dentro do Students for a Democratic Society (SDS) por volta de 1970, que deu origem a movimentos rothbardianos de esquerda como o agorismo, de Samuel Edward Konkin III. Embora o rothbardismo de esquerda e o agorismo não sejam as posições oficiais da ALL ou do C4SS, é justo dizer que existe certa continuidade institucional com o Movement of the Libertarian Left de Konkin e, além disso, parte significativa de nossos membros vem da tradição rothbardiana e konkinista. Eu não fui desses movimentos. Somos uma coalizão de várias tendências que inclui rothbardianos de esquerda, anarquistas individualistas clássicos na linha do século 19, georgistas e muitas outras tradições.
Há também uma tendência entre os libertários americanos a nos confundir com os “Bleeding Heart Libertarians”, que, na verdade, é o nome de um blog em particular. Embora haja bons artigos publicados nele e apesar de terem veiculado alguns artigos nossos, nós não somos bleeding heart libertarians. Eles estão muito mais próximos do fusionismo “liberaltarian” (isto é, entre os social-democratas e os libertários americanos), com ideias que variam desde o “paternalismo libertário” de Cass Sunstein à defesa de sweatshops e dos assentamentos israelenses. Além disso, a maioria deles não são anarquistas e nós somos.
Assim, agora que consideramos aquilo que nós, da ALL e do C4SS, não somos e não queremos dizer quando falamos do “libertarianismo de esquerda”, o que realmente defendemos? Nós nos chamamos de libertários de esquerda, primeiramente, porque pretendemos recuperar as raízes de livre mercado do libertarianismo de livre mercado e, em segundo lugar, porque queremos mostrar a relevância e utilidade do pensamento de livre mercado para lidar com as preocupações da esquerda contemporânea.
O liberalismo clássico e o movimento socialista clássico do começo do século 19 tinham raízes comuns no Iluminismo. O liberalismo de Adam Smith, David Ricardo e outros economistas políticos clássicos era essencialmente um ataque esquerdista aos privilégios econômicos das oligarquias estabelecidas whig e ao mercantilismo dos detentores do dinheiro.
Com a derrota dos senhores de terras e dos mercantilistas whig no século 19 pelos industrialistas, que assumiram posições predominantes dentro do estado, o liberalismo clássico gradualmente tomou as feições de uma apologia aos interesses do capital industrial. Mesmo assim, as linhagens de esquerda — e até socialistas — do pensamento de livre mercado continuaram a sobreviver às margens do liberalismo.
Thomas Hodgskin, liberal clássico que escreveu dos anos 1820 até os anos 1860, também era um socialista que considerava rendas, lucros e juros como retornos monopolísticos sobre direitos de propriedade artificiais. Josiah Warren, Benjamin Tucker e outros individualistas americanos também defendiam um socialismo de livre mercado em que a competição sem restrições destruiria rendas, lucros e juros e garantiria que o “pagamento natural do trabalho” fosse seu produto. Muitos anarquistas individualistas associados com o jornal Liberty, de Benjamin Tucker, eram próximos a associações trabalhistas e socialistas radicais, como os Kinghts of Labor, a International Workingmen’s Association e a Western Federation of Miners.
Essa tendência dentro do libertarianismo também estava dentro da esquerda cultural, com laços fortes com movimentos pela abolição da escravidão e pela igualdade racial, pelo feminismo e pela liberdade sexual.
Com os conflitos de classe do final do século 19, a retórica de “livre mercado” e “livre empresa” dentro da política americana passou a ser associada cada vez mais à defesa militante do poder do capital corporativo contra os movimentos populistas trabalhistas e agrários radicais. Ao mesmo tempo, a divisão interna no movimento anarquista entre comunistas e individualistas deixou os individualistas suscetíveis à colonização pela direita. No século 20, o “libertarianismo de livre mercado” veio a ser associado a defesas direitistas do capitalismo por Ludwig von Mises e Ayn Rand. A tradição individualista sobrevivente foi perdendo o seu caráter esquerdista, pró-trabalhista e culturalmente socialista, adotando características da direita.
No entanto, sobreviveram algumas tradições da esquerda dentro do libertarianismo americano. Em particular, georgistas e semi-georgistas como Bolton Hall, Albert Jay Nock e Ralph Borsodi continuaram a atuar até meados do século 20.
Nós, na esquerda libertária, consideramos absolutamente perverso que as ideias libertárias de livre mercado, uma doutrina que se originou como ataque aos privilégios econômicos de latifundiários e grandes mercadores, tenha sido cooptado e transformado numa defesa do poder estabelecido da plutocracia. O uso do “livre mercado” como ideologia legitimizadora para o capitalismo corporativo e o crescimento dos propagandistas “libertários” é uma perversão tão grande dos princípios de livre mercado quanto os símbolos e a retórica dos regimes stalinistas foram uma perversão dos valores do movimento dos trabalhadores.
O sistema industrial capitalista que os libertários têm defendido desde o século 19 nunca se aproximou de um livre mercado. O capitalismo, enquanto sistema histórico que surgiu no começo da Idade Moderna, é, em vários aspectos, um desenvolvimento direto do feudalismo bastardo do final da Idade Média. Foi fundado na dissolução dos campos abertos, no cercamento dos comuns e em outras expropriações dos camponeses. Na Inglaterra, não só a população rural foi transformada em um proletariado destituído e empurrados para o trabalho assalariado, mas sua liberdade de associação e de ir e vir foram criminalizadas pelo estado policial durante as primeiras duas décadas do século 19.
A nível global, o capitalismo se tornou um sistema mundial através da ocupação colonial, da expropriação e da escravização de grande parte do Sul. Dezenas e centenas de milhões de camponeses foram expulsos de suas terras pelos poderes coloniais e levados ao mercado de trabalho assalariado. Suas propriedades prévias foram transformadas em plantações voltadas para o comércio, em uma reprise do que havia acontecido durante os cercamentos na Grã-Bretanha. Não só na época colonial, mas também nos períodos pós-coloniais, a terra e os recursos naturais do Terceiro Mundo foram cercados e saqueados pelos interesses empresariais do Ocidente. A concentração atual das terras no Terceiro Mundo nas mãos das elites latifundiárias e de petróleo e recursos minerais nas mãos de corporações ocidentais são legado direto de 400 anos de roubos coloniais e neocoloniais.
Nós, da esquerda libertária, como entendemos esse termo no C4SS, queremos retomar os princípios de livre mercado das mãos dos apologistas dos grandes negócios e da plutocracia e colocá-lo de volta a serviço de seu propósito original: um ataque radical aos interesses econômicos e às classes privilegiadas de nosso tempo. Se o liberalismo clássico de Smith e Ricardo era um ataque ao poder dos oligarcas whigs e dos interesses empresariais, nosso libertarianismo de esquerda é um ataque a seu correspondente contemporâneo: o capitalismo financeiro global e as corporações transnacionais. Nós repudiamos o papel do libertarianismo mainstream na defesa do capitalismo corporativo do século 20 e sua aliança com o conservadorismo.
Nós, da esquerda libertária, também queremos demonstrar a relevância dos princípios de livre mercado, da livre associação e da cooperação voluntária para lidar com as preocupações da esquerda atual: a injustiça econômica, a concentração e a polarização da riqueza, a exploração do trabalho, a poluição, o desperdício e a poluição, o poder corporativo e as formas estruturais de opressão, como o racismo, o sexismo, a homofobia e a transfobia.
Onde ocorreram roubos ou injustiças, nós nos colocamos radicalmente pela restituição total. Onde persiste o poder das elites neofeudais, nós tratamos suas terras como legítimas propriedades daqueles cujos antepassados as usaram e cultivaram. Os camponeses despejados de terras para dar lugar às colheitas da Cargill e da ADM devem ter suas terras restauradas. As haciendas na América Latina devem ser abertas para apropriação imediata dos camponeses sem terras. Os direitos de propriedade a terras vagas e não utilizadas nos Estados Unidos e em outras sociedades colonizadoras devem ser anulados. Em casos em que as terras originalmente tomadas por esses títulos ilegítimos são cultivadas atualmente por arrendatários ou locatários, o título de propriedade deve ser transferido para eles. Direitos de propriedade de corporações a minas, florestas e campos petrolíferos obtidos através de roubos coloniais devem ser declarados nulos.
Uma lista mínima de demandas do libertarianismo de esquerda deve incluir a abolição de todos os direitos de propriedade artificiais, de toda a escassez artificial, todos os monopólios, barreiras de entrada, cartéis regulatórios e subsídios através dos quais toda a lista de corporações que compõe a Fortune 500 adquire seus lucros. Deve incluir o fim a todos os títulos de proprietários ausentes a terras vagas, de todos os monopólios de “propriedade intelectual” e todas as restrições à livre competição na emissão de moeda e crédito ou da adoção de todos os meios de troca escolhido pelas partes de uma transação. Por exemplo, a abolição de patentes e marcas registradas acabaria com todas as barreiras que impedem que as empresas terceirizadas pela Nike na Ásia produzam imediatamente tênis idênticos e os vendam à população local a uma pequena fração de seu preço tabelado. Seria um fim imediato a todas as restrições à produção e venda de versões concorrentes de medicamentos sob patentes, com frequência por até 5% do preço. Queremos que a fração dos preços dos bens e serviços que consista de rendas advindas de propriedades artificiais de ideias ou técnicas — que compõem a maior parte do preço total em muitos casos — suma face à competição.
Nosso programa também deve incluir um fim a todas as barreiras artificiais ao auto-emprego, aos negócios caseiros, à construção de casas por conta própria e a outros meios de subsistência de baixo custo — que incluem leis de licenciamento, zoneamento e regulamentações de segurança. Deve também incluir um fim a todas as restrições ao direito de o trabalho se organizar e a negar seus serviços sob qualquer circunstância e organizar boicotes. Também devemos defender um fim a todos os privilégios legais que dão aos sindicatos estabelecidos o direito de restringir greves sem aviso prévio e outras ações diretas empreendidas pelos trabalhadores.
No caso da poluição e do esgotamento dos recursos naturais, o programa libertário de esquerda deve incluir o fim de todo acesso à terra pelas indústrias extrativas (isto é, a união entre o Bureau of Land Management dos Estados Unidos e as empresas de exploração de petróleo, mineiras, madeireiras e pecuárias), o fim de todos os subsídios ao consumo de energia e ao transporte (incluindo um fim aos subsídios ao transporte aéreo e rodoviário e o fim das expropriações para dar lugar a aeroportos e estradas), o fim das expropriações para dar lugar a oleodutos e gasodutos, a eliminação de todos limites legais de responsabilização penal para corporações por derramamentos de óleo e outros tipos de poluição, o fim da doutrina que estipula que padrões regulatórios mínimos substituem padrões mais severos de responsabilização penal do direito comum e uma restauração da responsabilidade ilimitada(que existia sob o direito comum) para atividades poluidoras como a fraturação hidráulica e a mineração por remoção do topo da montanha. E deve incluir, obviamente, o papel do estado militar americano na garantia do acesso estratégico a bacias petrolíferas no exterior ou em manter as vias marítimas abertas para os navios petroleiros.
O capitalismo corporativo e a opressão de classes sobrevivem através da intervenção estatal em benefício dos privilegiados e poderosos. Os mercados livres verdadeiros, a cooperação voluntária e a associação livre agem como dinamite na base desse sistema de opressão.
Qualquer programa libertário de esquerda deve incluir uma preocupação com a justiça social e com o combate da opressão estrutural. Isso significa, obviamente, um fim a toda a discriminação estatal com base em raça, gênero ou orientação sexual. Mas significa também muito mais.
Como libertários, nós nos opomos a todas as restrições legais à liberdade de associação, inclusive a leis contra a discriminação por empresas privadas. Mas devemos apoiar com entusiasmo a ação direta para combater as injustiças na esfera social. Historicamente, as leis anti-discriminação estatais serviram apenas para codificar, relutantemente após mudanças sociais, os ganhos obtidos através de ações diretas como os boicotes a ônibus, os protestos passivos em lanchonetes e a rebelião em Stonewall. Nós devemos apoiar o uso da ação direta, da pressão social, dos boicotes e da solidariedade para combater formas estruturais de opressão como o racismo e a cultura do estupro, desafiando as normas internalizadas que perpetuam esses sistemas de coerção.
Ao lidar com todas as formas de injustiça, devemos usar uma abordagem interseccional. Isso inclui o repúdio a práticas da velha esquerda, que consideram preocupações com raça e gênero como questões “divisivas” ou como algo a ser discutido “mais tarde”, para que se mantenha a unidade de classe. Inclui também o repúdio de movimentos de justiça de raça e gênero ocupados por profissionais da alta classe média, que enfatizam somente a chegada de negros e mulheres em “espaços de poder” e em “gabinetes e salas de reunião mais parecidos com o nosso país”, deixando intocado o poder desfrutado por esses espaços, gabinetes e salas de reunião. O ataque a uma forma de privilégio não deve ser visto como prejudicial a outras lutas; ao contrário, todas as lutas são complementares e se reforçam mutuamente.
A preocupação especial às necessidades interseccionais dos nossos companheiros menos privilegiados em cada movimento pela justiça — mulheres e negros na classe trabalhadora; mulheres pobres e trabalhadoras, mulheres negras, mulheres transgênero e trabalhadoras do sexo dentro do feminismo; mulheres, pobres e trabalhadores dentro do movimento anti-racista; etc — não divide esses movimentos. Na verdade, os fortalece contra as tentativas da classe dominante de dividi-los e conquistá-los através da exploração de suas divisões internas. Por exemplo, os grandes donos de terras derrotaram os sindicatos de pequenos fazendeiros locatários do sul dos Estados Unidos nos anos 1930 ao estimular e explorar as tensões raciais dentro de seu movimento, que causaram sua divisão em sindicatos separados de brancos e negros. Qualquer movimento de justiça de classe, raça ou sexo que ignore a interseção de múltiplas formas de opressão entre seus membros e deixe de prestar atenção às necessidades especiais dos menos privilegiados está vulnerável ao mesmo tipo de oportunismo. Em última análise essa atenção a preocupações interseccionais deve incluir a abordagem de espaços de segurança que cria uma atmosfera de debate genuíno, sem perseguições e insultos deliberados.
Os libertários — com frequência, por sua própria culpa — são considerados por muitos somente como “conservadores que fumam maconha”, adeptos de uma ideologia insular de homens de classe média de startups de tecnologia. Muitas das maiores publicações e comunidades online libertárias na internet têm a tendência reflexiva a defender as grandes empresas contra ataques de trabalhadores e consumidores, os senhorios contra os locatários, o Walmart contra Main Street, rejeitando quaisquer críticos como inimigos do livre mercado e tratando as corporações como representantes legítimas dos princípios de mercado. Têm também uma tendência paralela a rejeitar todas as preocupações de justiça pessoal e sexual como “coletivistas”. O resultado é um movimento considerado pelos pobres, trabalhadores, mulheres e negros como irrelevante para suas preocupações. Enquanto isso, os homens brancos de 20 e poucos anos em empregos de classe média explicam a falta de mulheres e minorias nas fileiras de seus movimentos como referência a seu “coletivismo natural” e citam o ensaio Isaiah’s Job de Nock uns para os outros.
Nós, da esquerda libertária, não queremos ser relegados às catacumbas ou sermos os equivalentes modernos dos jacobinos, que se sentavam para tomar café e discutir sobre Bonnie Prince Charlie. Nós não queremos reclamar sobre como a sociedade está se acabando enquanto a maior parte das pessoas que luta para mudar a realidade para melhor nos ignora. Queremos que nossas ideias estejam no centro das lutas em todos os lugares pela justiça e por uma vida melhor. E só podemos fazer isso tratando as preocupações reais de pessoas reais como se dignas de respeito e mostrando como nossas ideias são relevantes. É isso que pretendemos fazer.
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2019.08.29 02:17 ederalk 50 motivos de porque a homossexualidade não é pecado

Um dos temas mais atuais e controversos, daqueles que mais instiga de ódio a defesa, na política, na moral, e na religião, que transpõe fronteiras terrenas e temporais: a homoafetividade! É sabido que teologia cristã atual põe a homossexualidade no pedestal mais alto das mais "abomináveis práticas humanas". Respeitosamente, a instigação aqui esmiuçada busca um ceticismo ao fundamentalisto religioso atual e questiona: e se não for pecado? E se nunca foi um pecado? Mais um berrante erro histórico da Igreja? Boa leitura.
50 motivos de porque a homossexualidade não é pecado
  1. Se nascer homossexual é pecado, logo, ele já está condenado ao inferno, pois é impossível deixar de ser homossexual, pois ele o É. Logo, Deus fez acepção de pessoas. Eles nem tiveram a chance de serem salvos. Porém, Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34)
  2. Se apenas a prática homossexual é pecado, mas não o desejo, logo Deus colocou o desejo nesses homens para os tentarem a pecar o tempo todo, mas afirmar isso é antibiblico, pois Deus não tenta ninguém (Tiago 1:12-20);
  3. Se o desejo não foi posto por Deus, pode ter vindo de Satanás, logo ele tem o poder sobre a libido humana, assim ele tem poder de fazer qualquer hétero virar gay, ou um gay virar hétero, outra coisa impossível. Ele já teria o feito a todos os homens;
  4. Se a homossexualidade é adquirida por comportamento, logo, é aprendida. Mas sabemos que: 1) gays nascem de casais héteros; 2) muitos sociedades desencorajam e perseguem a homossexualidade, mas isso não impede que ela continue existindo nelas; 3) todas sociedades em todas as épocas, das civilizações europeias e asiáticas as tribos indígenas e polinésias foi observado a presença da homossexualidade; 4) animais também, naturalmente, podem ser homossexuais, em mais 1500 espécies relatadas (Ec 3:19); 5) os héteros não afirmam que adquiriram a sua libido por comportamento, porque seria diferente com o homossexual?
  5. De forma direta e literal, não há nenhuma condenação as lésbicas na Bíblia; logo, o desejo lésbico seria natural, da criação humana. Se assim for, o desejo pelo sexo oposto seria inato, tanto em homens como mulheres, chegando a mesma conclusão que Deus estaria tentando apenas aos homens gays entre todas as sexualidades, algo antibiblico; a Bíblia também não explica a complexidade do bissexualismo em todas em suas nuances: um bissexual poderia se casar com uma mulher?
  6. Deus, de fato nunca muda, mas pode mudar o homem: Gênesis 6 nos relata o mundo antes do Dilúvio: havia gigantes na Terra, anjos faziam sexo com as mulheres e os homens viviam centenas e centenas de anos. Adão viveu 930 anos! Homens tinham filhos aos 187 anos nessa época (Gn 5:25)! No versículo 3, Deus, aparentemente, muda o homem para viver no máximo 120 anos, afim de evitar uma superpopulação mundial. (Algumas interpretações dizem que é 120 anos para acontecer o dilúvio). Mas o fato é que desde de Gênesis 11, a expectativa de vida humana se abrevia radicalmente. Ou seja, provavelmente, Deus mudou a anatomia humana: um corpo que vive 930 anos não é igual a um corpo que vive 100 anos; Deus precisaria alterar células, órgãos e tecidos! Por que Deus também não interferiria na libido humana, a fim de evitar um superpovoamento? Será que Jesus desencorajou a poligamia em Mateus 19:4-5, que era tão comum no Antigo Testamento (Gn 4:19) também preocupado com o crescimento da população humana?;
  7. É comum dizer que Jesus esteve em silêncio acerca da homoafetividade, o que não aconteceu: Mateus 19 é um diálogo em que Cristo trata acerca do casamento. Em Mateus 19:11, Jesus afirma que nem todos os homens tem a condição de seguir a ordenança do casamento heterossexual, dada por Deus em Gênesis; o único pré-requisito possível para tal condição seria ter atração por mulheres: se o homem a tiver, case, para não cair em tentação (1 Co 7:1-2; 7:26-27); se não a tiver ou a perder durante a vida, está livre da ordenança do casamento com uma mulher; se tiver, mas se desejar ser celibatário pelo Reino de Deus, é uma escolha pessoal (Mateus 19:12); logo, nascer homossexual é uma condição inata, não algo fruto do pecado ou um desvio comportamental;
  8. Pode-se argumentar contra afirmando que Jesus utilizou a palavra eunuco nesse trecho de forma literal – como se‘’eunucos’’ se referisse apenas aos homens castrados; porém, dois fatos derrubam tal argumento: 1) Jesus fala acerca de três tipos de “eunucos”, revelando que estamos diante de um termo bastante amplo para a época; 2) Jesus usou “eunuco” de forma figurada para se referir aos celibatários no “terceiro eunuco”; se Jesus utilizou uma figura de linguagem num trecho da sentença, pode-se ter utilizado em outra, como no trecho “eunucos de nascença”;
  9. Também há uma contradição em afirmar que alguém nasce ‘’castrado’’, ‘’eunuco’’ de forma literal. Oras, é necessário possuir suas genitálias de antemão para serem removidas e assim, se tornar um castrado; é impossível alguém nascer castrado! Como e por quê se castraria um feto no ventre da mãe? Já ser um “eunuco” posteriormente, ao remover seus testículos, sem a produção de testosterona, o homem perde a libido, o impedido de se casar, encaixando no critério do segundo eunuco;
  10. Pressupondo que os ‘’eunucos de nascença’’ são apenas os deficientes congênitos, e se a Bíblia liberasse qualquer deficiente de nascença com atração por mulher da ordenança do casamento, logo, eles teriam obrigatoriamente a serem castos a vida toda para não cair em tentação, pois, se um deficiente tem atração sexual por mulher, eles também ficariam com várias mulheres ao longo da vida fora de um casamento para sanar sua libido, pois se for com apenas uma mulher, melhor que se case com ela também! Não há lógica. Outra dificuldade seria definir o que é um ‘’deficiente de nascença’’: um anão seria? Ou um hermafrodita? Isso abriria brechas para proibir o casamento de muitas pessoas; cegueira ou infertilidade, por exemplo, impedem homens de se atrair ou de querer se casar com uma mulher?
  11. Se considerarmos apenas os assexuados como os ''eunucos de nascença'', esse texto afirmaria que a libido humana ou a sua ausência é uma condição dada apenas por Deus aos homens desde o seu nascimento. Logo, se for pecado ser gay, ele está o tentando, algo antibiblico;
  12. Se afirmar que apenas a assexualidade é uma condição dada por Deus, logo, a própria libido seria uma escolha, incluindo a libido do heterossexual, algo também impossível; como Adão teria aprendido a se atrair por Eva?
  13. Em Romanos, carta escrita por Paulo, há o trecho mais usado como “antigay” na Bíblia; é importante lembrar que o próprio apóstolo Pedro afirmou que as epístolas de Paulo às vezes tinham ‘’trechos difíceis de entender’’, em que ‘’ indoutos e inconstantes torcem” (2 Pedro 3:16); se eram trechos difíceis de se entender na época para um apóstolo, imagine 2.000 anos depois para nós! Romanos 1:26-27 pode ser um desses trechos a que Pedro se referiu;
  14. Se usarmos Romanos 1:26 para condenar as lésbicas, foi usada uma figura de linguagem para tal, já que não sabemos ao certo, que ''uso natural'' é esse que elas mudaram; isso não é explícito;
  15. Se Paulo se referiu as lésbicas nesse trecho, de forma figurativa, ou seja, fez uso de figuras de linguagem para se referir as mulheres, logo, "semelhantemente", ele também pode ter usado para se referir aos homens; logo, homens nesse trecho necessariamente não precisam se referiam a homossexuais, ficando vago sua definição, sendo necessário avaliar o contexto;
  16. O tema do contexto de Romanos 1:23-28 é a idolatria praticada pelos romanos, em que nos cultos pagãos, é sabido que homens heterossexuais praticavam sexo homogenitais com outros homens nos ritos orgásticos; a idolatria é um dos temas centrais do capítulo e isso fica evidente pelos versículos 23 a 25. O Versículo 26 inicia-se com a expressão “por isso”, ou seja, o que está explícito a partir desse ponto é o resultado das ações humanas descritas nos versos anteriores;
  17. Em Levítico 18:22, outro versículo largamente usado como antigay, diz que homem deitar com homem, como se fosse mulher é uma abominação; a palavra abominação vem do hebraico toevah ou do grego bdelygma, ambos significam "impureza" ou "ofensa ritual", logo, o tema de Levitico 18 também é idolatria, assim como Romanos 1;
  18. Abominação, no antigo testamento, é largamente usado para se referir a práticas de idolatria, como consultas a necromantes, feiticeiros, adivinhadores e prognosticadores (Deuteronômio 18.10-12); o sacrifício de animais defeituosos (Deuteronômio 17.1); adorar imagens (Deuteronômio 7.25); a queima de incensos (Jeremias 44:4-6); a prostituição cultual, sacrifício de crianças e fazer imagens de ouro e prata (Ezequiel 16); deve-se sempre enfatizar que a Bíblia não foi escrita em nosso idioma, e a etimologia das palavras podem mudar ao longo da história;
  19. Levítico fala de sacrifício de crianças a deus Moloque um versículo anterior ao 22 (Lev 18:21), logo, reforça que o tema do capítulo 18 de Levitico é a idolatria e práticas pagãs;
  20. Levítico 18:3 proíbe seguir os ‘’estatutos do Egito e dos cananeus’’, novamente comprovando que o tema central aqui é idolatria; em Ezequiel 18:9 o Senhor diz que quem andar nos ‘’meus estatutos, e guardar os meus juízos, e proceder segundo a verdade, o tal justo certamente viverá’’, distinguindo a palavra estatuto; mais adiante, no verso 12, diz ‘’levantar os seus olhos para os ídolos, e cometer abominação’’, reforçando o significado principal de abominação na Bíblia para coisas idólatras;
  21. A presença na frase da expressão ‘’como uma mulher’’ em Lev. 18:22 pode ser interpretado como homens que abandonam sua condição natural, hétero, para deitar-se com outros homens, pela imposição do culto religioso; gays não se deitam com homens como se fossem mulheres;
  22. Faz sentido nesses versículos se referirem a homens heterossexuais praticando atos homogenitais entre si, pois ao se referirem a rituais pagãos, é certo que havia muitos homens héteros que participavam desses cultos, já que eles eram públicos; assim como as mulheres que sacrificavam seus filhos aos deuses, certamente, ambas práticas eram sacrifícios extremamente vergonhosos e nada agradáveis para agradar aos seus deuses; se a maioria dos homens dessas sociedades pagãs eram gays, como repunham a população sem novos nascituros? É sabido que os egípcios chegava a milhões de súditos (1 a 8 milhões de pessoas);
  23. Se levarmos esse versículo de Levítico literalmente ao pé da letra, logo, apenas ‘’deitar’’ com outro homem é pecado. Beijar, desejar, namorar, se afeiçoar, pegar na mão, ou até o sexo em pé, sem estar deitado, estaria liberado aos gays, sem configurar pecados?;;
  24. Se levarmos no sentido figurado, logo, pode não se tratar de relações homoafetivas tradicionais nesses versos; "homem" pode ser referir a homens héteros unicamente, não aos gays, já que até os dias de hoje é comum confundir sexualidade com gênero, podendo certamente acontecer o mesmo na época; em resumo, gays poderiam não ser considerados homens na época como acontece muito hoje;
  25. Levítico 20 trata acerca das penas de diversos crimes anteriormente ditos nos capítulos anteriores; está escrito no verso 18 que a acaso um homem se deitar com outro homem como com mulher, ''certamente morrerão''. Há uma ambiguidade aqui: é uma consequência do ato ou uma ordem de execução? Se for uma consequência, sabemos que isso não acontece, senão estaria acontecendo um genocídio gay nesse momento; nesse versículo também usa-se a palavra ‘’abominação’’, que como se sabe, significa na Bíblia ‘’impureza ritual’’;
  26. Em Levítico 20, do versículo 2 ao 5 é novamente sobre a sacrifícios de crianças a Moloque, o 6 sobre adivinhadores e encantadores, 8 e 22 fala sobre ‘’estatutos’’, o 23 exorta a não andar nos costumes de nações pagãs e o 27 sobre necromancia ou espírito de adivinhação; ou seja, aqui se confirma as práticas idólatras do capítulo 18;
  27. 1 Coríntios 6:9:20, outra passagem comumente dita ser ''anti-gay'', se usa duas palavras intraduzíveis para nosso tempo: malakoi e arsenokoitai, e ao longo da história, foram traduzidas de muitas maneiras diferentes;
  28. Paulo utilizou essas duas palavras numa mesma lista de pecados, de forma seguida; que sentido teria ele de repetir o mesmo suposto pecado duas vezes seguidas, na mesma lista? As cartas Paulinas não eram escritas de forma coloquial ou informal, mas bastantes formais e escritas várias e várias cópias (Romanos 16:22), revelando se tratar de textos oficiais e bastante difundidas;
  29. Malakoi já foi traduzido como: "depravados", "pervertidos", "efeminados", "efebos", "meninos prostitutos", "masturbadores", "pusilânime", o que já torna a palavra intraduzível de forma fiel atualmente, por se tratar de traduções bastante diferentes, revelando a dificuldade de entender seu real significado;
  30. Efeminado, uma tradução mais comum atualmente para malakoi, no dicionário de línguas portuguesa de Cândido de Figueiredo, de 1913, significa ''ser mulherengo'', algo bem diferente de ser gay;
  31. Efeminado é um termo que atualmente é mais usado para indivíduos com trejeitos femininos; porém, um afeminado não necessariamente é gay; é sabido que existem héteros afeminados, assim como gays másculos; o másculo iriam ser salvo, mas héteros afeminados não? Outra dificuldade é que ser afeminado ou masculino muda constantemente de época para época: homens aristocratas, por exemplo, no século XVIII, para afirmar sua masculinidade, usavam salto alto, maquiagem e perucas;
  32. Arsenokoitai foi uma palavra inventada por Paulo, usando neologismo, e até hoje não se sabe ao certo o que ele queria dizer com arsenokoitai; essa palavra só foi usada duas vezes em toda história da literatura, dificultando ainda mais seu entendimento; a tradução mais comum atualmente é sodomita, palavra extremante alterada em seu significado ao longo da história;
  33. A palavra “sodomita”, por séculos significava perverso; porém, Tomás de Aquino, por volta do século XII, na sua obra Suma teológica, reformulou a palavra “sodomia” para abranger as ‘’imoralidades sexuais’’, que abarcavam uma enorme quantidade práticas, que ia da bestialidade ao sexo anal;
  34. Em nenhum momento, a Bíblia afirma que Sodoma e Gomorra caíram por causa da homossexualidade; ao contrário, o próprio Jesus, em Mateus 10:15, reforça que o principal pecado dos sodomitas foi a falta de hospitalidade; Deus afirmou que destruiria Sodoma somente se não achasse nenhum justo na cidade; apenas 10 justos já seriam suficientes para Deus poupar seus moradores (Genesis 18:32); se o pecado de Sodoma e Gomorra fosse a homossexualidad de seus moradores,, como a cidade poderia existir constantemente se não haviam nascimentos de relações heterossexuais?
  35. Somente algumas versões modernas da Bíblia, covardemente, começaram a traduzir como homossexual passivo e homossexual ativo as palavras”malakoi” e “arsenokotai”; porém, é fato que não existe a palavra homossexual na Bíblia, que não existe nenhuma palavra que seja usada para se referir a gay unicamente na Bíblia, exceto ‘’eunucos de nascença’’, proferida por Jesus;
  36. Jesus nos alertou intensamente acerca dos fariseus, mas também dos escribas, que escrevem e traduzem as Escrituras (Mateus 23);
  37. Jesus nunca poupou as palavras parar denunciar as transgressões do mundo: adultério, prostituição, matar, heresia, roubar, a falta de amor, a blasfêmia, mentir, não perdoar etc. Por que ele nunca condenou veementemente do ‘’pecado abominável e terrível” da homossexualidade?
  38. A Judéia, na época de Jesus, era parte do Império Romano, império em que a prática homossexual era extremamente comum e aceitável; ou seja, existia gays na época convivendo com Jesus; por que Jesus nunca “curou” algum?
  39. Como os 3 versículos ‘’anti-gays’’ da Bíblia, Romanos 1:26-27, Levítico 18:22 e I Coríntios 6:10, são, á luz da hermenêutica, refutados, ou no mínimo, duvidosos, fica claro que toda condição humana que, de nascença, impeça um homem de se atrair por uma mulher, está livre da ordenança do casamento segundo o próprio Cristo Jesus: homossexuais, transsexuais e assexuados.
  40. Paulo, ao falar sobre o casamento em 1 Coríntios 7, sobre a virgindade, as viúvas e os solteiros, ele não faz menção direta aos homossexuais; mas diz no verso 7: ‘’Porquanto gostaria que todos os homens estivessem na mesma condição em que eu vivo, contudo, cada ser humano tem seu próprio dom da parte de Deus; um de determinado modo, outro de forma diferente.’’, podendo ser uma interpretação de Paulo ao que Jesus disse em Mateus 19;
  41. Um termo importantíssimo para se referir a vida sexual humana na Bíblia é porneia, um termo grego traduzido principalmente de 3 formas diferentes na Bíblia: prostituição, fornicação e imoralidade sexual; os 3 termos são muitos diferentes entre si, logo, há confusão nas traduções; muitos argumentam que homossexualidade também entraria como ‘’imoralidade sexual’’, mas não há nada na Biblia dizendo ‘’homem se relacionar com homem é porneia’; e o termo porneia não aparece na carta aos Romanos;
  42. Jesus disse em Mateus 15:19: ‘’Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, porneia, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. Logo, porneia não significaria adultério, senão, Jesus estaria falando a mesma coisa seguida duas vezes na mesma frase! E imoralidade sexual é um termo muito amplo que também abrangeria o adultério, logo, porneia não pode significar tal adultério;
  43. Atualmente, usa-se ‘’fornicação’’ para designar qualquer prática sexual fora do casamento, logo, também abrangeria o adultério; assim, porneia também não pode significar tal termo, considerando a frase de Jesus na época;
  44. Assim, a melhor tradução para porneia seria prostituição, que é a comercialização do sexo; e mesmo usando ‘’fornicação’’ como tradução de porneia, o seu melhor significado também seria a ‘prostituição’: ‘’Fornice’’ era o arco da porta sob a qual as prostitutas romanas se exibiam. Jesus viveu na Judeia na época que fazia parte do Império Romano. E é maior a chance dos evangelhos tenha sido escritos em grego.
  45. Antigas Bíblias referem ao 6º Mandamento como "Não Fornicar", coisa que depois foi alterada pelos reformadores conservadores para "Não Adulterar", que já tem outro significado. Isso reforça a confusão desses termos ao longo da história;
  46. Paulo usa porneia em 1Co 6.18. Mas basta ler o contexto, que se perceberá que ele fala acerca da prostituição especificamente: ‘’Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz (ou prostituta)? Não, por certo. Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne. (...) Fugi da porneia (...)’’; com essas conclusões, usar porneia como ”imoralidade sexual” pode apresentar como uma expressão ampla e controversa, suscetível a variadas interpretações ao longo do tempo; já utilizar “prostituição” torna o termo conciso;
  47. No Novo Testamento, há várias menções em que as leis do Antigo Testamento foram abolidas, pois Jesus já cumpriu todas elas em nosso lugar. (Hebreus 7:18-19; Atos 15:23-29; Gálatas 5:3; Filipenses 3:7-8); Jesus ao cumprir toda a lei por nós, ela foi passada (Mt 5:17-18). Logo, isso aboliria as leis de Levítico, acaso elas se referissem aos homossexuais; Atos 15 relata que a discussão acerca da validade do Antigo Testamento para os cristões acompanhou a Igreja desde o início: judeus convertidos contendiam-se com os gentios convertidos, dizendo que ‘’os circuncidados não serão salvos’’; a Igreja então fez o primeiro concílio de sua história e decidiu: ‘’Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá. (Atos 15:28,29); logo, as únicas leis dadas pelo espírito santo e os apóstolos a igreja seriam não idolatrar e realizar sacrifícios e não se prostituir;
  48. Há pesquisas historiográficas confiáveis que afirma que a Igreja primitiva realizava casamentos entre homens. Esses estudos são principalmente do importante historiador John Boswell; essa mudança radical da igreja aconteceu bem posteriormente, quando a Igreja Católica Medieval passou a considerar o sexo apenas para procriação, condenando assim também a homoafetividade; padres católicos chegaram a ter a ideia do sexo como sujo e maligno; porém, em nenhum local da Bíblia afirma categoricamente que o sexo é apenas para procriação; Paulo chega a afirmar que os casais não se recusem um ao outro, exceto por consenso mútuo no período de oração ou jejum, para não cairem em tentação (1 Co. 7:5); ou seja, quanto ao sexo, a Bíblia é enfática em condenar apenas o adultério e a prostituição;
  49. Quem afirma que sexo é somente para procriação usa justamente as passagens com a expressão “imoralidade sexual”, que como já foi dita, provém de uma palavra que significa prostituição, unicamente. A Bíblia não explícita o que é imoral no sexo consensual e amoroso; outra dificuldade em afirmar que o sexo é apenas para procriação seria a presença da forte excitação sexual no ato: se é apenas para ter filhos, por que Deus colocaria o prazer no sexo? A presença da clitóris na mulher também evidencia que o sexo não é somente para procriação, já que esse é o único órgão cuja função é unicamente dá prazer a mulher. Sua ausência não impede em nada a reprodução humana. Deus novamente estaria tentando o homem e a mulher a pecarem, ao dar prazer ao ato sexual, e claro, como dito, Deus não tenta o homem!
  50. A Igreja já perseguiu muitos grupos humanos na história usando versículos isolados e fora de contexto: curandeiras, negros, cientistas, ciganos, chegando ao ponto de perseguir e condenar a morte na fogueira até mesmo os canhotos, somente porque está escrito na Bíblia que a mão direita é divina! Nada impede que a interpretação atual acerca da homossexualidade também esteja extremamente equivocada e distorcida.
Por favor, se estiver algum motivo errado, refute-o, dizendo o número do motivo e contra-argumente, usando sempre a PALAVRA DE DEUS e fatos históricos, não a sua opinião ou a opinião do seu líder. Use textos coerentes da Bíblia e nunca fora do seu contexto. Nada de versículos isolados. Use a hermenêutica, a forma correta de ler a Bíblia. Não adianta me atacar, só prova que você não tem argumento suficiente, mas ataque o argumento! Não adianta só dizer que é pecado; prove, usando a BÍBLIA!
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2019.08.25 16:40 NattanViscardi A Primeira Batalha de Amnom - Luxúria

Amnom sentia seu peito saltar em uma mistura de ansiedade e apreensão. Mal havia saído do mosteiro onde recebera por anos treinamento e ensinamentos sobre a Luz e já havia se envolvido numa prova grande de sua fé: livrar uma vila de um demônio.
O garoto em prantos que descreveu a condição do corpo de seus pais não havia lhe deixado dúvidas. Olhos tomados de negro, veias escurecidas pelo corpo, pele pálida, boca seca... suas almas foram certamente sugadas por algum tipo de demônio, só faltava saber qual. Mas Amnom não se importava tanto com isso. Apenas ergueria seu símbolo sagrado para a primeira criatura hedionda que encontrasse e deixaria a Luz o consumir sua forma nefasta. Ainda assim, não conseguia espantar a ansiedade e um pouco de medo de seu coração. Andava apressado na direção da estalagem local com seu grande livro sagrado sob o braço esquerdo e os dedos da mão direita nervosamente tamborilando o punho da adaga em sua cintura. “Conseguir informações e ir atrás do demônio” repetia na cabeça para manter o foco. Era a primeira vez em anos que ia num local devotado aos prazeres da carne. Não deixava de ser uma prova também.
Não havia música ou dança, apenas alguns homens bêbados falando alto uns com os outros, alguns debruçados sobre a mesa, alguns roubando os que estavam debruçados sobre a mesa, cortesãs se aproveitando dos embriagados para conseguir clientes... Amnom não sabia se sentia dó ou nojo daqueles perdidos na escuridão. O cheiro de álcool e vômito acabou fazendo ele optar pelo nojo enquanto se apressava para chegar ao balcão. Tentou escolher um lugar que se sentasse próximo das pessoas menos repugnantes. Sentou-se aentre um elfo negro e uma dama de aparência agradável.
Ele chamou o atendente para pedir informações, mas tudo que obteve foi uma bronca por ocupar um lugar no balcão sem intenção de comprar nada. Frustrado, se levantou para ir embora, mas a dama ao seu lado se levantou junto e o impediu tocando em seu braço.
— Não pude deixar de ouvir... — Disse ela aproximando o rosto para que pudesse falar baixo e ser ouvida por ele — eu acho que sei algo que pode te ajudar... — Olhou em volta — Mas não aqui. Venha, estou com um quarto alugado aqui.
Amnom concordou com a cabeça. Estava aliviado de que não sairia dali de mãos vazias e se apressou em segui-la até o quarto.
— Por favor, fique à vontade — disse ela quando fechou a porta do pequeno quarto — É uma longa história — suspirou meio cansada
O clérigo assentiu com a cabeça e pôs um pouco o livro sagrado sobre um pequeno móvel ao lado da porta. Se aproximou da jovem para ouvir. A garota olhou para ele com seus olhos verdes amendoados e seu rosto triste emoldurado pelos curtos cabelos negros que quase cobriam um dos olhos antes de descer até a altura do pescoço. Os lábios escuros e marcados pela maquiagem sutil se apertaram e ela fez cara de choro aparentando não suportar os horrores das memórias. Amnom teve dó da garota e esticou a mão para seu rosto tentando a reconfortar. Passou um instante procurando palavras para a acalmar, mas ela se agarrou de repente ao corpo do clérigo o abraçando enquanto chorava. O corpo magro e mais baixo entre os braços de Amnom ativava nele um instinto protetor que a abraçava com força. Era agradável o cabelo sedoso em contato com seu rosto, as curvas do corpo encostado nele, o volume de seus razoavelmente fartos seios contra seu tórax, as pernas entrelaçadas de ambos, os beijos delas na base de sua orelha, as mãos dela deslizando em suas costas, as mãos dele deslizando nas costas dela... Espera, o que?
Amnom se viu beijando a pele avermelhada do pescoço da jovem enquanto ela soltava pequenos gemidos de prazer agora deitada na cama. As mãos dele deslizavam entre a roupa e a pele desnuda dela aos poucos a despindo. Era ótimo. Olhou para aqueles lindos olhos de íris amarela sobre o fundo negro. Meio fechados, o olhavam com desejo. Os chifres projetados do lado da cabeça pressionavam o colchão quando ela virava o rosto em gemidinhos e as grandes asas negras contornavam-no como se o abraçassem... Asas? CHIFRES?
“O que estou fazendo?” Se perguntou apavorado, embora sua mão agora subisse até o seio dela, simplesmente não conseguia parar de a apalpar. A criatura gemia mais enquanto ele tocava o corpo dela. Era bom.
— Você... hm... gosta do meu corpo? — perguntou ela em sussurros — De meus seios em suas mãos?
— Sim. — murmurou rouco. “NÃO” gritou em sua mente. Ele não consegui controlar nem o que dizia nem o que fazia enquanto as mãos terminavam de a despir para que ele pudesse observar o corpo torneado dela.
Uma Súcubo. Só podia ser uma. Havia sido descuidado e agora estava enfeitiçado por ela. Mas era uma maneira estranha de feitiço. Não era como se não tivesse controle algum sobre seu corpo, pois ele queria de fato fazer o que fazia. Queria continuar pressionando e esfregando-se contra a pélvis dela para que ela o sentisse ereto por de baixo das calças. Fazendo assim ela gemer aos poucos e se erguer para tirar sua roupa numa vontade incontrolável de... Não, não, não! Foco!
Amnom tinha que acabar com aquilo o quanto antes. A cada instante que passava naquele feitiço, mais sua vontade de se render a ela aumentava. Talvez já tivesse o feito se não fosse sua fé na Luz. Conseguiu tirar o olho do seio redondo do demônio por um momento para espiar sua própria cintura e... Onde estava sua adaga? Ou seu cinto? Onde afinal estavam suas calças? Percebeu que o que estava em volta de sua cintura era na verdade as pernas dela, Puxando sua pélvis desnuda para esfregar suas partes íntimas uma na outra. Sentia-a molhada em contato com ele se revirando só de se esfregar em gemidos um pouco mais altos... parecia gostar... parecia de verdade... Não! Era uma Súcubo. Uma maldita criatura feita para enganar um homem com essas coisas. tinha que tirar esses pensamentos da cabeça se quisesse sobreviver.
A adaga estava fora de alcance. O livro sagrado também. Talvez o Símbolo sagrado em seu pescoço... mas mal conseguia traçar um plano, pois a cada segundo se distraía com os gemidos e olhares da criatura.
Não. Não podia ser tão difícil. “Eu sou um clérigo da luz” disse a si mesmo “eu estou acima desses encantos abissais". Ele só precisava erguer o corpo, recuar a cintura, se jogar sobre seu martelo e o brandir no ar entonando uma prece. Assim o fez. Colocou as mãos dos dois lados do corpo dela se apoiando para levantar como se fizesse uma flexão. Recuou a cintura tentando desencostar da genital dela, mas ela rapidamente abaixou a mão e pegou a dele. Encaixou e o puxou com as pernas. Amnom não sabia se ela tinha sido absurdamente forte ao puxar-lhe ou se ele mesmo cedera ao movimento, mas se viu penetrando a demônio numa descarga de prazer, desejo, mas, lá no fundo, nojo de si mesmo. Ver ela empurrando a própria cabeça contra o colchão enquanto gemia de boca aberta com os olhos se revirando era demoniacamente instigante. O calor, o quanto deslizava fácil ainda que prazerosamente apertado. Tentou sair novamente, mas a cintura o traiu avançando novamente. O braço tremeu. “O que foi isso?” fitou de canto o próprio braço e mais uma vez o viu tremer e por um instante fraquejar. Já estava perdendo as forças. Era tarde de mais, não havia mais como se desvencilhar da Súcubo. Já a estocava com a cintura várias vezes e a via se remexer e gemer sob ele. Não aguentava mais o peso do próprio corpo. Se deixou cair sobre ela tendo a queda curta confortavelmente amortecida pelos seios dela. Tentou se agarrar a algo. Só havia ela. Se agarrou a ela pressionando o próprio peito contra o dela enquanto via sua vida esvair naquela situação hedionda e prazerosa. O que mais odiava era como aquilo era bom. Como ele mesmo suspirava a cada vez que penetrava ela. Quase tudo era quente... apenas algo gelado em seu peito. O que seria?
Arregalou os olhos.
—Lucem vobis uri — conseguiu entonar com suas últimas forças.
O símbolo sagrado em seu peito, pressionado contra o dela emitiu uma luz forte. Ambos pararam imediatamente os movimentos para em seguida a Súcubos começar a se debater e guinchar como um animal sendo ferido. Ela tentou se livrar de Amnom, mas agora ele havia recobrado suas forças e parecia ter sido ela quem ficara sem.
Amnom apertou o abraço e usou o próprio peito para forçar o símbolo contra o dela. A criatura emitiu todos os tipos de sons horrendos. Indo de berros de dor a relinchos deformados. Cravou as garras nas costas dele o fazendo gritar de dor com ela, mas não a soltar. Empurrou a cara dele. as garras penetram a pele na testa e desceram rasgando na direção do rosto, mas ao chegar no supercílio, ela parou. O braço caiu na cama, os olhos ficaram pálidos, a cabeça pendeu para o lado e os gritos se encerraram.
Amnom fechou um dos olhos cegado pelo escorrer do sangue. Se levantou e pôde observar um buraco cauterizado desde a superfície do peito até o coração dela. Era grande o suficiente para por cinco centímetros do cabo de uma lança. Fedia a carne queimada.
O clérigo se levantou completamente. Se deu conta nu. Levou a mão à cabeça atônito e, quando a tirou, viu-na coberta de sangue. Caiu de joelhos aos prantos de desespero e, agarrado ao símbolo sagrado, começou a rezar.
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